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Internacional

Madrugada em Gaza tem 150 alvos bombardeados; mortes ultrapassam 600

Do UOL, em São Paulo

22/07/2014 08h49

Seis palestinos, entre eles três mulheres - uma delas grávida - e uma menina, morreram nesta terça-feira em bombardeios israelenses na faixa de Gaza após duas semanas de ofensiva israelense contra o Hamas, anunciaram fontes médicas palestinas.

Durante a madrugada, forças israelenses bombardearam mais de 150 alvos em Haza, entre eles a casa de um antigo líder do Hamas, cinco mesquitas e um complexo esportivo, segundo disse o porta-voz da polícia de Gaza, Ayman Batniji à Associated Press. Não houve vítimas nas mesquitas e no complexo esportivo, que incluía uma academia de ginástica e um campo de futebol. 

Dezenas de jornalistas e residentes de um edifício de Gaza fugiram depois que a Al Jazeera, com sede no prédio, anunciou ter sido alvo de disparos israelenses. Israel negou.

Mapa Israel, Cisjordânia e Gaza - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza
Imagem: Arte/UOL

A mulher grávida morreu em bombardeios em Beit Hanun, no norte do enclave palestino, perto da fronteira israelense, junto a uma menina de quatro anos, segundo a mesma fonte.

Outras duas mulheres, de 50 e 70 anos, morreram em um bombardeio em Zeitun, um bairro do sul da cidade de Gaza, e dois homens faleceram em Al-Qarara, no sul do território, segundo Ashraf al-Qudra, porta-voz dos serviços de emergência palestinos.

Os novos ataques deixaram 46 mortos e 200 feridos, segundo o Ministério da Saúde palestinos. Ao todo, o conflito deixou 609 palestinos mortos e mais de  3.700 feridos. 

Do lado israelense, 30 soldados foram mortos. Nesta terça, Israel confimou que um de seus soldados está desaparecido desde o fim de semana.

As autoridades israelenses acreditam que o militar, identificado como Oron Shaul, tenha sido morto.

O soldado fazia parte de um grupo de sete militares cujo veículo foi atacado quando passava por Shejaiya, próximo à Cidade de Gaza, no domingo. Seis dos militares foram mortos, mas um deles continua desaparecido e sequer foi identificado.

Mediação

O secretário de Estado americano, John Kerry, se comprometeu nesta terça-feira no Cairo a continuar a mediação até alcançar um cessar-fogo entre Israel e Hamas em Gaza, antes de sua reunião com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Araby.

Na sede da organização pan-árabe no Cairo, Kerry e Al Arabi analisaram o plano apresentado pelo Egito na semana passada de cessação das hostilidades.

Kerry, que chegou ontem à noite ao Cairo, pretende pressionar para que esta iniciativa seja aplicada, um passo que para ele depende do Hamas, que inicialmente rejeitou a proposta.

Já Arabi disse aos jornalistas ter esperança que as visitas de Kerry e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao Egito promovam um cessar-fogo.

Para ele a última resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre Gaza é insuficiente para frear a violência e agradeceu aos Estados Unidos pela ajuda humanitária de US$ 47 milhões para os palestinos da Faixa.

Antes da reunião com Arabi, o chefe da diplomacia americana se reuniu com seu colega egípcio, Sameh Shukri, também para analisar a situação em Gaza, onde em duas semanas de ofensiva israelense morreram mais de 580 palestinos e 27 soldados israelenses.

Entenda a ofensiva de Israel em Gaza

  • Como o novo conflito começou?

    A tensão aumentou drasticamente após o sequestro de 3 jovens israelenses na Cisjordânia, em junho. Israel então fez missão de busca que prendeu 420 palestinos e matou 6 inocentes. Após 18 dias, os corpos dos jovens foram achados. Vários grupos jihadistas assumiram o crime. Mas Israel culpa o Hamas, que não se posicionou. Depois, um palestinos de 16 anos foi morto em Jerusalém por judeus radicais

  • Em qual contexto político o crime aconteceu?

    As relações entre os governos israelense e palestino já estavam tensas desde que, em abril, Hamas e Fatah anunciaram governo de unidade nas regiões autônomas palestinas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o novo governo reconhece os acordos de paz assinados, mas Israel acha que Abbas não pode fechar acordo com Israel e, ao mesmo tempo, com o Hamas, que quer a destruição de Israel

  • Por que a área do conflito é polêmica?

    Os jovens israelenses eram de assentamentos em território palestino da Cisjordânia considerados ilegais pela ONU por violar o artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, de 1949, que proíbe a transferência violenta de população civil para outro Estado. Israel discorda dessa interpretação e alegando que a área nunca teria sido parte de um Estado soberano e que o acordo não se aplica ali

  • Por que a ONU fala em "emergência humanitária"?

    A ofensiva de Israel está cada vez mais sangrenta. Em poucas semanas, mais de mil palestinos foram mortos nos ataques em Gaza, inclusive dezenas de idosos e crianças. Cerca de 53 mil soldados israelenses agem em uma pequena faixa de terra de 362 km2, ondem vivem meio à extrema pobreza 1,8 milhão de palestinos. A ONU diz que mais de 3/4 das vítimas são civis e já são mais de 80 mil desabrigados

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