PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Separatistas impedem acesso total de monitores a área de acidente

Do UOL, em São Paulo

18/07/2014 14h45Atualizada em 18/07/2014 15h27

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) afirmou que separatistas pró-Rússia impediram o acesso total de seus monitores ao local da queda do avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia, afirmou o embaixador suíço do organismo, Thomas Greminger.

Segundo Greminger, os monitores foram impedidos de avançar por homens armados.

"Eles [monitores] não tiveram o tipo de acesso que esperavam. Não tiveram a liberdade de movimento de que precisam para o trabalho", afirmou Greminger à Reuters.

"Nas atuais circunstânicas, eles não foram capazes de estabelecer um corredor que permitira acesso aos investigadores."

Trajeto do voo MH17 - Arte/UOL - Arte/UOL
Voo ia de Amsterdã (Holanda) para Kuala Lumpur (Malásia)
Imagem: Arte/UOL

Greminger afirmou que o grupo de 17 monitores ficou no local por 75 minutos e depois retornou para a cidade de Donetsk. Eles fariam nova tentativa no sábado (19).

O voo MH17 ia de Amsterdã, na Holanda, para Kuala Lumpur, na Malásia, e voava a 10 mil metros quando caiu. O voo teria duração de 11h55 minutos e percorreria uma distância de 10,2 mil quilômetros. A Malaysia Airlines perdeu contato com a aeronave às 11h15 (horário de Brasília), e que sua última posição foi registrada no espaço aéreo ucraniano, a 30 km de Tamak.

Ao todo, eram 283 passageiros e mais 15 tripulantes. Ninguém sobreviveu.

Entre as nacionalidades, estavam 189 holandeses, 44 malasianos (sendo 15 da tripulação mais duas crianças), 27 australianos, 12 indonésios (sendo uma criança), nove britânicos, quatro alemães, quatro belgas, três filipinos, um canadense, um neozelandês, um chinês de Hong Kong e um americano. Outros 3 passageiros ainda não tiveram a nacionalidade divulgada.

Relatos dos correspondentes dão conta de que os separatistas que há meses tomaram a região de Donetsk assumiram o da investigação e que as cerca de 20 pessoas que trabalham na área têm somente a missão de recolher e reunir informações sobre as vítimas. 

Ao chegarem ao ponto onde estão espalhados destroços da aeronave e corpos dos passageiros e tripulantes, os agentes ucranianos do Ministério de Situações de Emergência perceberam um grupo de milicianos armados e usando roupas camufladas.

"São eles que estão à frente de tudo aqui", disse Oleksiy Mergin, chefe da equipe do governo. "Nossa tarefa é apenas detectar os corpos."

O autoproclamado "governador" de Donetsk, Pavel Gubarev, um dos líderes dos rebeldes, esteve no local, acompanhado de quatro seguranças portando fuzis. Ele havia prometido autorizar o acesso de representantes das partes interessadas.

"Especialistas internacionais, europeus e até de Kiev serão permitidos aqui para receber toda a informação de que precisam", ele afirmou. "Eu não gostaria que esse caso provocasse um aumento do conflito".

Obama cita 'evidências'

Em entrevista coletiva nesta sexta, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que "evidências indicam que o MH17 foi abatido por um míssil terra-ar de uma área controlada por separatistas apoiados pela Rússia".

"Também sabemos que não é a primeira vez que uma aeronave foi derrubada no leste da Ucrânia", acrescentou o presidente, lembrando que os separatistas têm recebido ajuda constante da Rússia, inclusive de armas pesadas.

Embora tenha dito que "não gostaria de se antecipar aos fatos" e que "não sabemos exatamente o que aconteceu", Obama afirmou que os separatistas não teriam como operar do modo sofisticado que têm feito sem treinamento russo. 

"Sabemos que os separatistas estão pesadamente armados e treinados, e isso acontece por causa do apoio russo. Não é possível que eles funcionem do jeito que funcionam com o equipamento que têm. Um grupo de separatistas não pode derrubar um avião comercial com o equipamento que tem sem o apoio da Rússia."

"O que aconteceu não foi um acidente. Aconteceu porque eles [separatistas] tiveram apoio", acrescentou.

O líder americano apelou ainda para que tanto a Rússia, como a Ucrânia e também os separatistas façam um cessar-fogo para que uma investigação sobre a queda da aeronave possa acontecer. Mas avaliou que cabe à Rússia tomar ações para diminuir a tensão na região.

"[O presidente russo, Vladimir] Putin é a pessoa com maior controle sobre a situação de violência na Ucrânia e até aqui não o está exercitando", afirmou.

"Deixei claro para Putin que nosso caminho preferido é o diplomático, mas eles têm de fazer uma decisão estratégica: continuar dando apoio aos separatistas ou que estão prontos para trabalhar com o governo da Ucrânia", acrescentou.

Segundo ele, estão a caminho da Ucrânia agentes do FBI e do National Transport Safety Board  como parte da ajuda dos EUA oferecida àquele país. (Com agências internacionais)

Mais sobre o avião abatido

  • Coincidência

    Este é o 4º acidente aéreo em 17 de julho: outros três aviões caíram nos dias 17 de julho de 1996, 2000 e 2007.

  • Principais ataques

    Se for confirmado que a aeronave foi derrubada por um míssil, terá sido o ataque mais mortífero contra um voo comercial desde os anos 1960. Desde 1967, mais de 700 pessoas foram mortas em 19 incidentes envolvendo ataques com disparos propositais.

  • Morte instantânea

    "Quase ninguém a bordo soube o que estava acontecendo. Se não morreram instantaneamente, ficaram inconscientes em frações de segundos." A afirmação é de Justin Bronk, pesquisador britânico da área de defesa e segurança.

  • Abate poderia ter sido evitado

    Aviões comerciais como o Boeing 777 da Malaysia Airlines que foi sobre a fronteira da Ucrânia com a Rússia não possuem nenhum dispositivo para despistar mísseis.

Internacional