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Em meio a confusão e críticas, Malásia amplia buscas por voo desaparecido

Do UOL, em São Paulo

12/03/2014 10h17Atualizada em 14/04/2014 20h04

Em meio a cobranças, desentendimentos e desinformação, o governo da Malásia ampliou nesta quarta-feira (12) o perímetro de busca do avião da Malaysia Airlines desaparecido desde sábado (8) com 239 ocupantes.

Revoltados com a confusão de versões, familiares de passageiros do voo chegaram a jogar garrafas de água contra funcionários da companhia aérea que davam coletiva em Pequim, exigindo "a verdade". 

Os trabalhos de busca entraram no quinto dia com a ampliação do perímetro de busca ao Mar de Adaman, a centenas de quilômetros ao noroeste da primeira zona rastreada.

As autoridades decidiram ampliar a área de busca após informações de radar que indicariam a "possibilidade" de o avião ter alterado sua rota sobre o Mar do Sul da China.

"Temos de examinar todas as possibilidades", afirmou o diretor da aviação civil malasiana, Azharuddin Abdul Rahman.

O Mar de Adaman é limitado ao sul pela ilha indonésia de Sumatra, e ao leste e ao norte por Tailândia e Mianmar.

A ampliação da área de buscas é o foco do mais novo desentendimento entre os países que fazem parte do esforço internacional de busca pelo avião desaparecido. O governo da Malásia justificou a ampliação da área com base em informações de que radares teriam detectado o avião a noroeste do país.

Em contrapartida, autoridades do Vietnã divulgaram a informação de que radares do país haviam detectado uma mudança na rota do avião e que essa informação havia sido repassada ao governo da Malásia, mas ignorada nos primeiros dias de buscas.

Nesta quarta-feira, o Vietnã informou a redução de sua participação do trabalho de buscas até que o governo da Malásia liberasse as informações que tem a respeito do paradeiro do voo.

 

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“Nós informamos a Malásia no dia em que perdemos o contato com o voo de que nós havíamos detectado que o voo havia retornado em direção a oeste, mas a Malásia não nos respondeu”, disse Pham Quy Tieu, vice-ministro de Transportes do Vietnã.

O general malasiano Rodzali Daud desmentiu, nesta quarta-feira, que um radar tenha detectado a passagem da aeronave sobre o estreito de Malaca, como informou um jornal do país.

De acordo com as autoridades da Malásia, as últimas palavras dos comandantes do voo MH-370 registradas pelas torres de controle foram: "Tudo bem. Entendido". As palavras teriam sido registradas no momento em que o avião entrava no espaço aéreo do Vietnã. 

Mais cedo, o general havia informado que radares militares haviam detectado uma aeronave que poderia ser o avião da Malaysia Airlines 45 minutos depois de ele ter desaparecido dos radares do Vietnã.

A missão de resgate do voo MH-370 envolve agora aeronaves, embarcações e até satélites de 20 países. As buscas, que antes se resumiam ao mar do Sul da China e parte da costa do Vietnã, agora se estendeu pela costa oeste da Malásia.

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A Índia anunciou nesta quarta-feira que também irá auxiliar nas buscas, uma vez que a expansão das áreas onde o avião poderia ter desaparecido se aproximam da costa indiana.

A busca infrutífera e a comunicação aparentemente confusa das autoridades malasianas provocam críticas dentro do país, da China e dos países participantes nas operações de busca.

Nos últimos dois dias, a China também criticou o governo da Malásia pela demora nos trabalhos de busca, assistência às famílias das vítimas (pelo menos 153 pessoas a bordo eram chinesas) e na divulgação das informações disponíveis. O governo chinês está utilizando satélites orbitais para localizar os destroços da aeronave desaparecida.

"No momento, há muitas informações, mas bastante caóticas. Nós também temos dificuldades para confirmar se isso é correto ou não", disse o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Qing Gang.

O ministro dos Transportes da Malásia, Hishamuddin Hussein, rebatou as críticas feitas até agora. "Só existe confusão se você quer ver confusão", disse, referindo-se ao governo chinês.

Em meio a tantos boatos e falta de informação  surgem teorias da conspiração. As autoridades também são acusadas de esconder dados importantes.

"Penso que a Malaysia Airlines e o governo tentam encobrir ou esconder alguma coisa sobre o voo MH370", escreveu um internauta no Twitter, uma opinião que ganha adeptos.

"Por que tanta informação não confirmada?", questiona outro usuário da rede social.

 

Terrorismo

Sobre os passageiros que embarcaram com passaporte falso, a Interpol verificou suas identidades e descartou qualquer relação com grupos terroristas, apesar de o diretor da CIA, John Brennan, ter afirmado que "não descartaria" a pista terrorista.

Os dois passageiros foram identificados como cidadãos iranianos: Puria Nurmohammadi, de 18 anos, e Seyed Mohammed Reza Delavar, de 29. De acordo com a Interpol, os dois estariam tentando imigrar para a Europa.

O voo MH370 transportava 239 pessoas, incluindo dois menores de idade. Além de chineses, o Boeing 777-200 transportava malaios, indonésios, australianos, franceses, americanos, canadenses, russos e ucranianos. 

 

 

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