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Londres apresenta novo modelo de ônibus de dois andares e expõe disputa política

Fernanda Calgaro

Especial para o UOL Notícias, em Londres

16/12/2011 06h00

Um novo modelo do tradicional ônibus vermelho de dois andares de Londres começará a circular pelas ruas da cidade no início do ano que vem. Com novo design e forte apelo ecológico, o primeiro protótipo chega à capital inglesa nesta sexta-feira (16) e deverá ser seguido em breve por outros sete. O número total, que pode chegar a várias centenas, será definido de acordo com os itinerários, que deverão passar pela movimentada região central.

O lançamento dos ônibus expõe uma disputa entre o atual prefeito, Boris Johnson, do Partido Conservador, que tenta a reeleição no pleito de maio, e seus adversários políticos. Criticado por investir cerca de 7,8 milhões de libras (R$ 22,5 milhões) no desenvolvimento dos novos modelos, Johnson também é alvo de ataques por conta do aumento médio de 5,6% nas passagens do transporte público a partir de janeiro. O valor da tarifa varia conforme a distância e a área em que o passageiro viaja. Uma das promessas de campanha de seu maior rival, Ken Livingstone, candidato do Partido Trabalhista e prefeito de Londres de 2000 a 2008, é, se eleito, baixar o valor das tarifas em 7% a partir de outubro.

Inspirado no Routemaster, modelo de dois andares antigo que foi aposentado há alguns anos, a nova versão possui uma entrada aberta na parte traseira, mas com tecnologia que promete entregar mais performance e, ao mesmo tempo, poluir menos e ser mais silenciosa.

Com consumo aproximado de 28 litros de combustível por 100 km, o sistema híbrido (movido a eletricidade e diesel) faz com que seja até 40% mais econômico do que o atual ônibus de dois andares, totalmente fechado. Em comparação com os veículos híbridos em funcionamento, o gasto diminui em até 15%. A emissão de CO2 também é menor: em torno de 750g/km, ante 1.200g/km de um ônibus convencional.

Três entradas e duas escadas

Para agilizar o embarque e desembarque, o ônibus possui três entradas, ao contrário das duas portas nos modelos convencionais, e duas escadas, em vez de apenas uma, que levam ao andar superior. Os ônibus, que não possuem cobradores, passarão a ter um segundo funcionário quando a porta traseira estiver em operação. Sua função não será cobrar tarifa, mas supervisionar a entrada e dar assistência. No transporte público inglês, o passageiro paga a viagem diretamente ao motorista ou usa cartões pré-pagos, nos moldes do Bilhete Único em São Paulo.

Segundo a companhia de transporte de Londres (Transport for London), o custo de fabricação do novo modelo é parecido com o dos atuais ônibus híbridos: 300 mil libras (equivalente a R$ 870 mil) por unidade.

Projetado pelo artista britânico Thomas Heatherwick, o design foi pensado para as ruas estreitas de Londres. Esse foi, aliás, um dos motivos que levaram à retirada dos ônibus articulados de circulação na semana passada. O outro foi que esse tipo de ônibus permitia ao passageiro entrar pela porta do meio, sem pagar. Mesmo assim, a decisão recebeu críticas porque os modelos articulados têm capacidade maior (120 pessoas contra 85 em um de dois andares) e o embarque é mais fácil, especialmente para pessoas com dificuldade para subir escada ou mães com carrinhos de bebê.

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