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Morre, aos 69 anos, o ditador norte-coreano Kim Jong-Il

AFP
Morre o ditador norte-coreano, Kim Jong-il, aos 69 Imagem: AFP

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

19/12/2011 07h04

O líder norte-coreano Kim Jong-Il morreu às 8h30 deste sábado (17) (21h30 de sexta-feira em Brasília), vítima de um ataque cardíaco, aos 69 anos. A informação foi confirmada hoje pela televisão estatal do país, um dos mais fechados do mundo.

Ele havia sofrido em agosto de 2008 um derrame cerebral, mas, segundo a agência estatal de notícias do país, faleceu em consequência de um "infarto do miocárdio severo e de uma crise cardíaca" quando viajava de trem em um de seus deslocamentos habituais para fora da capital. No domingo foi executada uma necropsia.

Desde 2008, as aparições públicas de Kim foram contadas e nelas mostrou uma figura cada vez mais frágil e cansada, embora sempre com seus inseparáveis óculos de sol e o uniforme militar que se transformaram em sua marca registrada. Um analista japonês, Toshimitsu Shigemura, chegou a defender que Jong-il teria morrido de diabete em 2003 e seria interpretado por sósias em eventos públicos – um deles, inclusive, teria se submetido a cirurgias plásticas para ficar mais parecido com o líder.

O filho mais novo do ditador Kim Jong-Un, de apenas 30 anos e general de quatro estrelas do Exército, foi designado como sucessor, disse entre lágrimas uma apresentadora do canal de televisão estatal.

O funeral de Kim Jong-Il acontecerá no dia 28 de dezembro em Pyongyang. O período de luto foi declarado de 17 a 29 de dezembro. 

Dinastia comunista

Kim Jong-Il herdou o poder após a morte, em 1994, do pai, Kim Il-Sung, fundador da República Democrática da Coreia do Norte, instaurando assim a primeira dinastia comunista da história. Durante seu regime ditatorial, baseado na glorificação de sua pessoa e na de seu pai, o "amado líder" se consolidou como um estrategista desafiante e anacrônico que, apesar de uma economia destroçada, erigiu seu país em uma potência atômica. 

O MISTERIOSO DITADOR

  • Kim Jong-Il é considerado um dos chefes de Estado mais misteriosos do mundo. Ao redor dele, há muita especulação e poucas certezas. A começar da data de seu nascimento: a história oficial afirma que ele nasceu em 1942, em uma cabana na sagrada montanha norte-coreana de Paektu, acompanhado de um duplo arco-íris e uma nova estrela no céu, enquanto seu pai dedicava-se à luta de guerrilha contra a ocupação japonesa. Mas documentos da ex-União Soviética deslocam seu nascimento para a Sibéria, no ano de 1941, enquanto seu pai estava no exílio. Nesses registros, aparece com o nome de Yuri Ilsungyevichi Kim.

Com ele, a Coreia do Norte também viveu alguns breves períodos de distensão com Coreia do Sul e Estados Unidos, mas sempre truncados por repentinos testes nucleares ou lançamentos de mísseis. 

Após sua graduação assumiu os departamentos de cultura e propaganda do Partido dos Trabalhadores, onde foi escalando postos conforme recebia formação política. Em 1980, foi designado oficialmente o sucessor de seu pai e membro do Comitê Central e do Comitê Militar da formação. Mas o primeiro posto de poder real lhe chegaria em 1991, quando assumiu as Forças Armadas como Comandante Supremo. 

Considerado impaciente e excêntrico, amante da boa mesa e do álcool, Kim Jong-il também ganhou fama de mulherengo, embora sua vida particular tenha transcorrido envolvida em mistério. Com 1,57 metros de altura, sempre aparecia em público com sapatos de plataforma e cabelos arrepiados, para parecer mais alto.

Fã de cinema, especula-se que esteve por trás do sequestro do cineasta sul-coreano Shin Sang-ok e sua mulher, em 1978, para que fizesse filmes para “melhorar a imagem da Coreia”. O cineasta produziu sete filmes na Coreia do Norte antes de fugir, em 1986, durante uma visita a Vienna.

Também especula-se que Kim possua mais de 20 mil filmes de Hollywood em sua estante e seja fã de James Bond. Outro boato sobre Kim Jong-il diz respeito a sua apreciação alcoólica, em especial por conhaque Hennessey, vendido por US$630 na Coreia.  

Sucessão

O filho mais novo agora é chamado a encarnar a terceira geração a liderar um país que continua fiel a um sistema totalitário comunista desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O primogênito, de cerca de 40 anos, caiu em desgraça após ser descoberto ao tentar entrar ao Japão com passaporte falso para visitar a Disneylândia em Tóquio. O segundo na linha sucessória, Kim Jong-chul, que se acredita tenha uma idade similar a Kim Jong-un, foi considerado por seu pai, segundo alguns testemunhos, afeminado demais para liderar o país.

Apresentadora da TV estatal se emociona ao anunciar morte do ditador Kim Jong-il

Os meios de imprensa sul-coreanos descreveram Kim Jong-un como um jovem muito parecido com seu pai tanto fisicamente, com seus 1,68 metros e 87 quilos, como em sua personalidade, o que lhe teria transformado na pessoa ideal para sucedê-lo nos olhos do ditador.

O jovem começou a ganhar mais protagonismo na política nacional depois que seu pai sofreu a apoplexia, em 2008, fato que acelerou o processo de escolha de um sucessor que pudesse dar continuidade ao sistema comunista norte-coreano.

Fruto do casamento de Kim Jong-Il com sua terceira mulher, Ko-Young-hee, uma ex-dançarina que morreu de câncer em 2004, Kim Jong-un viveu em sua adolescência em colégios de Berna (Suíça), oculto atrás de um pseudônimo. Acredita-se que após sua etapa na Suíça retornou em 2000 para a Coreia do Norte, onde se graduou, em 2007, na Universidade Militar Kim Il-sung.

Segundo as fontes, Kim Jong-un estaria casado desde 2010 com uma jovem estudante norte-coreana de 20 anos e teria tido uma filha com ela nesse mesmo ano. Embora apenas se tenha detalhes de sua vida, a maioria de sua etapa na Suíça, acredita-se que fale inglês, alemão e francês, e é amante do basquete e dos filmes de ação.

Sua designação em setembro de 2010 como vice-presidente da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores, e as aparições públicas ao lado de seu pai em atos oficiais nos últimos meses o consolidaram na frente da linha de sucessão com relação ao primogênito do líder, Kim Jong-nam.

Depois do anúncio, a Agência Central de Imprensa Coreana (KCNA), canal privilegiado do regime, pediu à população que reconheça o filho mais novo de Kim Jong-Il como sucessor na chefia do Estado norte-coreano. "Todos os membros do Partido (dos Trabalhadores), os militares e o povo devem seguir fielmente a autoridade do camarada Kim Jong-Un e proteger e reforçar a frente unida do partido, do Exército e da cidadania", afirma uma nota da KCNA.

* Com informações das agências internacionais.