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Internacional

Governo egípcio apresenta renúncia; militares estariam em busca de novo primeiro-ministro

Do UOL Notícias*, em São Paulo

21/11/2011 16h57Atualizada em 21/11/2011 18h51

O governo interino egípcio apresentou nesta segunda-feira (21) sua renúncia ao Conselho Supremo das Forças Armadas no poder desde a queda do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro deste ano. O anúncio foi feito pelo porta-voz Mohamed Hijazi, em declaração reproduzida pela agência estatal "Mena". O porta-voz afirmou que a renúncia resulta das “circunstâncias difíceis que o país enfrenta atualmente”.

Um comunicado divulgado pelo Conselho de Ministros indica que a renúncia foi apresentada ontem, sem especificar se foi aceita ou não pelo Conselho Supremo das Forças Armadas. No entanto, um jornal independente, o "al-Shorouk", afirma que a renúncia do governo interino do primeiro-ministro Essam Sharaf foi aceita.

 
 

Uma fonte ouvida pela agência “Reuters”, diz que o Conselho Militar do Egito já está negociando um acordo para escolher o novo primeiro-ministro. A fonte disse ainda que nenhum anúncio formal da Junta Militar sobre a renúncia apresentada deverá ser feito até que se chegue a um nome de consenso. A agência "Efe" também trouxe a informação do líder de um partido do governo segundo a qual a renúncia foi aceita, apesar de ainda não haver uma confirmação oficial.

O ministro da Informação, Osama Heikal, veio a público dizer que a renúncia, apresentada ontem, ainda não foi aceita, e que o Executivo seguirá exercendo suas funções. "A demissão foi apresentada porque a maioria dos ministros viram que estavam enfrentando fortes pressões que lhes impedia de levar a cabo suas atribuições", explicou.

O porta-voz ressaltou que o governo de Essam Sharaf "continuará cumprindo a totalidade de sua missão" até que o conselho "se pronuncie sobre a renúncia". Esam Sharaf era muito popular no movimento pela democracia, quando assumiu o governo em março passado. Mas sua imagem se desgastou por causa da falta de liderança diante da tutela das Forças Armadas e de sua lentidão para implantar reformas. A ineficiência do governo e sua subordinação aos militares passaram a ser alvo de críticas frequentes.

Mais cedo, o ministro da Cultura havia apresentado sua renúncia em protesto contra a forma como a Junta Militar vem reprimido os protestos na praça Tahrir, no Cairo. "Apresento minha demissão para protestar contra a maneira com que o governo tratou os últimos eventos na praça Tahrir", afirmou Emad Abu Ghazi ao entregar sua renúncia ao Conselho Supremo das Forças Armadas.

Os protestos dos últimos três dias deixaram dezenas de mortos e mais de 18 mil feridos segundo fontes médicas.

Cerca de 3.000 manifestantes participam dos protestos na praça Tahrir, que começaram no sábado, e outra dezena em manifestações próximo ao prédio do ministério do Interior, também no Cairo. Os manifestantes exigem que a junta militar anuncie a data de transferência do poder para um governo civil.

O grupo 6 de Abril, que participou dos protestos que derrubaram o ex-presidente Hosni Mubarak, participa também das novas manifestações. Eles defendem que uma eleição presidencial seja marcada no país até, no máximo, o mês de abril.

Eles contam com o apoio de um dos pré-candidatos à Presidência do Egito, Hazem Salah Abu Ismail, e também de outros ativistas como Mohammed ElBaradei, possível canditato presidencial, e Abdallah al-Ashaal, que denunciaram a violência das forças de segurança contra os manifestantes no final de semana.
 
As primeiras eleições legislativas depois da renúncia de Mubarak estão prevista para ocorrer ainda este mês. 

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*Com informações de agências internacionais

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