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Internacional

Mais de 80 corpos são retirados de escombros durante trégua em Gaza

Do UOL, em São Paulo

26/07/2014 08h05Atualizada em 26/07/2014 10h50

Ao menos 85 corpos foram encontrados neste sábado (26) entre escombros na faixa de Gaza, segundo um balanço divulgado por equipes de resgate palestinas cinco horas após a entrada em vigor de uma trégua humanitária de 12 horas, que começou às 8h locais (2h de Brasília).

Antes do início do  do cessar-fogo, pelo menos 12 pessoas, todas identificadas como civis, morreram em um bombardeio israelense sobre um edifício de três andares na cidade de Khan Yunes, no sul da faixa de Gaza. Cerca de 50 pessoas ficaram feridas no bombardeio.

Com isso, segundo o ministério da Saúde local, o número de mortos na ofensiva militar israelense em Gaza chegou a 985 e pode passar de 1.000 nas próximas horas, segundo a agência de notícias EFE. "Em 19 nove dias de bombardeios e ataques, o número de mortos subiu para 985, e o de feridos passou de 6 mil", informou o ministério.

O Ministério da Saúde do território palestino informou em um comunicado que o incidente aconteceu antes do amanhecer, quando as forças aéreas israelenses atacaram um conjunto residencial da cidade. Os intensos e constantes ataques por terra, mar e ar do exército israelense não tinham permitido até o momento a ambulâncias e médicos se aproximarem de algumas áreas de Gaza que foram mais atingidas.

Muitos palestinos aproveitaram o breve respiro para voltar aos seus bairros devastados, onde os cadáveres e os escombros se acumulavam.

Equipes de resgate e jornalistas descreviam cenas de desolação: casas que desabaram, corpos enegrecidos entre as ruínas e poças de sangue sobre as marcas dos tanques israelenses.

Após cinco horas de trégua, ao menos 85 corpos haviam sido encontrados entre os escombros, segundo as equipes de resgate locais.

No setor de Beit Hanun, correspondentes da AFP viram o corpo de um socorrista da Cruz Vermelha em um hospital em parte destruído por um ataque israelense.

O Hamas desaconselhou os deslocados pelo conflito - mais de 160.000, segundo a ONU - a se aproximar dos imóveis bombardeados e das zonas de combate pela possível presença de artefatos.

O exército israelense também recomendou que os habitantes não voltassem as suas casas neste minúsculo território onde cerca de 1,8 milhão de pessoas vivem na miséria.

Extensão de cessar-fogo 

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, declarou que, junto com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu uma trégua humanitária de sete dias coincidindo com a festividade do "Eid ul-Fitr", que marca o fim do Ramadã. Porém, essa negociação com Israel ainda está em curso.

No entanto, logo em seguida, o Ministério da Defesa israelense emitiu comunicado pedindo às tropas que "se preparem para a possibilidade de que o Exército ordene uma expansão da operação em Gaza muito em breve".

"O que se discute é uma trégua humanitária de sete dias para permitir que todas as partes negociem no Cairo", havia explicado antes à AFP uma autoridade ligada ao presidente palestino, Mahmud Abbas.

Ministros das Relações Exteriores de sete países pediram neste sábado a extensão do cessar-fogo de 12 horas entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius. 

"Todos nós pedimos que os envolvidos estendam o cessar-fogo militar que está atualmente em andamento", disse Fabius a jornalistas após reunião que incluiu os ministros das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Catar, Turquia e Estados Unidos, além de uma autoridade da União Europeia.

 

Entenda a ofensiva de Israel em Gaza

  • Como o novo conflito começou?

    A tensão aumentou drasticamente após o sequestro de 3 jovens israelenses na Cisjordânia, em junho. Israel então fez missão de busca que prendeu 420 palestinos e matou 6 inocentes. Após 18 dias, os corpos dos jovens foram achados. Vários grupos jihadistas assumiram o crime. Mas Israel culpa o Hamas, que não se posicionou. Depois, um palestinos de 16 anos foi morto em Jerusalém por judeus radicais

  • Em qual contexto político o crime aconteceu?

    As relações entre os governos israelense e palestino já estavam tensas desde que, em abril, Hamas e Fatah anunciaram governo de unidade nas regiões autônomas palestinas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o novo governo reconhece os acordos de paz assinados, mas Israel acha que Abbas não pode fechar acordo com Israel e, ao mesmo tempo, com o Hamas, que quer a destruição de Israel

  • Por que a área do conflito é polêmica?

    Os jovens israelenses eram de assentamentos em território palestino da Cisjordânia considerados ilegais pela ONU por violar o artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, de 1949, que proíbe a transferência violenta de população civil para outro Estado. Israel discorda dessa interpretação e alegando que a área nunca teria sido parte de um Estado soberano e que o acordo não se aplica ali

  • Por que a ONU fala em "emergência humanitária"?

    A ofensiva de Israel está cada vez mais sangrenta. Em poucas semanas, mais de mil palestinos foram mortos nos ataques em Gaza, inclusive dezenas de idosos e crianças. Cerca de 53 mil soldados israelenses agem em uma pequena faixa de terra de 362 km2, ondem vivem meio à extrema pobreza 1,8 milhão de palestinos. A ONU diz que mais de 3/4 das vítimas são civis e já são mais de 80 mil desabrigados

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