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Mujica diz que "nada nem ninguém" poderá separar Uruguai da Argentina

Do UOL, em São Paulo

05/04/2013 12h02

O presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou nesta sexta-feira (5) que "nada nem ninguém" poderá separar seu país da Argentina, após ter feito nesta quinta-feira (4) comentários ofensivos, captados sem que ele soubesse, em relação à presidente argentina Cristina Kirchner, e ao seu marido, o já falecido Néstor Kirchner. No entanto, em nenhum momento pediu desculpas a mandatária argentina.

"Apesar da história ter nos separado, nada nem ninguém pode apagar nossa história", disse o presidente em sua transmissão semanal na emissora de rádio "M24".

O uruguaio disse que seu país e a Argentina "nasceram da mesma placenta", mas reconheceu que suas declarações "nos separou e nos uniu na dor". Ele evitou, no entanto, referir-se explicitamente ao seu comentário sobre Cristina Kirchner.

"Pertencemos ao grupo destes povos e temos que andar bem com toda a humanidade, mas em primeiro lugar com os povos que nasceram na primeira matriz e nada nem ninguém poderá nos separar, definitivamente", concluiu o presidente uruguaio.

Mujica também comentou, entre risos, o presente que Cristina deu ao papa Francisco durante um encontro realizado após sua nomeação. "A um papa argentino que viveu 77 anos foi explicar o que é um mapa... digo, um mate, uma garrafa térmica", satirizou.

 

Ontem, a imprensa uruguaia publicou uma frase que Mujica disse em uma entrevista coletiva quando pensava que o microfone estava desligado: "esta velha é pior do que o caolho. Ele era mais política, ela é mais teimosa". (referência a Cristina e seu marido, Néstor Kirchner).

A chancelaria argentina lamentou "profundamente" o episódio. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman, entregou na quinta-feira uma carta ao embaixador do Uruguai em Buenos Aires, Guillermo Pomi, em que são considerados "inaceitáveis" e "degradantes" os comentários sobre Kirchner.

“Assunto encerrado”, diz primeira-dama uruguaia

A senadora uruguaia Lucía Topolanksy, mulher do presidente José Mujica, disse nesta sexta-feira que para eles está encerrado o incidente com a Argentina.

"Para nós o assunto acabou aqui", disse rapidamente Lucía à emissora de rádio "El Espectador", depois que da divulgação do posicionamento da chancelaria argentina.

José Mujica comete gafe e chama Kirchner de velha

Vários veículos de imprensa do Uruguai publicaram em suas edições de internet de ontem uma gravação de voz com muitas interferências e fora do microfone de uma entrevista coletiva de Mujica transmitida pelo site da Presidência na qual se escuta, embora muito mal, uma pessoa dizendo "essa velha é pior que o zarolho".

A entrevista coletiva aconteceu em Sarandí Grande, no departamento da Florida (Uruguai), e os veículos de imprensa uruguaios disseram que o chefe de Estado lhe disse isso ao intendente dessa região, Carlos Enciso, que paradoxalmente é opositor.

Minutos depois, Mujica negou em declarações exclusivas ao jornal "A República" "dar bola" para os veículos que lhe atribuem a frase.

Além de Lucía, por enquanto apenas outro membro do governo se pronunciou sobre o assunto, o presidente da companhia petrolífera estatal Ancap, Raúl Sendic, que nesta manhã admitiu à emissora de rádio "Universal" que o incidente pode ter consequências.

"A única coisa que isso envolve é que vamos remar mais", disse Sendic, da governista Frente Ampla e filho do fundador da guerrilha tupamaro, na qual Mujica militou no passado.

"Vamos ver se essa reação do lado argentino dá em algo", acrescentou o diretor. (Com agências internacionais)

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