PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Papa pede perdão a vítimas de abuso sexual por padres católicos

Osservatore Romano/ Reuters
Imagem: Osservatore Romano/ Reuters

Do UOL, em São Paulo

07/07/2014 11h04Atualizada em 07/07/2014 12h39

O papa Francisco rezou nesta segunda-feira (7) uma missa com seis vítimas de abusos sexuais por padres católicos. Diante delas, ele pediu várias vezes perdão e se comprometeu a não tolerar e a reparar a situação. Foi a primeira vez que o papa se reuniu no Vaticano com vítimas de abusos por religiosos.

"Humildemente peço perdão", disse o papa argentino, ao reconhecer que os líderes da igreja "não responderam adequadamente às denúncias de abuso apresentadas por familiares e por aqueles que foram vítimas do abuso". 

As três mulheres e os três homens foram abusados na Alemanha, na Irlanda e no Reino Unido quando eram crianças ou adolescentes. Após a homilia, o papa conversou com eles individualmente, em uma reunião que durou quase quatro horas, permanecendo cerca de 30 minutos com cada um.

"Isto leva ainda a um sofrimento adicional aos que tinham sido abusados, e pôs em perigo outros menores que estavam em situação de risco", declarou o pontífice, que admitiu que "os pecados de abuso sexual contra menores pelo clero têm um efeito virulento na fé e na esperança em Deus".
 
"Esses atos profanam a imagem de Deus", falou Francisco durante a homilia, que presidiu na capela da casa Santa Marta, onde mora desde que foi eleito, em março de 2013. O pontífice declarou que esses "atos são execráveis" e que "deixam cicatrizes para toda a vida".
 

Ele continuou com um discurso forte, afirmando que esses abusos em crianças e os suicídios causados por eles "pesam no meu coração, na minha consciência e na consciência de toda a igreja".   

A homilia do papa fez com que as vítimas chorassem e comovessem o pontífice. "Esse choro é de uma dor profunda, um sofrimento por muito tempo escondido, dissimulado na cumplicidade que não tem como explicar", disse Francisco.

Ele pediu para que a igreja e as pessoas ajam com mais efetividade, afirmado que "aqueles que estão chorando, estão contagiando nossa consciência sobre esse crime que é um grave pecado".

Francisco pronunciou sua homilia em espanhol, sinal de que a escreveu de próprio punho, o que ocorre em momentos especiais, quando prefere utilizar seu próprio idioma.
 

Mensagem de esperança

O porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, avaliou posteriormente com a imprensa que a mensagem do papa "é uma mensagem de esperança e de coragem, dirigida a todas essas pessoas que sofreram abusos no mundo todo porque, infelizmente, é um problema que aconteceu em muitos lugares".

E em relação às seis vítimas presentes na homilia, Lombardi explicou que o Vaticano optou por um número reduzido para que Francisco pudesse conversar pessoalmente com cada um deles.

O porta-voz não excluiu que no futuro possam acontecer outros encontros deste tipo entre o papa e vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero. (Com agências internacionais)

Papa Francisco e a pedofilia na Igreja Católica

  • Luta contra a pedofilia

    O papa Francisco se comprometeu desde sua chegada ao Vaticano a lutar contra a pedofilia dentro da Igreja Católica. O tema sempre foi um tabu dentro da igreja

  • Penas mais duras

    Em setembro de 2013, o Código Penal do Vaticano foi reformado. Entre as mudanças, estão punições mais duras para quem cometer abusos contra crianças. Crimes de prostituição, abuso sexual e tráfico de crianças passaram a ter punição prevista de cinco a 12 anos de prisão.

  • Comissão para proteção da infância

    Em dezembro do mesmo ano, Francisco anunciou a criação de uma comissão para proteção da infância, da qual faz parte uma vítima, a irlandesa Mary Collins.

  • Padres expulsos da igreja

    Em janeiro de 2014, o Vaticano informou à Comissão de Direitos da Criança da ONU que expulsou mais de 400 padres acusados de pedofilia. Semanas depois, o órgão das Nações Unidas divulgou relatório pedindo que os religiosos fossem levados à Justiça.

  • Encontro com vítimas de abuso

    Em julho, o papa Francisco se reuniu pela primeira vez com um grupo de vítimas de abuso sexual por parte de padres católicos.

Internacional