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"Crimeia tem sido e será parte do nosso país", diz presidente da Ucrânia

Do UOL, em São Paulo

2014-03-18T12:43:35

2014-03-18T13:48:18

18/03/2014 12h43Atualizada em 18/03/2014 13h48

O presidente em exercício da Ucrânia, Oleksander Turchynov, disse que “a Crimeia tem sido e será parte do nosso país”, rebatendo as afirmações feitas mais cedo pelo presidente russo, Vladimir Putin, reconhecendo a Crimeia como parte do território russo.

Putin, em discurso de quase uma hora no Parlamento russo, havia afirmado algumas horas antes que a "Crimeia é e sempre será russa"

Em referendo no último domingo (16), a Crimeia aprovou por mais de 95% dos votos sua anexação à Rússia. Nesta terça, a decisão foi oficializada por Putin.

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“Putin, que gosta de falar de fascismo, se tornou o mímico dos fascistas do último século”, disse o líder ucraniano.

Para Turchynov, a postura adotada pela Rússia “é uma tentativa de desestabilizar a situação na região, na Europa e em todo mundo”.

Ele concedeu uma entrevista coletiva após uma reunião de gabinete ao lado do premiê, Arseni Yatseniuk.

“A situação está se desenvolvendo de uma situação política para uma militar”, disse Yatseniuk.

“Queremos avisar o presidente Putin, que é o responsável pela provocação (...), que a liderança política russa terá de responder ao mundo todo pelos crimes que está cometendo hoje em nosso país”, afirmou Turchynov.

Abrigando a frota russa no mar Negro, a Crimeia foi parte da Rússia até 1954, quando o então dirigente soviético Nikita Kruschev passou seu controle à Ucrânia.

Após a queda do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, em fevereiro de 2014, as populações das regiões sul e leste do país foram às ruas para protestar contra o que consideraram um golpe de Estado. A Rússia, aliada de Yanukovich e com interesses na região, apoiou o movimento e conseguiu recuperar a península.

Invasão à base militar ucraniana

Segundo a agência Reuters, tropas russas tentavam invadir uma base militar ucraniana na Crimeia. A ação deixou um soldado morto.

De acordo com um militar russo citado pela agência, o comandante da base foi capturado e os demais militares fizeram uma barricada no segundo andar do prédio principal da base.

A ação ocorreu depois que a Rússia formalizou a anexação da Crimeia a seu território, nesta terça-feira.

Repercussão no Ocidente

Em retaliação às ações russas desta terça-feira, o Reino Unido decidiu suspender toda a cooperação militar com a Rússia, incluindo a exportação de armas, conforme disse ao Parlamento britânico, nesta terça-feira (18), o secretário de Relações Exteriores, William Hague.

Exercícios navais entre Rússia, França, Reino Unido e Estados Unidos foram suspensos, bem como a participação russa na próxima cúpula do G8, na semana que vem.

"Os passos dados pelo presidente Putin hoje na tentativa de anexar a Crimeia à Rússia estão em flagrantes violações da lei internacional e de enviar uma mensagem desestimulante através do continente europeu", disse o premiê britânico, David Cameron.

"É completamente inaceitável que a Rússia use a força para mudar fronteiras, com base em um falso referendo realizado sob o cano de uma arma russa", criticou o primeiro-ministro.

A chanceler alemã, Angela Merkel, também condenou a ação da Rússia de incorporar a Crimeia a seu território. "A admissão da Crimeia pela Federação Russa vai contra a lei internacional", afirmou Merkel. E, assim como a líder alemã, o presidente da França, François Hollande, afirmou que uma nova resposta à Rússia será discutida.

"A França não reconhece os resultados do referendo (...) nem a anexação dessa região ucraniana à Rússia. A próxima reunião do Conselho Europeu, entre os dias 20 e 21 de março, deve proporcionar a oportunidade de uma resposta europeia forte e coordenada ao obstáculo que acaba de ser pulado", afirmou o presidente francês.

"Incursão militar descarada"

O presidente dos EUA, Barack Obama, já convidou líderes do G7 para uma reunião na próxima semana com o objetivo de discutir futuras ações na Ucrânia.

O vice-presidente Joe Biden acusou a Rússia de uma "flagrante violação da lei internacional" na Crimeia. Biden afirmou que a Rússia fez uma "descarada incursão militar", "aumentou as tensões étnicas" na Ucrânia e está realizando um "ataque contínuo à soberania ucraniana".

O norte-americano alertou sobre mais sanções por parte dos EUA e da UE contra a Rússia se o processo de anexação da Crimeia tiver continuidade.

Até o momento, os EUA determinaram proibição de viagens e o congelamento de ativos no país de 11 russos e ucranianos, enquanto a UE impôs tais sanções contra 21 pessoas. (Com agências internacionais e BBC)

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