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"Nós vamos encontrá-lo e fazer justiça", diz Obama durante homenagem às vítimas de Boston

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursa durante ato ecumênico em Boston - Charles Krupa/AP
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursa durante ato ecumênico em Boston Imagem: Charles Krupa/AP

Fábio Luís de Paula

Do UOL, em São Paulo

18/04/2013 13h14Atualizada em 18/04/2013 17h53

"Sim, nós vamos encontrá-lo e vamos fazer justiça! Nós vamos terminar a corrida! Não podemos deixar algo como isso nos parar. Isso não pode nos parar. É isso que vocês nos ensinaram, Boston", disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nesta quinta-feira (18) em Boston, durante ato ecumênico em memória das vítimas do atentado ocorrido durante a maratona da cidade na última segunda-feira (15).

O evento foi realizado na Catedral da Santa Cruz de Boston, na presença de 2.000 pessoas que fizeram fila desde muito cedo para acompanhar a cerimônia, entre elas autoridades estatais e locais.

"Uma celebração se tornou uma tragédia. Nós viemos hoje juntos para fazer uma homenagem, mas também para reafirmar que a essência dessa cidade e desse país vai permanecer unida e imbatível. Eu fui recebido aqui como um estudante de outro lugar. Fui bem recebido, assim como Michelle [Obama, a primeira-dama]. Nós andamos nessas ruas, conhecemos essa vizinhança e podemos dizer: 'Boston você é minha casa'. Para milhões de nós, o que aconteceu na segunda-feira foi algo pessoal", continuou.

"Se eles tentaram nos intimidar, nos aterrorizar, abalar os nossos valores... que nos definem como americanos, deve ficar bastante claro agora que eles escolheram a cidade errada para fazer isso. Não aqui em Boston", disse Obama na cerimônia.

O presidente agradeceu às lideranças, à coragem do prefeito e à do governador. "Cada um no país está tocado pela tragédia, nessa amada cidade. Boston pode não ser sua cidade natal, mas é uma das cidades icônicas da América e uma das maiores cidades do mundo. Por isso que Boston abre suas portas ao mundo, para grandes gerações e imigrantes", discursou.

Personagens da tragédia

  • Reprodução/The Boston Globe

    Irmãos que assistiam à Maratona de Boston perdem uma perna cada um

  • Reprodução/Facebook

    Estudante chinesa morta na Maratona de Boston é identificada

  • Reprodução/Boston Globe

    Criança de 8 anos morta em ataque esperava o pai na chegada da maratona

  • Charles Krupa/AP

    Homem que tentou suicídio após filho morrer no Iraque vira herói

  • Reprodução/Facebook

    Mulher de 29 anos é a segunda vítima fatal da Maratona de Boston

  • Arquivo pessoal

    "Não sabíamos para onde era seguro ir", diz brasileira em Boston

  • Arquivo pessoal

    Passei pela chegada 1 min antes da explosão, diz brasileira em Boston

  • Reprodução

    Brasileiro que olhava maratona é salvo da explosão em Boston por minutos

"Se esse ato nos intimida, nos deixa abalados e com medo, então deve ser eliminado. Boston nos mostrou que a América escolhe a compaixão em vez do mal. Nós vamos escolher salvar e confortar. E aqui nós escolhemos amizade e amor. Esse espírito é que nos ensina que o poder do amor não nos desaponta. Médicos, enfermeiras e bombeiros correram pelas explosões para ajudar os feridos... Esse é o real poder! Vítimas em seus braços, doadores de sangue ajudando estranhos... Isso é amor. Essa é a mensagem que enviamos àqueles que fizeram esse ato e a qualquer um que querem, machucar nosso povo", concluiu Obama.

Antes dele, líderes religiosos e da cidade discursaram. Um deles foi o prefeito de Boston, Thomas Michael Menino, que estava bastante emocionado: "Eu nunca amei mais esse povo do que eu faço hoje. Eu amo a bravura com que lutamos contra essa explosão", disse.

"Esta é a força com que a nossa cidade trabalha, nossas preces e desejos. Nada vai derrotar nossa cidade, pois nós cuidamos uns dos outros!", concluiu.

"Sou muito grato pelos bombeiros, médicos, cirurgiões que continuaram a maratona aos hospitais para ajudar às vítimas", disse o governador de Massachusetts, Deval Patrick, enquanto agradecia a políticos, forças de segurança e todos os envolvidos na amenização dos impactos do atentado.

"Massachusetts inventou a América e a América é organizada como um país com ideais iguais, oportunidade, liberdade, e jogo limpo, e não podemos permitir que escuridão e ódio ameacem nossa civilidade. Nós vamos nos recuperar e ressurgir e suportar o medo", disse Patrick, que foi bastante aplaudido.

Segurança reforçada

Obama chegou a Boston por volta das 11h20, horário de Brasília, acompanhado de Michelle. O presidente já chamou a tragédia de "ato de terror".

A catedral abriu as portas a partir das 8h do horário local, quando entradas foram distribuídas. Não foi permitido entrar com mochilas, objetos pontiagudos ou líquidos. O acesso ao templo foi feito pelas ruas Washington e Monsenhor Reynolds.

O governador Patrick e prefeito Menino convidaram a população para o evento intitulado “Curando a nossa cidade: um serviço inter-religioso”.

Polícia identifica dois suspeitos

A polícia identificou dois suspeitos pelos atentados na maratona. Segundo autoridades, os dois carregavam sacos pretos em cada um dos locais onde aconteceram explosões. Imagens devem ser divulgadas ainda hoje para que o público ajude a encontrar a dupla, que teria sido identificada a partir de câmeras de segurança.

Familiares e amigos lembram vítimas de Boston

Ontem (17), a imprensa americana chegou a noticiar que um suspeito havia sido detido, porém, minutos mais tarde, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a polícia de Boston e o FBI negaram que qualquer pessoa estivesse sob custódia. Ainda não está claro se ele agiu sozinho ou se pertence a algum grupo nacional ou internacional.

As imagens obtidas pela polícia deste suspeito mostram uma pessoa carregando uma mochila preta na rua onde as duas bombas explodiram, mas o vídeo ainda não foi disponibilizado.

Tal identificação é a primeira grande revelação divulgada publicamente sobre a investigação. Investigadores recolheram milhares de evidências, que vão de fotos tiradas de telefones celulares na hora da explosão a pedaços de estilhaços retirados das pernas das vítimas.

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