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Em discurso nas homenagens do 11/09, Barack Obama lê salmo que cita Deus e guerras

Do UOL Notícias

Em São Paulo

11/09/2011 09h57Atualizada em 11/09/2011 13h30

Dez anos após os atentados do 11/9, os Estados Unidos fazem uma cerimônia neste domingo (11) para lembrar as cerca de 3.000 vítimas dos ataques às Torres Gêmeas do World Trade Center. O presidente Barack Obama participou da cerimônia ao lado do ex-presidente George W. Bush. Em rápido discurso, Obama leu um salmo.

"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Pelo que não temeremos, mesmo que a terra seja retirada debaixo de nossos pés, que as montanhas sejam levadas até o oceano", disse o presidente ao ler o Salmo 46 da Bíblia. "Deus está conosco. Sabemos que houve guerras, que há guerras, e sabemos que ainda sim Deus será sempre exaltado entre as nações."

Apesar das citações de Obama, a proposta dos EUA era retirar o caráter religioso do evento.

Como acontece anualmente nesta data, quatro minutos de silêncio marcam os momentos nos quais os dois aviões atingiram as torres e quando as duas desabaram: às 8h46, 9h03, 9h59 e 10h28, respectivamente. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, fez um pequeno discurso antes de anunciar o primeiro momento de silêncio.

Após o segundo minuto, Bush citou, em discurso, uma carta enviada pelo ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln a uma mãe que perdeu cinco filhos na Guerra de Secessão (1861-1865). "Qualquer palavra pode ser fraca para falar sobre uma dor tão profunda, mas digo, como consolo, que eles morreram por uma República. Por esta razão, eu peço a Deus que reduza a sua dor."

Os nomes de todos os 2.983 mortos nos atentados foram lidos por familiares das vítimas, que se revezaram na leitura. As famílias puderam, pela primeira vez, visitar o Memorial do 11 de Setembro, construído no Marco Zero, que será aberto ao público a partir de segunda-feira (12). Erguido no lugar exato onde estavam as Torres Gêmeas, o memorial traz o nome de cada vítima inscrito em seu entorno.

Reforço na segurança

A semana que antecedeu o aniversário dos atentados foi dedicada a reforçar a segurança em todo o país, especialmente em Nova York, e a prever possíveis ameaças, uma delas detectada no final da semana e atribuída à Al Qaeda, segundo o Departamento de Segurança americano.

Passados dez anos do ataque e do início da guerra contra o terror liderada pelos Estados Unidos, os americanos se sentem menos ameaçados. Pouco mais de um terço dos americanos teme novos atentados terroristas como os de 11/9, com exceção em Nova York, onde 58%da população se diz muito ou bastante preocupada com um novo ataque nos próximos meses, segundo pesquisa realizada pela universidade de Connecticut.

As lembranças do 11/9 variam. Enquanto uns ainda choram a perda de amigos e familiares, outros relembram como escaparam dos ataques ou a sensação de medo vivida no dia. Por outro lado, para algumas famílias, o drama iniciado no dia 11 de setembro de 2001 não terá um ponto final, pelo fato de não haver qualquer sinal de 41% das pessoas mortas na destruição das Torres Gêmeas. Ainda hoje, cinco médicos-legistas tentam identificar 6.314 partes de ossos encontrados na zona do World Trade Center.

Homenagens no país

Homenagens em diversas cidades estão acontecendo neste domingo. Após deixar Nova York, Obama foi a Shanksville (Pensilvânia), onde o quarto avião desviado caiu no dia dos atentados.

Na parte da noite, Obama participa de uma homenagem no Centro Cultural Kennedy, em Washington, para lembrar o ataque ao Pentágono. A cerimônia estava marcada para acontecer na Catedral de Washington, mas o local foi interditado devido à queda de um guindaste. O evento incluirá, além de um discurso do presidente, apresentações de artistas como Patti Labelle e a meio-soprano Denyce Grave.

Além disso, diversas celebrações acontecem em outras cidades americanas, como corridas, exposições de fotos, corrente humana no sul de Manhattan, espetáculos de dança, concertos no Lincoln Center, na Times Square, em várias Igrejas. 

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