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Egípcios voltam à praça Tahrir para protestar contra plano de reforma constitucional da Junta Militar

Do UOL Notícias, em São Paulo

18/11/2011 08h42Atualizada em 18/11/2011 11h59

Centenas de egípcios voltaram à praça Tahrir nesta sexta-feira, principal palco dos protestos que derrubaram o regime de Hosni Mubarak, para manifestarem sua oposição contra o plano do governo militar de estabelecer novas bases para a constituição antecipando-se a Assembléia do Povo. Grupos liberais e islâmicos, incluindo a Irmandade Muçulmana, se uniram para um dia de protestos na praça.

 
Desde a queda do ex-presidente Mubarak, o governo de transição no Egito é comandado pelo Conselho Supremo das Forças Armadas.
 
A Irmandade Muçulmana classificou o plano de autoritário ao considerar que a minuta proposta pelo vice-primeiro-ministro Ali al-Selmi "causou uma perigosa crise na sociedade política egípcia, porque inclui cláusulas que tiram a soberania do povo e consagram uma ditadura".
 
"Será que o governo quer humilhar o povo? O povo se revoltou contra (o ex-presidente Hosni) Mubarak, e vai se revoltar de novo contra a Constituição que querem nos impor", gritou um membro de um grupo islâmico salafista pelo alto falante, para aplausos da multidão.
 
Pelo menos 39 partidos e grupos políticos disseram em nota que vão se manifestar para "proteger a democracia e a transferência de poder". Negociações entre os grupos islâmicos e o gabinete foram rompidas.
 
A proposta consiste em 23 pontos que a Constituição deve necessariamente respeitar. Os pontos mais controvertidos fazem alusão direta ao papel das Forças Armadas e à autonomia delas em relação ao Poder Executivo. O artigo 9 garante ao Conselho Supremo das Forças Armadas - máxima autoridade do país atualmente - a competência exclusiva para supervisionar "tudo o que se refere às Forças Armadas e a seu orçamento".
 
"Qualquer legislação que tenha a ver com as Forças Armadas deve ser exposta a elas antes de ser emitida", assinala o item, que acrescenta que o presidente da República só pode declarar guerra após contar com a aprovação da cúpula militar. 
 
Milhares de manifestantes chegaram ao Cairo vindos de diferentes partes do país. Muitos agitavam bandeiras e cantavam o hino nacional. "Viemos de ônibus do Delta (do Nilo). Fomos convocados a vir demonstrar nossa recusa ao regime militar e nosso apoio ao regime civil", disse Mohamed Ali, militante do partido salafista Al Asalah.
 
Além da oposição ao plano, os manifestantes pedem um cronograma mais específico por parte das Forças Armadas, estipulando um dia para que o poder seja transferido a um novo presidente, eleito pelo voto do povo, e também o fim dos julgamentos de civis em tribunais militares.
 
No dia 28 de novembro, os egípcios farão novas eleições para eleger um novo parlamento. Será a primeira votação popular desde que Hosni Mubarak assumiu o poder no país, em 1981.
 

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