Justiça de Nova York liberta Strauss-Kahn

Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Allan Tannebaum/AFP

    Dominique Strauss-Kahn durante audiência na Suprema Corte em Nova York no dia 6 de junho

    Dominique Strauss-Kahn durante audiência na Suprema Corte em Nova York no dia 6 de junho

O ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn foi solto, pela Justiça de Nova York, sob condição de que irá voltar à corte e responderá processo criminal. A Justiça não devolveu o passaporte de Strauss-Kahn. 

"Eu entendo que as circunstâncias deste caso mudaram substancialmente e concordo que o risco dele não aparecer aqui diminuiu. Eu solto Strauss-Kahn sob liberdade provisória", afirmou o juiz Michael Obus.

Obus também concordou em restituir a fiança de US$ 1 milhão e o depósito de garantia de US$ 5 milhões pagos quando Strauss-Kahn foi para prisão domiciliar, diz a emissora americana MSNBC.

Segundo Benjamin Brafman, um dos advogados de Strauss-Kahn, o ex-diretor geral do FMI "será declarado inocente".

Os últimos elementos relacionados ao caso "reforçam nossa convicção de que será declarado inocente (...). É um grande alívio", disse Brafman após a decisão da Justiça de Nova York.

Strauss-Kahn é acusado de tentativa de estupro contra uma camareira de hotel em maio passado.

O ex-diretor-gerente do FMI foi solto porque os promotores têm dúvidas sobre o testemunho da suposta vítima de Strauss-Kahn e consideram que a camareira mentiu repetidas vezes desde o dia 14 de maio, quando ocorreu o incidente em um quarto de hotel em Nova York.

Segundo o jornal "New York Times" a polícia descobriu supostos vínculos da vítima, uma guineana de 32 anos, com atividade criminosa, incluindo lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

Várias pessoas fizeram depósitos em dinheiro - que somaram US$ 100 mil - na conta bancária da suposta vítima nos últimos dois anos, e os promotores teriam conversas gravadas da camareira com indivíduos sobre o pagamento pela acusação de agressão sexual, destaca o jornal.

O caso

Strauss-Kahn, de nacionalidade francesa, sempre negou as acusações de estupro e agressão sexual contra a camareira, que alegou ter sido atacada quando trabalhava em um hotel de Manhattan.

A camareira alega que entrou no quarto achando que não havia ninguém e que Strauss-Kahn saiu do banheiro nu, em sua direção. Ele a teria agarrado e tentado colocar seu pênis na boca da camareira por duas vezes, além de impedir que ela deixasse o local.

Após ser detido em um avião quando se preparava para voltar à França, DSK passou duas noites em uma delegacia do Harlem e quatro na prisão de Rikers Island, antes de conseguir se mudar para prisão domiciliar em um luxuoso apartamento de Manhattan, depois de pagar uma fiança de US$ 1 milhão.

Além de pagar esse montante milionário, o ex-diretor do FMI foi obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica, restringir-se a um regime de saídas e visitas muito rígido e entregar todos seus documentos de viagem.

Strauss-Kahn renunciou a seu cargo no FMI poucos dias depois de sua prisão.

A ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, foi eleita na terça-feira como sua substituta.

Eleição

A detenção obrigou sua renúncia do FMI e acabou com suas esperanças de chegar à presidência da França, semanas antes de ele anunciar oficialmente sua candidatura.

Os simpatizantes de Strauss-Kahn no Partido Socialista da França expressaram contentamento com a aparente reviravolta e alguns disseram esperar que ele poderá reingressar na corrida presidencial de 2012.

Mas analistas políticos afirmam que sua reputação já foi muito manchada para que seja um candidato presidencial, apesar de que poderia ter um papel político influente se for absolvido.

*Com agências internacionais

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