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Venezuelanos esperam mais de 4 horas em fila para ver Chávez pela última vez

Carlos Iavelberg

Do UOL, em Caracas (Venezuela)

07/03/2013 06h00

Milhares de venezuelanos continuaram a se dirigir ao longo da madrugada desta quinta-feira (7) para ver o corpo do presidente Hugo Chávez, que está sendo velado no Salão de Honra da Academia Militar de Caracas.

Por volta das 23h de quarta-feira (6) (0h30 de quinta no horário de Brasília), as pessoas que tinham acabado de ver o corpo do falecido “comandante” disseram ter esperado cerca de quatro horas na longa fila. Os próximos, provavelmente, demorariam ainda mais.

“Não importa o tempo [de espera]. Se fosse necessário, ficaria 20 mil horas na fila”, disse o autônomo José Luís Paredes, 45, que estava acompanhado da mulher e dos dois filhos, de 6 e 10 anos. “Eles [os filhos] vieram porque quiseram”, deixa claro.

Para Paredes, Chávez “refundou a pátria”. “Quando eu tinha a idade dos meus filhos, fazia uma refeição por dia. Agora, eles têm condições de estudar”.

A reportagem do UOL percorreu a fila por mais de um quilômetro, mas não conseguiu ver o final dela. Segundo a imprensa venezuelana, eram mais de três quilômetros.

Antes de ser velado, o corpo de Chávez foi levado por um cortejo fúnebre pelas ruas de Caracas ao longo da tarde.

A promotora-social Esther Bastidas, 50, percorreu metade dos mais de seis quilômetros do cortejo a pé. Depois, foi de metrô até a Academia Militar.

Cansada, ela sentou na grama para juntar energias e encarar a fila. “Acho que ficarei umas quatro horas pelo menos”. Eram 22h em Caracas, e ela estava nas ruas desde as 7h. Se não conseguisse aguentar madrugada adentro, Bastidas disse que voltaria no dia seguinte.

“Temos de apoiar a revolução e Nicolás Maduro [vice que assumiu a Presidência interinamente]”, declarou.

Chorando, a venezuelana Lara Chivino exaltava “toda essa gente que está em pé esperando para ver o corpo de Chávez”. “Queremos dar o último adeus fisicamente, porque espiritualmente ele está conosco”, disse.

Apesar da lei seca imposta pelo governo, alguns venezuelanos consumiam aguardente perto de policiais sem serem repreendidos.

A maioria dos que foram se despedir do líder bolivariano vestia camisetas vermelhas com o rosto de Chávez ou com alguma mensagem de apoio.
Enquanto a noite de temperatura agradável virava madrugada, mais chavistas chegavam para engordar a fila aos gritos: “Chávez vivi, la lucha sigue”.

Homenagens

O corpo do presidente será velado por três dias na Academia Militar. O enterro deverá ocorrer na sexta-feira (8), mas o governo não divulgou ainda o local do sepultamento.

As homenagens a Chávez começaram durante a manhã desta quarta-feira (6) com 21 tiros de canhão disparados em todas as unidades militares da Venezuela.

Ele disse ainda que canhões serão disparados a cada hora em todo o país até o dia do enterro de Hugo Chávez.

O chanceler da Venezuela, Elías Jaua, explicou, em pronunciamento transmitido pela TV, que a academia foi o local escolhido para a despedida por ser "o berço da revolução bolivariana" e "o lugar onde nasceu o presidente Chávez", como o próprio chefe de Estado manifestara.

Morte

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, morreu aos 58 anos nesta terça-feira (5), vítima de um câncer na região pélvica, com o qual convivia há um ano e meio.

Desde que sua enfermidade foi diagnosticada, em junho de 2011, Chávez passava longos períodos em Cuba, onde tratava a doença.

O anúncio oficial da morte de Chávez foi feito por volta das 17h25 no horário local (18h55 no horário de Brasília) pelo vice-presidente venezuelano Nicolás Maduro. No mesmo pronunciamento, Maduro confirmou que Chávez morreu às 16h25 (17h55h no horário de Brasília). (Com agências internacionais)

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