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"Não entenderemos a linguagem das sanções e das ameaças", diz Moscou

Do UOL, em São Paulo

2014-03-07T11:00:50

2014-03-07T12:04:33

07/03/2014 11h00Atualizada em 07/03/2014 12h04

Um dia após EUA e União Europeia anunciarem a adoção de uma série de medidas contra a Rússia por causa da crise na Ucrânia, a Chancelaria russa divulgou nesta sexta-feira (7) uma nota em que disse que o país "não entenderá a linguagem das sanções e das ameaças".

 A nota qualificou ainda de "extremamente improdutiva" a decisão da União Europeia, de quinta-feira, de interromper as negociações sobre concessão de vistos. Os EUA já haviam anunciado restrições de vistos para russo e habitantes da Crimeia, península autônoma ucraniana que está sob controle de forças pró-Rússia. 

Em conversa por telefone com o presidente dos EUA, Barack Obama, na noite de quinta, o mandatário russo, Vladimir Putin, pediu que os EUA não sacrifiquem as relações entre os dois países por "divergências sobre determinados problemas internacionais, por mais significativos que sejam". O teor da conversa foi divulgado nesta sexta-feira pelo Kremlin. 

A Crimeia, que abriga a frota russa no mar Negro, foi parte da Rússia até 1954, quando o então dirigente soviético Nikita Kruschev passou seu controle à Ucrânia.

Após a queda do ex-presidente Viktor Yanukovich, em fevereiro, as populações das regiões sul e leste do país foram às ruas para protestar contra o que consideraram um golpe de Estado. A Rússia, aliada de Yanukovich e com interesses na região, apoia esse movimento. 

A península da Crimeia, de maioria étnica e língua russas e atualmente com um regime de república autônoma da Ucrânia, está sob controle de forças pró-Moscou desde 28 de fevereiro.

"O presidente russo insistiu na importância primordial das relações russo-americanas para a segurança e a estabilidade no mundo", disse a nota oficial.

Essas relações, acrescentou o Kremlin, "não devem ser sacrificadas por divergências sobre determinados problemas internacionais, por mais significativos que sejam".

Na conversa telefônica, realizada por iniciativa de Obama segundo a Presidência russa, se abordou a "grave situação que se criou na Ucrânia" e foram constatadas "divergências de enfoque e avaliação sobre as causas da crise e o atual estado de coisas".

Putin disse a Obama que as atuais autoridades ucranianas chegaram ao poder através de um "golpe anticonstitucional", que não têm um mandato em nível nacional e "impõem decisões absolutamente ilegítimas" às regiões do sul e sudeste da Ucrânia e na Crimeia.

Com isso, "a Rússia não pode ignorar os pedidos de ajuda e age de maneira adequada e em plena conformidade com as normas do direito internacional", acrescentou a nota.

Já Obama afirmou que as ações de Moscou "violam a soberania" da Ucrânia e a sua integridade "territorial", ações que levaram os EUA "a tomar vários passos em resposta, em coordenação com os nossos parceiros europeus".  

"Existe uma forma para resolver a situação com meios diplomáticos, para ir encontro com os interesses da Rússia, do povo ucraniano e da comunidade internacional", afirmou o presidente norte-americano.  

Os dois presidentes acordaram que os responsáveis de Relações Exteriores de ambos os países continuarão "intensos contatos" sobre a situação na Ucrânia.

A conversa entre Putin e Obama aconteceu depois que o Parlamento da autonomia ucraniana da Crimeia decidiu incorporar seu território à Federação da Rússia e convocou um referendo para o próximo dia 16 para ratificar essa decisão.

Essa consulta foi declarada ilegal pelo governo de Kiev e a comunidade internacional.

Protestos são reprimidos com violência na Ucrânia
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