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Lugo e ex-ministros montam gabinete de governo "paralelo" e reúnem-se hoje

Guilherme Balza

Do UOL, em Assunción

25/06/2012 05h00

O ex-presidente deposto do Paraguai Fernando Lugo se reúne nesta segunda-feira (25), a partir de 6h, com ex-ministros que integravam seu governo em uma espécie de “gabinete paralelo”. A reunião será na sede do Partido País Solidário (PPS), que integra a Frente Guasú –organização que reúne siglas e movimentos que apoiam do ex-ministro.

Segundo Ricardo Canese, presidente da Frente, a reunião terá caráter deliberativo e tratará de questões do âmbito do governo paraguaio. “Só existe um presidente no Paraguai, e ele chama-se Fernando Lugo. O nosso gabinete de governo é constitucional”, afirmou.

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  • http://noticias.uol.com.br/enquetes/2012/06/25/voce-concorda-com-o-processo-de-impeachment-no-paraguai.js

O senador Carlos Filizolla, um dos quatro que foram contra a destituição de Lugo, afirmou que a Corte Suprema paraguaia e a Corte Interamericana dos Direitos Humanos serão acionadas para que o ex-mandatário volte ao poder. "Nosso objetivo é restaurar a ordem democrática. E isso significa Lugo voltar à presidência."

Às 17h, será a vez da Frente em Defesa da Democracia, composta pela Frente Guasú, outras legendas e organizações de esquerda, além de setores dos partidos Liberal Radical Autêntico --sigla de Franco-- e Colorado --ambos defenderam a deposição de Lugo.

Após deixar a presidência, Lugo afirmou que, embora não concordasse com sua deposição, aceitaria o novo governo. Nos últimos dias, entretanto, o ex-mandatário endureceu a postura contra seus opositores e passou a não mais reconhecer o governo de Federico Franco.

A criação do gabinete paralelo ocorre em um momento no qual as pressões externas ao Paraguai se intensificam. Argentina, Equador e Venezuela retiraram seus embaixadores do país; Brasil, Uruguai, Chile e Colômbia convocaram os seus representantes no Paraguai para consultas.


Vários outros países da América Latina, inclusive a vizinha Bolívia, não reconhecem o governo de Franco. Nesse domingo (24), Hugo Chávez, presidente venezuelano, suspendeu as provisões de petróleo ao Paraguai.

O Mercosul decidiu suspender o Paraguai da próxima cúpula, a se realizar a partir de quarta-feira (27) em Mendoza, na Argentina. Lugo, por sua vez, afirmou que irá ao encontro. A Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que se reúne na semana que vem no Peru, também suspendeu o Paraguai.

Preocupado com o isolamento, Franco afirmou que iria procurar Lugo para obter ajuda no diálogo com os países vizinhos, mas o ex-bispo disse que não atenderá o pedido. “É um governo falso. Os cidadãos não aceitam um governo que rasgou a institucionalidade da República. Não se pode colaborar com um governo que não tem legitimidade dos cidadãos”, afirmou.

Veja as cinco acusações que levaram ao impeachment de Lugo

Mau uso de quartéis militaresA primeira acusação é o ato político ocorrido, com a autorização do Lugo, no Comando de Engenharia das Forças Armadas em 2009. Grupos políticos da esquerda se reuniram no local, usaram bandeiras e cantaram hinos ideológicos. Segundo o deputado José López Chávez, no ato, as Forças Armadas foram humilhadas, além de terem sido hasteadas outras bandeiras, num desrespeito a um símbolo nacional.
Confronto em CuruguatyNum dos piores incidentes sobre a disputa de terras no Paraguai, Lugo mandou 150 soldados do Exército para desocupar uma propriedade rural numa área de fronteira com o Brasil. No confronto com agricultores, ocorrido na última sexta-feira (15), ao menos 17 pessoas morreram. Das vítimas, sete eram policiais.
ÑacundayOutro ponto está relacionado às invasões de terras na região de Ñacunday, distrito localizado no departamento (equivalente a Estado) do Alto Paraná, a 95 quilômetros da fronteira do Brasil com o Paraguai. O deputado Jorge Avalos Marín acusa Lugo de gerar instabilidade entre os camponeses na área ao incentivar os próprios “carperos”, como são chamados os que acampa sob lonas pretas, as ditas “carpas”, encarregados da demarcação de terras.
InsegurançaOs parlamentares acusaram ainda o presidente Lugo de não ter sido eficaz na redução da insegurança que assola o país, embora o Congresso Nacional tivesse aprovado mais recursos financeiros. Além disso, eles criticam os gastos com a procura por foragidos do grupo criminoso EPP (Exército do Povo Paraguaio). Segundo o deputado, nunca na história o EPP (Ejercito del Pueblo Paraguayo), o braço armado do Partido de Izquierda Patria Libre, fez tantas vítimas entre integrantes da Polícia Nacional. Apesar disso, a conduta do presidente teria permanecido inalterada, o que teria dado mais poder ao grupo.
Protocolo de Ushuaia 2A assinatura do polêmico documento Protocolo de Usuaia 2 é visto como um atentado contra a soberania da República. Segundo a acusação dos parlamentares, o presidente não foi transparente sobre a assinatura desse documento já que até a presente data não havia encaminhado uma cópia do Congresso. A oposição a Lugo afirma que a assinatura do protocolo poderia resultar no corte do fornecimento de energia ao Paraguai, além de atentar contra a população e ter um claro perfil autoritário. Eles alegam ainda que Lugo tentou incluir medidas para fechar as fronteiras.

 

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