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Governo usa politicamente a morte de Chávez, diz opositor venezuelano

Carlos Iavelberg

Do UOL, em Caracas

08/03/2013 21h01

O líder da oposição venezuelana e provável candidato à presidente, Henrique Capriles, rompeu com o silêncio que durava desde a morte do presidente Hugo Chávez nesta sexta-feira (8).

Em entrevista coletiva, Capriles, que é governador do Estado de Miranda, disse que o governo venezuelano usou politicamente a morte de Chávez. “Não vamos permitir que a dor que genuinamente sente o povo seja um desculpa para o abuso de poder”, declarou.

O opositor classificou como “fraude” a sentença do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) de permitir que Maduro concorra às eleições sem deixar o cargo de presidente interino.

“Hoje, enquanto o país está de luto, enquanto era ponto facultativo (...) o Tribunal Supremo dá uma sentença, e acredito que é importante que o mundo conheça estes abusos.”

“[Maduro], você não foi eleito presidente, o povo não votou em você”, afirmou Capriles, que também atacou o Supremo: “Os senhores não são o povo, vocês não decidem quem é o presidente. É incrível que vocês nomeiem um presidente. Qual é o medo? Qual é o medo, Nicolás”.

Dominado por chavistas, o Supremo tem dado sentenças favoráveis a Maduro desde que Chávez não teve condições de assumir um novo mandato no começo do ano.

Capriles, que perdeu as últimas eleições para Chávez, em outubro do ano passado, disse que a Venezuela vive um momento triste. “A partida de qualquer ser humano é uma dor.”

O opositor também contou sobre a última vez que falou com Chávez, em outubro do ano passado. “Ontem à noite estava lembrando a conversa e me vinha à mente as palavras de um lado e do outro: 'não permitiremos que os radicais governem este país'. Disse ao presidente 'acalme seus radicais e respeite quem votou em mim. Não quero um país dividido'".

Posse

Maduro toma posse nesta sexta-feira (8) como presidente interino da Venezuela, em cerimônia realizada pela Assembleia Nacional. Os magistrados do TSJ decidiram que ele não está obrigado a se afastar do cargo durante o processo eleitoral, mesmo que seja candidato. Antes de sua última viagem a Cuba para se tratar do câncer que o vitimou, o presidente Hugo Chávez pediu aos venezuelanos que elegessem Maduro se ele não sobrevivesse à doença.

A decisão do tribunal foi emitida após a avaliação da ação movida por um cidadão comum, o advogado Ottoniel Pautt Andrade.

A Constituição da Venezuela afirma que, em caso de "falta absoluta" do presidente antes da cerimônia de posse, deve assumir o presidente da Assembleia Nacional, que deverá convocar novas eleições em 30 dias. O atual presidente do Legislativo da Venezuela é o chavista Diosdado Cabello.

Os chavistas, no entanto, têm se apoiado no princípio da "continuidade administrativa" evocado pela decisão do TSJ que havia autorizado Chávez a tomar posse formalmente após o dia 10 de janeiro, data fixada na Constituição venezuelana. Segundo esta primeira decisão do TSJ, o novo mandato de Chávez teve início automaticamente em 10 de janeiro, mesmo sem o seu comparecimento à cerimônia de posse.

Os deputados da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) decidiram não assistir a posse de Nicolás Maduro como presidente interino. Os deputados alegam que a cerimônia se trata de "um ato eleitoral" e "uma violação da Constituição".

"Ao mundo e à Venezuela queremos dizer firmemente que hoje não assistiremos a sessão da Assembleia Nacional porque consideramos que é um ato eleitoral a mais, porque consideramos que é uma violação da lei constitucional venezuelana", afirmou o parlamentar Ángel Medina, em coletiva de imprensa na sede da MUD.

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