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Trégua na Ucrânia é quebrada, e país tem 47 mortos em dia mais violento

Do UOL, em São Paulo

2014-02-20T16:10:48

2014-02-20T23:52:45

20/02/2014 16h10Atualizada em 20/02/2014 23h52

Um dia após anunciar trégua com os manifestantes, a Ucrânia registrou novos confrontos violentos com mortes nesta quinta-feira (20). 

Com base em um balanço divulgado hoje pelo Departamento de Saúde da capital, 75 pessoas foram mortas desde que os confrontos tornaram-se mais violentos, na última terça-feira (18). Só hoje, 47 pessoas morreram. Mais de 360 pessoas foram hospitalizadas.

A oposição situa o número de mortos em mais de cem, mas essa informação não foi confirmada oficialmente.

De acordo com relato de um fotógrafo da agência Reuters, há pelo menos 20 corpos de civis expostos na praça da Independência, em Kiev, que segue ocupada por manifestantes há cerca de três meses.

O excesso de violência nos enfretamentos levou hoje ministros de Relações Exteriores da União Europeia reunidos em Bruxelas (Bélgica) a aprovar sanções "aos responsáveis pela violência e o uso excessivo de força" na Ucrânia. 

A chefe de política externa do bloco, Catherine Ashton, afirmou, após o encontro, que foi acordada uma "suspensão das licenças de exportação para equipamentos usados na repressão interna".

Ashton afirmou ainda que, no entendimento do bloco, a "responsabilidade principal" pelo fim do confronto cabe ao presidente Viktor Yanukovitch, mas adiantou que o bloco vai cancelar os vistos e congelar os bens dos que “têm as mãos manchadas de sangue" na Ucrânia, em um pronunciamento que sugere sanções aos dois lados.

Guerra civil e divisão do país

A recente explosão de violência em Kiev é um duro golpe para as chances de compromisso político na Ucrânia, frustrando expectativas de que uma mediação internacional, que tem poucas chances de sucesso sem o envolvimento da Rússia, de acordo com especialistas.

Os combates de quinta-feira também aumentam as preocupações de que o país poderia entrar em situação de guerra civil, ou ser dividida entre o oeste pró-EU e o leste do país, que fala russo.

"Existe o risco de a situação se tornar incontrolável e se transformar em uma guerra civil", avalia Ognian Mintchev, diretor do Instituto de Estudos Regionais e Internacionais, em Sofia.

Ainda de acordo com o especialista, "isso só poderá ser evitado com a renúncia de Yanukovytch e uma eleição presidencial antecipada".

Já para Gerhard Mangott, especialista do Leste Europeu e da Rússia na Universidade de Innsbruck, na Áustria, “dos dois lados, as forças radicais assumiram a frente".

Por um lado, dada a violência, "é impensável que Maidan (a praça central de Kiev ocupada pelos opositores) concorde dialogar" com um presidente "que tem sangue em suas mãos", explica o estudioso.

Por outro lado, Viktor Yanukovytch "não pode voltar atrás, ele incitou a violência a tal ponto que é difícil imaginar que não seja processado pela justiça caso deixe a presidência", diz.

Este especialista descarta a ideia de uma "guerra civil", porque "não há um confronto entre diferentes grupos da população, mas um choque entre uma parte da população ucraniana e o Estado". 

No entanto, ele vê o risco de um "processo de desintegração do país", com administrações ocupadas pela oposição na região oeste do país ou manifestações pró-Rússia em algumas regiões, como a Crimeia.

Ordem para atirar

O ministro do Interior da Ucrânia, Vitaliy Zakharchenko, afirmou hoje que ao menos 67 policiais são reféns dos manifestantes antigoverno que tomam as ruas do centro da capital Kiev. As autoridades não sabem para onde eles foram levados.

Zakharchenko disse também ter assinado uma ordem que autoriza a polícia a disparar contra manifestantes "dentro dos parâmetros da lei". Ele também afirmou ter liberado o uso de armas de combate pelas forças de segurança.

"Essas medidas foram tomadas para preservar a vida e o bem-estar dos policiais. Eles usarão as armas em autodefesa", afirmou.

Imagens de atiradores de elite disparando contra manifestantes despertaram críticas internacionais. Em nota, a Casa Branca se disse "ultrajada". (Com agências internacionais)

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