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Gaddafi deu trajes para garotas usarem em festa, diz Berlusconi; fantasia de Ronaldinho Gaúcho era parte de concurso "burlesco"

Em foto de 2004, o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi (dir.) é cumprimentado pelo então ditador líbio Muammar Gaddafi, que foi morto em outubro de 2011 por rebeldes - Reuters
Em foto de 2004, o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi (dir.) é cumprimentado pelo então ditador líbio Muammar Gaddafi, que foi morto em outubro de 2011 por rebeldes Imagem: Reuters

Do UOL, em São Paulo

20/04/2012 16h45Atualizada em 20/04/2012 16h50

O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi afirmou nesta sexta-feira (20) que as fantasias que algumas mulheres utilizaram em suas festas privadas faziam parte de um concurso 'burlesco'. Berlusconi fez a afirmação durante uma pausa na audiência do julgamento do caso Ruby, no qual o ex-premiê italiano é acusado de abusar sexualmente de uma menor de idade.

As perguntas feitas pelos jornalistas faziam referências às declarações da modelo Imane Fadil, que chegou a afirmar que as mulheres se fantasiavam de freiras e de Ronaldinho Gaúcho nestas festas.

Berlusconi disse que os trajes e fantasias usados nos eventos foram doados pelo ex-ditador líbio Muammar Gaddafi --que teria mostrado ao ex-premiê como funcionavam as famosas festas 'bunga-bunga'. Berlusconi contou que recebeu de Gaddafi ao menos 60 trajes típicos, após ter contado ao ex-ditador líbio que apreciava as roupas usadas em seu país.

"Sem dizer nada, ele fez [as roupas] chegarem em um contêiner. São pretas, longas, com joias aplicadas", explicou o ex-premiê, ao deixar o Tribunal em Milão. 

Berlusconi alegou que os trajes eram usados em "jantares elegantes". Mas, após a refeição, ele e seus convidados se transferiam para uma sala para acompanhar um "concurso burlesco", realizado em um "ambiente casual, sereno e simpático". "Vocês sabem que as mulheres costumam ser exibicionistas por natureza", disse Berlusconi à imprensa.

Ao ser perguntado se ele fazia parte do jurado desses concursos, o político conservador assinalou que "não", afirmando que se limitava "em contemplar com muito interesse". "Me divertia muito", completou o ex-premiê.

O ex-primeiro-ministro também falou sobre o suposto pagamento dessas mulheres implicadas no caso, como a ex-conselheira regional de Lombardi (em Milão) Nicole Minetti.

Berlusconi também confirmou que ajuda as mulheres envolvidas no processo porque "elas tiveram suas vidas arruinadas, já que perderam seus trabalhos, maridos e, provavelmente, não terão eles de volta nunca mais".

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"Me sinto responsável. O único erro delas foram aceitar um convite para jantar na casa do primeiro-ministro. A vida de 30 meninas foi arruinada e isso é algo escandaloso", acrescentou.

Para Berlusconi, o processo do caso Ruby "é uma operação midiática de difamação" dirigida contra ele. "Vim aqui ver esta encenação, uma grande operação midiática de difamação", afirmou. Ele ainda acrescentou que "é um escândalo" o uso do dinheiro público para "este processo inútil".

Segundo os investigadores, com base em algumas transações assinaladas pelo Banco da Itália, Berlusconi também se encarregou de assumir o custo, embora não de forma direta, dos advogados de Minetti, que também enfrenta um processo paralelo por recrutar supostamente as meninas para essas festas privadas.

Além disso, os investigadores também desconfiam que Berlusconi esteja por trás do pagamento de 72 mil euros às gêmeas Eleonora e Imma De Vivo, duas frequentadoras assíduas dessas festas.

Berlusconi chegou pouco antes das 9h30 (horário local) ao Palácio de Justiça de Milão (norte da Itália) para assistir a audiência. Entre as testemunhas convocadas para essa sessão figurava o policial Piero Ostuni, que na noite do dia 27 de maio de 2010 teria recebido a ligação do então primeiro-ministro para pedir a libertação da jovem marroquina Karima El Marough, mais conhecida como Ruby, que tinha sido presa por um roubo.

Essa chamada, segundo a Promotoria, constitui um crime de abuso de poder, já que Berlusconi teria pressionado o funcionário em sua condição de chefe do governo para liberar a jovem.

No entanto, a defesa de Berlusconi alega que Berlusconi efetuou essa ligação para evitar um conflito diplomático com o Egito, já que o mesmo pensava que Ruby era sobrinha do então presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Os juízes ainda sustentam que Berlusconi manteve relações sexuais com pagamento em 13 ocasiões com Ruby entre fevereiro e maio de 2010, quando a jovem tinha 17 anos.

(Com agências Ansa e EFE)

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