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Internacional

Ataque de Israel a escola da ONU usada como refúgio em Gaza mata 15

Do UOL, em São Paulo

24/07/2014 12h09Atualizada em 24/07/2014 13h58

Ao menos 15 pessoas morreram e 200 ficaram feridas em bombardeios atribuídos a Israel contra um abrigo da ONU na faixa de Gaza nesta quinta-feira (24). O local, uma escola da Agência de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNWRA) em Beit Hanoun, era usado por dezenas de pessoas como refúgio dos últimos confrontos na região entre Israel e o Hamas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o bombardeio foi "terrível", mas que "as circunstâncias ainda não estão claras".

Ban afirmou que funcionários da ONU estão entre os mortos.

Israel afirmou que está investigando o incidente e que o Hamas também estava disparando foguetes na região.

Mapa Israel, Cisjordânia e Gaza - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza
Imagem: Arte/UOL

Este foi o quarto ataque a uma instalação da ONU desde o início da ofensiva militar de Israel, em 8 de julho. Pela Convenção de Genebra, instalações do organismo são invioláveis.

Ashraf al-Kidra, porta-voz do Ministério da Saúde em Gaza, disse que os mortos e feridos na escola estavam entre as centenas que vêm buscando proteção dos pesados combates armados. 

Em 17 de julho, a UNWRA anunciou ter descoberto 20 foguetes do Hamas escondidos em uma de suas escolas vazias em Gaza. Na última terça-feira (22), mais foguetes foram encontrados, em outra escola vazia do organismo em Gaza.

Seis integrantes de uma mesma família e uma criança de um ano e meio de idade foram mortos no ataque, que aconteceu nas primeiras horas desta quinta-feira (24), de acordo com informações da polícia de Gaza e de autoridades de saúde. Outras 20 pessoas foram feridas, e equipes de resgate buscavam vítimas em meio aos escombros.

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    Batalha assimétrica

    O conflito entre militares israelenses e braços armados do Hamas e de outros grupos palestinos na faixa de Gaza é uma clássica batalha assimétrica. Os dois lados estão longe de serem equiparáveis em termos de poder de fogo, mas ainda assim podem exercer grande pressão um sobre o outro.

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    Brasileiros na região

    A freira brasileira Maria Laudis teve que abandonar a igreja e todos seus pertences na casa onde morava na faixa de Gaza para proteger a própria vida. O imóvel ao lado de onde a religiosa pernambucana vivia foi alvo de um dos projéteis lançados por Israel.

A chefe humanitária da ONU, Valerie Amos, disse que é “vital” chegar a um cessar-fogo.

“Nós temos 118 mil pessoas se abrigando em escolas da ONU, as pessoas estão ficando sem comida. Água também é uma séria preocupação”, declarou à BBC.

De acordo com Amos, residentes da faixa de Gaza também estão ficando sem alimentos.

O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou hoje que lamentava cada morte de palestinos civis, mas que elas eram “a responsabilidade do Hamas”.

Agentes da ONU afirmaram que têm tentado, durante o dia todo, uma negociação com o Exército de Israel para que civis possam usar uma ‘janela de tempo’ nos bombardeios para deixar a área, mas isso ainda não havia sido concedido.

Segundo Chris Gunness, porta-voz da agência de Obras Públicas e Socorro para os refugiados palestinos, o Exército de Israel havia sido formalmente informado das coordenadas do abrigo em Beit Hanoun justamente para evitar ataques.

O IDF (Forças de Defesa de Israel, em inglês), disse em um comunicado que estava em meio a um combate "com terroristas do Hamas na área de Beit Hanoun, que estavam usando infraestrutura de civis e símbolos internacionais como escudos humanos".

"Durante a tarde, vários foguetes lançados pelo Hamas da faixa de Gaza caíram na área de Beit Hanoun. O IDF está revisando o incidente", disse o comunicado.

Israel insiste que faz o máximo para evitar baixas entre civis, mas alega que o Hamas coloca os palestinos em perigo ao esconder armas e militantes em áreas civis.

O porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, condenou a violência dizendo que Israel mirava pessoas deslocadas e "cometia massacres". (Com BBC e agências internacionais)

Entenda a ofensiva de Israel em Gaza

  • Como o novo conflito começou?

    A tensão aumentou drasticamente após o sequestro de 3 jovens israelenses na Cisjordânia, em junho. Israel então fez missão de busca que prendeu 420 palestinos e matou 6 inocentes. Após 18 dias, os corpos dos jovens foram achados. Vários grupos jihadistas assumiram o crime. Mas Israel culpa o Hamas, que não se posicionou. Depois, um palestinos de 16 anos foi morto em Jerusalém por judeus radicais

  • Em qual contexto político o crime aconteceu?

    As relações entre os governos israelense e palestino já estavam tensas desde que, em abril, Hamas e Fatah anunciaram governo de unidade nas regiões autônomas palestinas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o novo governo reconhece os acordos de paz assinados, mas Israel acha que Abbas não pode fechar acordo com Israel e, ao mesmo tempo, com o Hamas, que quer a destruição de Israel

  • Por que a área do conflito é polêmica?

    Os jovens israelenses eram de assentamentos em território palestino da Cisjordânia considerados ilegais pela ONU por violar o artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, de 1949, que proíbe a transferência violenta de população civil para outro Estado. Israel discorda dessa interpretação e alegando que a área nunca teria sido parte de um Estado soberano e que o acordo não se aplica ali

  • Por que a ONU fala em "emergência humanitária"?

    A ofensiva de Israel está cada vez mais sangrenta. Em poucas semanas, mais de mil palestinos foram mortos nos ataques em Gaza, inclusive dezenas de idosos e crianças. Cerca de 53 mil soldados israelenses agem em uma pequena faixa de terra de 362 km2, ondem vivem meio à extrema pobreza 1,8 milhão de palestinos. A ONU diz que mais de 3/4 das vítimas são civis e já são mais de 80 mil desabrigados