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EUA publicam "as dez mentiras de Putin sobre a Ucrânia"

Do UOL, em São Paulo

06/03/2014 09h43

O Departamento de Estado americano publicou na noite de quarta-feira (6) um artigo no qual refuta dez afirmações sobre a Ucrânia feitas pelo presidente russo, Vladimir Putin, que compara com "a surpreendente ficção" do escritor Fiódor Dostoiévski.

"Com a Rússia fazendo circular uma falsa narrativa para justificar suas ações ilegais na Ucrânia, o mundo não tinha visto uma ficção russa tão surpreendente desde que Dostoievski escreveu que 'a fórmula dois mais dois são cinco não deixa de ter sua atração'", diz o comunicado.

O Departamento de Estado nega, primeiro, as asseverações de Putin de que as forças presentes hoje na Crimeia são grupos de autodefesa de cidadãos locais que se rebelaram. 

"Há provas convincentes que os membros dos serviços de segurança russos estão no coração das forças antiucranianas altamente organizadas na Crimeia. Embora essas unidades usem uniformes sem insígnias, conduzem veículos com placas militares russas e se identificam livremente como forças  russas quando questionadas pelos meios de comunicação internacionais", diz o governo americano.

Entenda a importância da Crimeia

Por outra parte, o Departamento de Estado nega que as ações adotadas pela Rússia estejam contempladas no Tratado de Entendimento de 1997 entre Rússia e Ucrânia, como alega Putin.

"O acordo de 1997 exige à Rússia respeitar a integridade territorial da Ucrânia. As ações militares da Rússia na Ucrânia, que lhes deram o controle operacional da Crimeia, violam claramente a integridade territorial e a soberania da Ucrânia", alegam os Estados Unidos.

Além disso, o governo americano nega que tenha sido a oposição quem não pôrs em prática o acordo alcançado com o deposto presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, no último dia 21 de fevereiro, mas afirma que foi este quem se negou a cumprir sua parte e fugiu posteriormente.

Por isso, insiste o Departamento de Estado, também não é certo que, como diz Putin, "o governo da Ucrânia é ilegítimo" nem que Yanukovich siga sendo seu líder legítimo.

"O novo governo da Ucrânia foi aprovado pelo Parlamento ucraniano, eleito democraticamente, com 371 votos - mais que uma maioria de 82%. O governo interino da Ucrânia é um governo do povo, que será guia para o país rumo às eleições democráticas de 25 de maio", acrescentou a nota.

Em quinto lugar, os EUA rejeitam as afirmações do presidente russo sobre a existência de uma crise humanitária na Ucrânia que afetaria centenas de milhares de pessoas que fogem à Rússia na busca de asilo.

"Não há absolutamente nenhuma evidência de uma crise humanitária. Também não há evidência de um pedido em massa de asilo de pessoas que fogem da Ucrânia para a Rússia. As organizações internacionais no terreno averiguaram e conversaram com guardas fronteiriços ucranianos, que também refutaram estas afirmações", afirmou o comunicado.

Os EUA também negam que "os russos étnicos se encontrem sob ameaça", já que além dos reportes da imprensa governista russa, não há nenhuma informação que respalde esse dado.

O artigo faz referência também às bases militares russas, que segundo Putin "estão sob ameaça" e com cuja integridade, no entanto, se comprometeu o novo governo da Ucrânia.

A existência de "ataques em massa contra igrejas e sinagogas no sul e o leste da Ucrânia" é outra das justificativas do líder russo que a diplomacia americana rejeita, assim como o fato de que o novo governo interino esteja tentando desestabilizar a Crimeia.

Por último, EUA não aceitam que Putin acuse o Parlamento ucraniano de estar sob a influência de extremistas ou terroristas, e ressaltam que os "grupos ultranacionalistas de extrema direita, alguns dos quais tinham participado de abertos enfrentamentos com as forças de segurança durante os protestos, não estão representados" nela.
 

Protestos são reprimidos com violência na Ucrânia
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