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Ataque de Israel contra hospital em Gaza deixa pelo menos 5 mortos

Funcionário palestino inspeciona os danos no hospital Al-Aqsa na faixa de Gaza; ataque israelense matou ao menos 4 - Mohammed Abed/AFP
Funcionário palestino inspeciona os danos no hospital Al-Aqsa na faixa de Gaza; ataque israelense matou ao menos 4 Imagem: Mohammed Abed/AFP

Do UOL, em São Paulo

21/07/2014 10h42Atualizada em 21/07/2014 19h47

Pelo menos cinco pessoas morreram e setenta ficaram feridas em um ataque com artilharia das Forças Armadas de Israel contra um hospital na zona central de Gaza, informaram fontes médicas e testemunhas. 

Israel, por sua vez, anunciou que sete soldados israelenses foram mortos nas últimas 24 horas em confrontos com o Hamas -- sem divulgar, porém, em que circunstâncias. 

Um médico afirmou que houve 12 disparos de mísseis contra o hospital Al Aqsa na cidade de Deir el-Balah, atingindo a unidade de terapia intensiva e o departamento cirúrgico. Segundo a Associated Press, metade dos feridos eram funcionários do hospital.

Fayez Zidane, médico no hospital, afirmou que os disparos atingiram os terceiro e quarto andares, bem como a recepção.

O Exército de Israel afirmou que está apurando o caso. Na semana passada, o hospital Shifa, em outra região de Gaza, havia sido bombardeado.

Mapa Israel, Cisjordânia e Gaza - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza
Imagem: Arte/UOL

O distrito de Al Aqsa foi um dos visitados pelo papa Francisco quando ele esteve na Terra Santa no fim de maio

No domingo, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) pediu "a imediata cessação de hostilidades" na faixa de Gaza e expressou sua "séria preocupação" com a escalada da violência na região.

Desde o dia 8 de julho, mais de 500 palestinos já morreram, incluindo cerca de 100 crianças, e cerca de 3.000 ficaram feridos no conflito em Gaza. O número de mortos aumentou depois do massacre de Shejaiya, neste sábado, o dia mais sangrento.

São 27 os israelenses mortos nos conflitos até o momento. O governo de Israel desmentiu o sequestro de um soldado por parte do Hamas. 

O ministro israelense da Defesa, Moshé Yaalon, disse que a "operação continuará até que seja retomada a calma" no sul do país e não excluiu  confirmou que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, está a caminho do Oriente Médio para possíveis tentativas de negociações no conflito entre israelenses e palestinos.

Em comunicados divulgados nesta segunda, vários líderes do Hamas reiteraram sua intenção de seguir adiante com sua luta armada para resistir à ofensiva militar que Israel iniciou em 8 de julho, e que a comunidade internacional procura interromper.

Obama

Em discurso nesta segunda, o presidente dos EUA, Barack Obama,  confirmou que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, está a caminho do Oriente Médio para possíveis tentativas de negociações no conflito entre israelenses e palestinos.

Obama voltou a dizer que "Israel tem o direito de se defender dos foguetes e túneis usados pelo Hamas" para atacar seu território, mas ressaltou que tem "sérias preocupações com o aumento de mortes de civis palestinos e de israelenses" em meio ao conflito que agora está em seu 14º dia.

De acordo com ele, o secretário Kerry vai se encontrar com aliados e parceiros para tentar um imediato fim das "hostilidades" na região. (Com agências internacionais)

Entenda a ofensiva de Israel em Gaza

  • Como o novo conflito começou?

    A tensão aumentou drasticamente após o sequestro de 3 jovens israelenses na Cisjordânia, em junho. Israel então fez missão de busca que prendeu 420 palestinos e matou 6 inocentes. Após 18 dias, os corpos dos jovens foram achados. Vários grupos jihadistas assumiram o crime. Mas Israel culpa o Hamas, que não se posicionou. Depois, um palestinos de 16 anos foi morto em Jerusalém por judeus radicais

  • Em qual contexto político o crime aconteceu?

    As relações entre os governos israelense e palestino já estavam tensas desde que, em abril, Hamas e Fatah anunciaram governo de unidade nas regiões autônomas palestinas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o novo governo reconhece os acordos de paz assinados, mas Israel acha que Abbas não pode fechar acordo com Israel e, ao mesmo tempo, com o Hamas, que quer a destruição de Israel

  • Por que a área do conflito é polêmica?

    Os jovens israelenses eram de assentamentos em território palestino da Cisjordânia considerados ilegais pela ONU por violar o artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, de 1949, que proíbe a transferência violenta de população civil para outro Estado. Israel discorda dessa interpretação e alegando que a área nunca teria sido parte de um Estado soberano e que o acordo não se aplica ali

  • Por que a ONU fala em "emergência humanitária"?

    A ofensiva de Israel está cada vez mais sangrenta. Em poucas semanas, mais de mil palestinos foram mortos nos ataques em Gaza, inclusive dezenas de idosos e crianças. Cerca de 53 mil soldados israelenses agem em uma pequena faixa de terra de 362 km2, ondem vivem meio à extrema pobreza 1,8 milhão de palestinos. A ONU diz que mais de 3/4 das vítimas são civis e já são mais de 80 mil desabrigados

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