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Internacional

Países tentam negociar cessar-fogo entre Israel e Hamas; ataques crescem

Do UOL, em São Paulo

14/07/2014 17h58Atualizada em 14/07/2014 19h26

Os Estados Unidos e o Egito tentam intervir no conflito entre Israel e o movimento Hamas, que já matou mais de 180 palestinos e feriu cerca de 1.200. Na tentativa de conter a escalada de violência, um cessar-fogo imediato foi proposto pelo governo egípcio, enquanto os norte-americanos apelaram para que tropas israelenses não façam uma incursão terrestre em Gaza.

O Egito apresentou nesta segunda-feira (14) uma iniciativa que estipula a cessação das hostilidades por parte de ambos os grupos a partir desta terça-feira (15) às 3h (horário de Brasília).

No entanto, segundo um líder do movimento palestino à AFP, nenhum acordo foi concluído. "Há esforços e negociações em torno de um acordo de trégua, mas até o momento não há nada definitivo", disse a fonte.

Uma fonte do governo de Israel afirmou que uma reunião do gabinete de segurança israelense irá avaliar a proposta egípcia.

O plano, divulgado em comunicado pelo Ministério egípcio das Relações Exteriores, chama todas as partes a "um cessar-fogo imediato", de qualquer operação aérea, terrestre e marítima.

Israel tem de cessar seus bombardeios e garantir que não vai efetuar incursões terrestres na faixa de Gaza ou ataques contra civis, enquanto os palestinos terão de frear o lançamento de foguetes, entre outros pontos.

O acordo estabeleceria a abertura das passagens fronteiriças para facilitar a circulação de pessoas e provisões. Conforme esta iniciativa, 48 horas depois da entrada em vigor da trégua, delegações de alto nível de Israel e das distintas facções palestinas viajariam ao Cairo.

Está prevista a visita ao Egito do presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, que se reunirá com seu colega egípcio, Abdul Fatah al Sisi.

A ofensiva foi criticada pela comunidade internacional e especialmente pela Liga Árabe, cujos ministros das Relações Exteriores realizam nesta noite no Cairo uma reunião para abordar o assunto.

Em um relatório preliminar, a organização pan-árabe pediu à comunidade internacional, principalmente a ONU e Estados Unidos, que atue com rapidez para pôr fim à ofensiva e à ocupação israelense.

Ataques por terra

O governo dos EUA aconselhou Israel nesta segunda-feira a não fazer uma incursão terrestre em Gaza, como está sendo avaliado pelo executivo de Benjamin Netanyahu. O país ressaltou, porém, que respeitará a decisão que for tomada pelo seu aliado à medida que prosseguir a ofensiva.

"Ninguém precisa ver uma incursão terrestre, porque isso poria em risco mais civis ainda", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.

Earnest reiterou a necessidade de o Hamas "deixar de lançar foguetes" contra Israel, mas reconheceu que o escudo antimísseis Cúpula de Ferro, financiado pelos EUA, foi "eficaz na hora de proteger muitos dos civis que estavam em perigo".

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, poderá viajar nesta terça (15) ao Cairo para abordar com responsáveis egípcios esta crise. Porém, nem a Casa Branca nem o Departamento de Estado confirmaram até agora a visita oficial.

Entenda o conflito entre israelenses e palestinos

Violência crescente 

O novo conflito é o mais violento desde a operação "Pilar de Defesa", ocorrida em novembro de 2012. Na ocasião, 177 palestinos e seis israelenses foram mortos.

O novo episódio de violência começou após o sequestro e assassinato de três estudantes israelenses no início de junho na Cisjordânia ocupada, crimes que Israel atribuiu ao Hamas.

Pouco depois, um jovem palestino foi sequestrado e queimado vivo em Jerusalém por judeus de extrema-direita.

O Exército de Israel anunciou que afetou significativamente as capacidades do Hamas, o movimento islamita palestino que controla a faixa de Gaza, um território com 1,2 milhão de habitantes e com índice de pobreza de 39% da população, segundo o FMI.

Três sobrinhos do antigo primeiro-ministro do Executivo do Hamas em Gaza, Ismael Haniyeh, morreram durante um ataque aéreo contra a casa da irmã do dirigente islamita no bairro de Sheikh Radwan.

Por sua parte, um porta-voz militar israelense disse à Agência Efe que desde esta manhã as milícias lançaram 75 foguetes, dos quais 55 caíram em áreas desabitadas e pelo menos 12 foram interceptados pelo sistema Cúpula de Ferro, enquanto o resto impactou em território de Gaza.

No entanto, estes números teriam aumentado com novos disparos esta noite contra várias povoações divisórias à Faixa, que causaram ferimentos de moderados a graves em dois menores de 11 e 13 anos perto de Be'er Sheva, considerada a capital do sul de Israel.

Desde que começou a operação, Israel recebeu o impacto de mais de 800 projéteis e outros 87 foram derrubados em voo.

Conheça os pontos da negociação entre Israel e palestinos

  • Reprodução/BBC

    Estado palestino

    Os palestinos querem um Estado plenamente soberano e independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental. Israel quer um Estado palestino desmilitarizado, presença militar no Vale da Cisjordânia da Jordânia e manutenção do controle de seu espaço aéreo e das fronteiras exteriores

  • Mohamad Torokman/Reuters

    Fronteiras e assentamentos judeus

    Os palestinos querem que Israel saia dos territórios que ocupou após a Guerra dos Seis Dias (1967) e desmantele por completo os assentamentos judeus que avançam a fronteira, considerados ilegais pela ONU. Qualquer área dada a Israel seria recompensada. Israel descarta voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas aceita deixar partes da Cisjordânia se puder anexar os maiores assentamentos.

  • Cindy Wilk/UOL

    Jerusalém

    Israel anexou a área árabe da Jordânia após 1967 e não aceita a dividir Jerusalém por considerar o local o centro político e religioso da população judia. Já os palestinos querem o leste de Jerusalém como capital do futuro Estado da Palestina. O leste de Jerusalém é considerado um dos lugares sagrados do Islã. A comunidade não reconhece a anexação feita por Israel.

  • Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos

    Refugiados

    Há cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, a maioria deles descendentes dos 760 mil palestinos que foram expulsos de suas terras na criação do Estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça seu "direito ao retorno", o que Israel rejeita por temer a destruição do Estado de Israel pela demografia. Já Israel quer que os palestinos reconheçam seu Estado.

  • Mahfouz Abu / EFE

    Segurança

    Israel teme que um Estado palestino caia nas mãos do grupo extremista Hamas e seja usado para atacar os judeus. Por isso, insiste em manter medidas de segurança no vale do rio Jordão e pedem que o Estado palestino seja amplamente desmilitarizado. Já os palestinos querem que seu Estado tenha o máximo de atributos de um Estado comum.

  • Abbas Momani/AFP

    Água

    Israel controla a maioria das fontes subterrâneas da Cisjordânia. Os palestinos querem uma distribuição mais igualitária do recurso.

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