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Internacional

Eleitores levantam cedo para votar na Venezuela e já enfrentam filas

Thiago Varella

Do UOL, em Caracas

14/04/2013 09h00

A eleição presidencial na Venezuela começou cedo. Às 6h da manhã (7h30 pelo horário de Brasília) deste domingo (14), os centros de votação começaram a abrir em todo o país.

UOL NA VENEZUELA

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Segundo a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, por volta das 6h30, 60% dos locais de votação estavam abertos, número, segundo ela, esperado para o horário.

Muita gente atendeu ao pedido dos candidatos que polarizam a disputa --o herdeiro nomeado do chavismo e presidente em exercício Nicolás Maduro e o oposicionista Henrique Capriles Radonski-- e saíram cedo para ir votar. Desde antes das 6h, os principais canais de TV já mostravam a formação de filas em diversos centros de votação pela Venezuela.

“Cheguei à fila às 3h da manhã. Vim cumprir minha obrigação com o país. A Venezuela é o país mais democrático do mundo”, afirmou o eleitor Hipólito Suárez, ao canal Globovisión, em frente ao colégio 7 Estrellas, no bairro El Recreo, em Caracas.

O ministro de Defesa da Venezuela, Diego Molero, também votou cedo. Por volta das 6h15, horário local, ele já havia votado.

Molero afirmou que o clima pelo país era de muita tranquilidade e também pediu aos eleitores que fossem cedo votar. "Estou contente e feliz em exercer meu direito ao voto. Desde as 3h, estou percorrendo vários locais de Caracas e posso garantir que o clima é de muita calma e tranquilidade. Aproveito e peço a todos que votem cedo. Quando mais cedo, melhor”, disse.

Metrô aberto

Neste domingo, o metrô de Caracas está funcionando de maneira gratuita para que todos os eleitores possam votar. Na televisão, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, lembrou que é proibido levar câmeras e celulares aos locais de votação.

Disse também, que após o voto, o eleitor deve deixar o lugar onde votou, já que estão proibidas aglomerações em um raio de 200 metros do local de votação.

Por fim, disse que o voto assistido, prática comum no passado na Venezuela, também está proibido, exceto para deficientes e idosos que necessitem de ajuda.

A eleição

Neste domingo (14) , pela primeira vez desde 1999, os venezuelanos não terão como votar em Hugo Chávez em uma eleição presidencial. No entanto, pouco mais de um mês após sua morte, o ex-presidente ainda rege o humor dos eleitores.

A mais curta campanha presidencial da história da Venezuela foi marcada pela insistência do candidato da situação de grudar sua imagem na do ex-presidente e pela tentativa de seu adversário de deixar claro que Maduro não é Chávez.

MARADONA E MADURO HOMENAGEIAM HUGO CHÁVEZ (EM CASTELHANO)

Maduro adotou o estilo folclórico de seu guru político. Em comícios, o governista carrega crianças em seus braços, conta piadas, anuncia os planos do governo, ataca a oposição e narra histórias, adotando o estilo de seu mentor diante das multidões chavistas.

O presidente em exercício chegou a dizer que Chávez o acompanhava na forma de um pássaro e passou a assobiar durante seus discursos. Maduro chegou até a usar um chapéu com um ninho de passarinho no topo da cabeça.

No último ato de sua campanha, na quinta-feira (11), o candidato conseguiu lotar o centro de Caracas com seus simpatizantes. O evento foi marcado pelo sentimentalismo e Maduro contou com uma presença muito popular entre os simpatizantes de Chávez: o ex-jogador de futebol argentino Diego Armando Maradona, amigo do ex-presidente.

CAPRILES DIZ NA TV QUE MODELO DE LULA É O IDEAL (EM CASTELHANO)

Além disso, durante seu discurso, abusou dos vídeos de Chávez, das canções pegajosas, e voltou a imitar um passarinho.

Capriles, por sua vez, se esforçou para conseguir o equilíbrio em uma posição difícil: apesar de se apresentar como o candidato da oposição, não pode correr o risco de se declarar contra Chávez sob pena de não ter sequer a chance de conquistar votos entre simpatizantes do ex-presidente.  

Porém, não pode correr o risco parecer pouco contundente nas críticas e afastar o voto dos oposicionistas mais empedernidos, que cobram uma postura clara contra Chávez e seu legado.

Isso faz com que Capriles tome atitudes que podem ser interpretadas como "morde e assopra": não defende abertamente o chavismo, mas repete a todo tempo que "Maduro não é Chávez"; diz que o modelo que Lula criou para o Brasil é o ideal para a Venezuela, mas se apressa em dizer que não tem admiração pessoal por Lula, que sempre foi próximo, pessoal e politicamente, de Chávez, e apoia abertamente a candidatura de Maduro.

Acusações

No meio dessa disputa, foram diversas as acusações conspiratórias. O governo chavista assegurou que está atrás de um grupo de mercenários que querem desestabilizar o país e inclusive planejam matar Maduro.

O governo chegou a prender supostos paramilitares colombianos, na quinta-feira, sob acusação de que eles estariam planejando assassinar vários chavistas.

A oposição ridicularizou a denúncia e acusou o governo de abuso de poder durante toda a campanha. Segundo Capriles, houve mais de cem denúncias de abuso de Maduro, todas engavetadas pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral, o equivalente ao TSE na Venezuela).

Há também no país a ameaça de que o candidato perdedor não aceite a vitória do adversário. O governo preparou um documento, referendado pelo CNE, em que pedia para os dois candidatos garantirem que aceitarão o resultado das urnas.

Raio-X da Venezuela

  • Arte/UOL

    Nome oficial: República Bolivariana da Venezuela

    Capital: Caracas

    Localização: América do Sul

    Superfície: 916.445 Km2

    População: 28.459.085

    Moeda: Bolívar

    Idioma oficial: Espanhol

    PIB: US$ 13.200

    Religião: Católica (96%), Protestante (2%), outra (2%)

    Governo: Presidencialista

    Principais atividades econômicas: Indústria petrolífera, agricultura, pesca, pecuária e mineração

Maduro assinou o documento, mas Capriles se negou e, no lugar, escreveu um texto em que dizia ter respeito pela “vontade soberana” da população, mas deixava claro que se manteria vigilante diante de “qualquer violação” de resultados.

Foram poucas as vezes, durante a campanha, em que os candidatos de fato discutiram propostas. Capriles até tentou organizar um debate com Maduro na televisão, mas o candidato governista acabou se esquivando e não aceitou a proposta.

Pesquisas mostram Maduro à frente, mas com vantagem menor

O candidato governista Nicolás Maduro continua aparecendo como favorito na corrida para a eleição presidencial da Venezuela, mas sua vantagem foi reduzida nos últimos dias da campanha.

As preferências por Maduro caíram 9,3 pontos percentuais entre 4 e 11 de abril, enquanto Capriles subiu 1,6 ponto, de acordo com um estudo divulgado por dois dos clientes da Datanalisis fora do país, antes da proibição da Venezuela para divulgar novas pesquisas em território nacional, que valeu durante a última semana de campanha.

O herdeiro político do falecido Hugo Chávez tem intenção de voto de 44,4%, contra 37,2% de Capriles. A vitória se dá por maioria simples. Isso coloca os competidores, a uma distância de 7,2 pontos percentuais. Capriles perdeu por 11 pontos na eleição de outubro contra Chávez. (Com agências internacionais)

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