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'Construímos um sistema eleitoral quase perfeito', diz Maduro em visita ao Brasil

Roberto Stuckert Filho/PR
Presidente Dilma Rousseff recebe quadro com imagem do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez das mãos do atual ocupante do cargo, Nicolás Maduro Imagem: Roberto Stuckert Filho/PR

Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

2013-05-09T19:42:09

09/05/2013 19h42

Em sua primeira visita oficial ao Brasil, o recém-eleito presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reiterou nesta quinta-feira (9) o caráter democrático e a correição do pleito que o elegeu no mês passado, dizendo que o seu país tem “um sistema eleitoral quase perfeito”. 

“O Brasil tem que saber que, em 14 anos, fizemos 18 eleições, sendo cinco referendos consultivos e, nessas eleições, construímos um sistema eleitoral quase perfeito”, afirmou.
 
Ele ressaltou que, no mesmo dia da eleição, em 14 de abril, 54% das urnas passaram por auditoria e que os resultados apontaram 99,98% de precisão. Afirmou que os restantes 46% passam agora por auditoria.
 
Recebido com honras militares, Maduro subiu a rampa do Palácio do Planalto, em Brasília, e foi recepcionado pela presidente Dilma Rousseff e por diversos ministros, entre eles Antonio Patriota (Relações Exteriores), Celso Amorim (Defesa), Gleisi Hoffman (Casa Civil) e Edison Lobão (Minas e Energia), além da presidente da Petrobras, Graça Foster.
 
Em frente ao palácio, alguns manifestantes o aguardavam segurando placas em protesto a sua eleição, contestada pelo candidato adversário Henrique Capriles. Também havia integrantes de movimentos sociais com bandeiras do MST.
 
Após o encontro com a presidente, Maduro disse ainda que, no passado, o Brasil era visto como o “país do futebol, da caipirinha e do samba”.
 
Ele agradeceu o apoio do Brasil e lembrou a morte do ex-presidente Hugo Chávez, em março, acrescentando que se passaram dois meses de dor.
 
O programa oficial de sua visita ao Brasil incluiu apenas um encontro com Dilma, mas Maduro também se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje à noite, Maduro deverá participar de um encontro com estudantes e representantes de movimentos sociais na UnB (Universidade de Brasília).
 
 
Ressaltou que é o primeiro presidente operário da Venezuela e disse que Lula  lhe “deu um banho de sabedoria, dando conselhos”.  “Nós vemos o Lula como um pai dos homens e das mulheres da esquerda progressista”, disse Maduro.
 
Em seu discurso, ao falar sobre o Mercosul, Dilma reafirmou a capacidade dos dois países de resolver os próprios problemas e da importância de tocar o bloco econômico “sem espírito de confrontação, sem pretensões hegemônicas e sem ingerência externa”.
 
“Nossos países estão mostrando essa vocação para criar um futuro comum, que una toda a nossa região, que contribua para um mundo multipolar e multilateral, sem espírito de confrontação, sem pretensões hegemônicas e sem ingerência externa”, disse.
 
No encontro, foram assinados acordos para a construção de duas fábricas na Venezuela por uma empresa brasileira, uma de produção de ureia, usada na fertilização, e outra de coque, produto derivado do petróleo.
 
Em seu discurso, a presidente ressaltou que o comércio com a Venezuela alcançou a marca histórica de US$ 6 bilhões em 2012.
 
O venezuelano começou ontem um giro internacional pelo Uruguai e pela Argentina. O Brasil é a última etapa da sua primeira viagem internacional. 
 
A visita de Maduro é considerada praxe entre líderes recém-eleitos, que costumam viajar logo em seguida a países que consideram mais próximos. Maduro foi eleito no dia 14 de abril e tomou posse cinco dias depois.
 
No entanto, a viagem dele serve também para angariar apoio político e negociar detalhes do ingresso da Venezuela no bloco econômico do Mercosul.