Terremoto no Japão

Premiê japonês renuncia ao salário até o fim da crise nuclear; usina pede ajuda financeira ao governo

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, anunciou nesta terça-feira que renuncia ao salário até que a crise na central nuclear de Fukushima seja resolvida.

"Continuarei recebendo meu salário como membro do Parlamento, mas não o de primeiro-ministro nem os bônus correspondentes", explicou o chefe de governo em uma entrevista coletiva.

Nesta terça-feira, o governo recebeu o pedido de ajuda financeira do presidente da Tokyo Electric Power Company (Tepco), Masataka Shimizu, empresa que administra a usina.

A ajuda seria para pagar as compensações financeiras às famílias que foram obrigadas a deixar suas casas por causa do vazamento nuclear na usina. Depois de entregar o pedido formal, por escrito, ao ministro da Economia japonês, Banri Kaieda, a empresa divulgou seu plano de corte de custo.

Entre as medidas, está a diminuição dos salários dos funcionários, inclusive dos executivos e da diretoria. O valor total das compensações ainda não foi divulgado, mas analistas dizem que deve passar dos US$ 100 bilhões.

Num comunicado, a empresa disse que enfrenta "uma situação extremamente severa" em relação à captação de fundos e vai precisar de ajuda do governo para poder pagar imediatamente as compensações "justas".

O ministro das Finanças, Yoshihiko Noda, deu a entender que o governo dará alguma forma de suporte à Tepco.

"Basicamente, a Tepco é responsável pela compensação, mas o governo vai garantir que aqueles que foram afetados sejam compensados", disse Noda.

A companhia energética é a maior do Japão e atende uma área que corresponde a 33% da economia local. Desde o início da crise nuclear, cerca de 80 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas num raio de 20 quilômetros da usina.

Agricultura, pesca e comércio foram afetados e, segundo cálculos do governo, a zona de evacuação deverá continuar inabitada até o ano que vem.

A Tepco continua trabalhando para recuperar a usina de Fukushima e diz que precisará de mais nove meses para ter novamente o controle total da usina.

Nas últimas semanas, a Tepco, seus credores e o governo vêm tentando criar um plano que possa permitir à companhia energética compensar as vítimas da crise nuclear. Ao mesmo tempo, a empresa quebra a cabeça com os bilhões de dólares que serão gastos com combustível extra para gerar eletricidade, no lugar da usina, e garantir que não haja apagões no verão.

"Estamos adotando meios para garantir um fornecimento suficiente de energia elétrica e evitar os cortes programados", disse Shimizu na carta enviada à Kaieda.

A mídia japonesa, no entanto, já divulgou que pode haver, em breve, um aumento das contas de energia elétrica.

*Com informações da BBC e AFP

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos