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Após falar com líder do Irã sobre programa nuclear, Obama diz que acordo é possível

Barack Obama conversa com o presidente iraniano Hassan Rowhani no salão oval da Casa Branca. O telefonema marca uma aproximação histórica entre os países - Pete House/Casa Branca
Barack Obama conversa com o presidente iraniano Hassan Rowhani no salão oval da Casa Branca. O telefonema marca uma aproximação histórica entre os países Imagem: Pete House/Casa Branca

Do UOL, em São Paulo

27/09/2013 17h25

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse, em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (25), que conversou por telefone com o presidente do Irã, Hasan Rowhani, sobre o programa nuclear de Teerã. O telefonema histórico é consequência de várias semanas de aproximação e marca o primeiro contato entre líderes dos dois países desde a revolução iraniana de 1979.

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"Conversamos sobre os esforços em curso para alcançar um acordo sobre o programa nuclear iraniano. Reiterei ao presidente Rowhani o que disse em Nova York: seguramente haverá grandes obstáculos a ultrapassar e o êxito não é garantido, mas acredito que podemos chegar a uma solução", disse Obama.

"Só o fato de ser o primeiro contato entre um presidente americano e um iraniano desde 1979 mostra a profunda desconfiança que há entre os nossos países, mas indica também a expectativa de seguir adiante", completou.

A ligação foi confirmada pela presidência iraniana. Ainda em Nova York, antes de embarcar para Teerã, Rowhani disse que deseja "resultados tangíveis em um curto espaço de tempo" nas negociações nucleares.

O presidente iraniano ainda afirmou que as discussões iniciais com Obama aconteceram em um ambiente "bastante diferente" do passado, e que foi autorizado pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, a negociar sobre o programa nuclear do país.

Há anos o Irã insiste no caráter pacífico do seu programa atômico. O país, no entanto, sofre sanções econômicas porque alguns países ocidentais e Israel suspeitam que o regime de Teerã esteja tentando desenvolver armas nucleares.

Na esteira da Assembleia Geral da ONU, muitos esperavam que Rowhani se reunisse com o presidente americano Barack Obama, mas o encontro acabou não ocorrendo --de acordo com o iraniano, os dois países sentiram que não houve tempo suficiente para preparar a reunião.

A respeito da “profunda desconfiança" que existe entre os países, Obama ressaltou a promessa do presidente iraniano, que em seu discurso na Assembleia Geral da ONU afirmou que seu país não desenvolverá armas nucleares.

"Existem preocupações importantes que teremos que superar. Mas temos a responsabilidade de continuar com a diplomacia e essa é uma oportunidade única para avançar com a nova liderança em Teerã", concluiu Obama, que já chegou a saudar o “rumo mais moderado” de Hasan em relação a seu antecessor, Mahmoud Ahmadinejad.

Obama disse também que solicitou ao secretário de Estado americano, John Kerry, que continue as conversas diplomáticas com o governo iraniano para avançar no acordo.

"Pensando no futuro, o presidente Rowhani e eu instruímos nossas equipes para que sigam trabalhando rapidamente na busca de um acordo. E, em todo esse processo, estaremos em estreito contato com nossos amigos e aliados na região, inclusive Israel", detalhou Obama. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deve visitar Washington na próxima segunda-feira.

Estados Unidos e a China dizem esperar que o Irã responda a uma oferta feita pelo grupo conhecido como P5+1, formado por EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França, China e Alemanha, para que o país pare de produzir e estocar o urânio enriquecido a 20% - um passo anterior à capacidade de produzir armas nucleares.

Eles também exigem que o Irã desative a instalação subterrânea de enriquecimento de urânio de Fordo, perto de Qom, no centro-norte do país. Novas discussões entre o Irã e o P5+1 devem acontecer em 15 de outubro, e Rowhani disse que o país apresentará um plano nessa reunião, apesar de não ter dado detalhes. (Com agências internacionais)

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