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No 3º dia, distúrbios chegam a um dos bairros mais violentos de Londres

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

08/08/2011 14h33Atualizada em 08/08/2011 16h55

O bairro de Hackney, em Londres, foi palco nesta segunda-feira para novos confrontos entre a polícia e um grupo de jovens que saqueou lojas e atacaram ônibus. O local possui uma das taxas de criminalidade mais altas do Reino Unido.

De acordo com as informações da rede de televisão BBC, os distúrbios se desencadearam depois que a polícia efetuou algumas apreensões na rua, o que causou a reação de um grupo de encapuzados que passou a enfrentar os agentes lançando pedras e garrafas.

Segundo o jornal britânico "The Guardian", o prefeito de Londres, Boris Johnson, confirmou que retornará à cidade nesta terça-feira (9) para tentar resolver a crise. Mais de 200 pessoas já foram presas.

As imagens aéreas da rua Mare, uma das vias principais do bairro, mostravam como os manifestantes utilizavam pedaços de madeira para quebrar vitrines e janelas de alguns ônibus. Uma unidade policial antidistúrbios confrontava o grupo, enquanto três helicópteros das forças de segurança sobrevoavam a região.

“Eu vi carros sendo queimados, nós vimos um ônibus pegar fogo e explodir. Nossas casas ficaram cheias de fumaça”, disse Marcia Simmons, 37, moradora do bairro.

O "El País" informou que a polícia britânica pediu aos pais que se certifiquem de onde estão os filhos, pois a maioria dos jovens envolvidos nos distúrbios seria menor de idade.

Outros bairros atingidos pelos distúrbios nesta segunda-feira foram Lewisham e Peckham. Em Lewisham, grupos de jovens ateou fogo em dois carros e em contêineres, enquanto as ruas adjacentes foram cortadas pela polícia. No bairro de Peckham, também no sudeste de Londres, um ônibus foi queimado, segundo uma porta-voz do serviço de transportes de Londres.

Os protestos que explodiram na noite de sábado no bairro de Tottenham já se espalharam para outras regiões de Londres, como Brixton, no sul, e Oxford Circus, no centro turístico da capital britânica. Estima-se que o prejuízo causado pelos danos seja superior a 115 milhões de euros.

Em Brixton, palco de conflitos violentos nos anos 80 e 90, jovens quebraram vidros, atacaram carros da polícia, incendiaram latas de lixo e lojas.

Segundo informações da polícia, os jovens – que usavam capuzes para encobrir seus rostos – se organizaram por meio do Twitter e de mensagens no celular, que agora estão sendo monitorados pela polícia na tentativa de prever onde os protestos vão ocorrer.

O vice-prefeito de Londres, Kit Malthouse, disse que a violência era culpa de um pequeno número de criminosos motivados pela ganância, e não pela conduta da polícia ou de problemas sociais mais amplos causados pela lenta recuperação econômica do Reino Unido.

“Isso é um grupo relativamente pequeno de pessoas dentro de nossa comunidade em Londres que... francamente está procurando coisas para roubar. Eles estão escolhendo tipos de lojas específicas, porque querem um novo par de tênis ou o que for”, disse ele à rede Sky News.

Os distúrbios começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, 29. Ele foi morto por policiais na última quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. Os policiais não divulgaram detalhes do suposto tiroteio, em que um policial também foi ferido à bala, mas prometeram uma investigação.

*Com informações da Efe, Reuters e Associated Press

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