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Total de mortos em Gaza passa de 90; cinco morrem em ataque a casa em Rafah

Escavadeira remove os escombros de atingida por ataque aéreo israelense em Rafah, no sul de Gaza - Said Khatib/AFP
Escavadeira remove os escombros de atingida por ataque aéreo israelense em Rafah, no sul de Gaza Imagem: Said Khatib/AFP

Do UOL, em São Paulo

11/07/2014 05h57

A operação militar israelense Limite Protetor, que entra nesta sexta-feira (11) em seu quarto dia, já deixou 98 mortos - a maioria civis - e mais de 600 feridos na faixa de Gaza, informou a imprensa local.

As últimas oito vítimas foram mortas na madrugada de hoje durante os ataques de aviões e embarcações de guerra de Israel contra 50 alvos em diferentes pontos da faixa, segundo fontes palestinas entrevistadas pela rádio pública israelense.

Entre os alvos estavam quatro imóveis, um deles próximo de um túnel no sul da faixa de Gaza, detalhou a emissora.

Cinco palestinos foram mortos em um ataque aéreo israelense na manhã desta sexta em Rafah, no sul da faixa de Gaza, pouco depois de outra investida que já havia deixado um morto na cidade de Gaza. Os disparos tinham como alvo a casa de um militante da Jihad Islâmica. Segundo o porta-voz dos serviços de emergência, Ashraf al-Qudra, outras 15 pessoas ficaram feridas.

Oito membros de uma família, incluindo cinco crianças, também morreram em um ataque aéreo logo pela manhã que arrasou duas casas em Khan Younis, no sul da faixa de Gaza e perto da fronteira egípcia, informou o Ministério da Saúde palestino. Os militares de Israel não comentaram o que teria sido o ataque mais mortífero desde que iniciaram sua operação na terça-feira. O ministro da Defesa falou em “longos dias de combate à frente”.

As únicas vítimas israelenses são três civis feridos depois que um foguete caiu em um posto de gasolina  em Ashdod. Dois soldados também se feriram no impacto de uma bomba no sul de Israel.

Entenda o conflito entre israelenses e palestinos

Ataques mútuos

O Exército israelense afirmou em comunicado que atacou nas últimas 24 horas cerca de 210 alvos relacionados com atividades de "grupos terroristas", como plataformas de lançamento de foguetes, instalações do Hamas, túneis para o contrabando de armamento e complexos de treinamento dos grupos armados.

Israel disse que já atacou aproximadamente 1.090 alvos por mar e ar desde o início da ofensiva.

No último dia, as facções armadas palestinas na faixa de Gaza intensificaram os disparos de foguetes contra Israel com o lançamento de cerca de 200 projéteis.

Com isso, já são cerca de 550 foguetes disparados contra o território israelense em quatro dias, segundo uma nota militar de Israel, que responsabilizou o Hamas pelos lançamentos.

O braço armado do Hamas - as "Brigadas Ezedin al-Qassam" - assumiu a autoria de dezenas de disparos de foguetes contra Israel, assim como os lançados das últimas horas.

Somente na manhã de hoje, mais de 30 projéteis foram disparados contra localidades do sul de Israel, informou a rádio pública. Além disso, o veículo relatou que alguns deles atingiram cidades como Rishon Lezion, Ashkelon e Ashdod, e vários foram interceptados pelo sistema antimísseis "Domo de Ferro".

Repercurssão internacional

O presidente da França, François Hollande, expressou preocupação com as mortes de civis no reduto palestino e pediu uma trégua. Uma porta-voz do secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que como Hollande conversou com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, comentou sobre a possível escalada: “Ninguém quer ver uma invasão por terra.”

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou em um comunicado televisionado: “Até agora a batalha progride como planejado, mas podemos esperar novos estágios no futuro. Já golpeamos com força o Hamas e as organizações terroristas, e à medida que a batalha prosseguir aumentaremos os ataques contra eles.”

Netanyahu discutiu opções com seu gabinete de segurança em meio aos ataques aéreos e insinuações das autoridades sobre uma possível ofensiva terrestre, mas nada foi dito sobre quando ou se isso acontecerá.

A ofensiva ocorreu na esteira de um aumento na violência depois que três estudantes judeus foram mortos na Cisjordânia no mês passado e um jovem palestino morreu no que se suspeita ter sido um gesto de retaliação. (Com Agências Internacionais)

Conheça os pontos da negociação entre Israel e palestinos

  • Reprodução/BBC

    Estado palestino

    Os palestinos querem um Estado plenamente soberano e independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental. Israel quer um Estado palestino desmilitarizado, presença militar no Vale da Cisjordânia da Jordânia e manutenção do controle de seu espaço aéreo e das fronteiras exteriores

  • Mohamad Torokman/Reuters

    Fronteiras e assentamentos judeus

    Os palestinos querem que Israel saia dos territórios que ocupou após a Guerra dos Seis Dias (1967) e desmantele por completo os assentamentos judeus que avançam a fronteira, considerados ilegais pela ONU. Qualquer área dada a Israel seria recompensada. Israel descarta voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas aceita deixar partes da Cisjordânia se puder anexar os maiores assentamentos.

  • Cindy Wilk/UOL

    Jerusalém

    Israel anexou a área árabe da Jordânia após 1967 e não aceita a dividir Jerusalém por considerar o local o centro político e religioso da população judia. Já os palestinos querem o leste de Jerusalém como capital do futuro Estado da Palestina. O leste de Jerusalém é considerado um dos lugares sagrados do Islã. A comunidade não reconhece a anexação feita por Israel.

  • Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos

    Refugiados

    Há cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, a maioria deles descendentes dos 760 mil palestinos que foram expulsos de suas terras na criação do Estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça seu "direito ao retorno", o que Israel rejeita por temer a destruição do Estado de Israel pela demografia. Já Israel quer que os palestinos reconheçam seu Estado.

  • Mahfouz Abu / EFE

    Segurança

    Israel teme que um Estado palestino caia nas mãos do grupo extremista Hamas e seja usado para atacar os judeus. Por isso, insiste em manter medidas de segurança no vale do rio Jordão e pedem que o Estado palestino seja amplamente desmilitarizado. Já os palestinos querem que seu Estado tenha o máximo de atributos de um Estado comum.

  • Abbas Momani/AFP

    Água

    Israel controla a maioria das fontes subterrâneas da Cisjordânia. Os palestinos querem uma distribuição mais igualitária do recurso.

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