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Internacional

Hamas rejeita manter trégua em Gaza; foguetes são lançados contra Israel

Do UOL, em São Paulo

08/08/2014 04h43Atualizada em 08/08/2014 11h13

O movimento islâmico Hamas, no poder na faixa de Gaza, anunciou na manhã desta sexta-feira (8), no Cairo, que não manterá a trégua com Israel em vigor há três dias, diante da recusa do Estado hebreu em aceitar suas exigências.

Mapa Israel, Cisjordânia e Gaza - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza
Imagem: Arte/UOL

Dois altos dirigentes do Hamas que viajaram ao Cairo para negociar a ampliação do cessar-fogo revelaram à AFP que o movimento islâmico recusou a manutenção da trégua no conflito que já matou 1.890 palestinos - essencialmente civis - e 67 israelenses, a grande maioria militares.

"Nos recusamos a prolongar o cessar-fogo, é uma decisão final, Israel não propôs nada", declarou à AFP um membro da delegação do Hamas nas negociações no Cairo. Israel "não aceitou acabar com o bloqueio" sobre a faixa de Gaza, explicou o responsável do Hamas no Cairo.

A decisão do Hamas foi sucedida, segundo o Exército de Israel, do lançamento de pelo menos dez foguetes contra Israel, pouco antes do término do cessar-fogo, às 2h de Brasília.

Um dos foguetes foi abatido pelo sistema antimisséis "Domo de Ferro" sobre a cidade de Ashkelon, e um segundo caiu em um terreno descampado do município de Hof Ashkelon.

Os outros projéteis caíram em locais desabitados. Em um breve comunicado para a imprensa, a Jihad Islâmica reivindicou a autoria dos lançamentos de foguetes.

Já o movimento islamita Hamas se limitou a dizer que não foi acordada nenhuma prorrogação da trégua, mas que as negociações no Cairo, a capital do Egito, continuam. Para Sami Abu Zuhri, o porta-voz do Hamas, as acusações de disparos por Israel "servem apenas para criar confusão e misturar as coisas".

Durante uma longa reunião noturna, os mediadores egípcios insistiram com os palestinos na tentativa de obter uma prorrogação do cessar-fogo.

Israelenses e palestinos realizavam no Cairo negociações bastante difíceis, com mediação do Egito, com a esperança de transformar o cessar-fogo em uma trégua duradoura.

Durante a quinta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse "não estar certo de que a batalha tenha terminado".

Entenda o conflito entre israelenses e palestinos

"Tudo depende de se querem continuar essa batalha. Eu acho que devemos encontrar uma solução pacífica. Sim, é possível", declarou o premiê, garantindo que Israel não tem "nada contra o povo de Gaza" e quer ajudá-lo a se livrar da "tirania espantosa" do Hamas, a organização islâmica que controla a faixa de Gaza.

O braço armado do Hamas - as Brigadas Al-Qassam - apelava à delegação palestina no Cairo para que não aceitasse um cessar-fogo sem "a satisfação das demandas do nosso povo" e garantia sua "disposição para uma nova batalha".

Entre as demandas estavam a construção de um porto marítimo, "um fim real da agressão (israelense) e uma verdadeira suspensão do cerco" à faixa de Gaza.

Mesmo antes da decisão do Hamas, os palestinos acreditavam na retomada dos combates na manhã de sexta-feira, disse uma fonte palestina à AFP.

"Se Israel continuar ganhando tempo, não vamos prolongar o cessar-fogo", declarou à AFP um membro da delegação palestina no Cairo, que pediu para não ser identificado.

Ansioso para ditar seus termos nas negociações para não parecer que cede às reivindicações do Hamas, Israel havia tomado a dianteira na noite de quarta-feira e anunciado sua disposição de estender a trégua de forma ilimitada, sem qualquer condição.

Iniciada em 8 de julho passado, a operação israelense Barreira Protetora matou 1.890 palestinos, incluindo 430 crianças, de acordo com o Ministério palestino da Saúde. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 73% das vítimas são civis. Do lado israelense, 64 soldados e três civis morreram.

A guerra também pulverizou a já fragilizada economia da faixa de Gaza, um pequeno território de 360 km2, no qual 1,8 milhão de pessoas tentam sobreviver ao bloqueio imposto por Israel.

'Resistência, resistência, resistência'

Durante a trégua, os moradores de Gaza tentaram retomar a normalidade, e se viram engarrafamentos e lojas abertas na região. As imagens de pessoas morando em abrigos improvisados em meio às ruínas de suas casas não deixaram esquecer, porém, as semanas de conflito.

Na quinta à tarde, centenas de palestinos foram às ruas, atendendo a um apelo do Hamas, para reivindicar a vitória militar.

"Fomos vitoriosos no campo de batalha e, com a permissão de Deus, também seremos na arena política", afirmou o deputado Mushir al-Masri de uma tribuna.

"Resistência, resistência, resistência", gritou a multidão em resposta.. (Com agências internacionais)

Conheça os pontos da negociação entre Israel e palestinos

  • Reprodução/BBC

    Estado palestino

    Os palestinos querem um Estado plenamente soberano e independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental. Israel quer um Estado palestino desmilitarizado, presença militar no Vale da Cisjordânia da Jordânia e manutenção do controle de seu espaço aéreo e das fronteiras exteriores

  • Mohamad Torokman/Reuters

    Fronteiras e assentamentos judeus

    Os palestinos querem que Israel saia dos territórios que ocupou após a Guerra dos Seis Dias (1967) e desmantele por completo os assentamentos judeus que avançam a fronteira, considerados ilegais pela ONU. Qualquer área dada a Israel seria recompensada. Israel descarta voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas aceita deixar partes da Cisjordânia se puder anexar os maiores assentamentos.

  • Cindy Wilk/UOL

    Jerusalém

    Israel anexou a área árabe da Jordânia após 1967 e não aceita a dividir Jerusalém por considerar o local o centro político e religioso da população judia. Já os palestinos querem o leste de Jerusalém como capital do futuro Estado da Palestina. O leste de Jerusalém é considerado um dos lugares sagrados do Islã. A comunidade não reconhece a anexação feita por Israel.

  • Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos

    Refugiados

    Há cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, a maioria deles descendentes dos 760 mil palestinos que foram expulsos de suas terras na criação do Estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça seu "direito ao retorno", o que Israel rejeita por temer a destruição do Estado de Israel pela demografia. Já Israel quer que os palestinos reconheçam seu Estado.

  • Mahfouz Abu / EFE

    Segurança

    Israel teme que um Estado palestino caia nas mãos do grupo extremista Hamas e seja usado para atacar os judeus. Por isso, insiste em manter medidas de segurança no vale do rio Jordão e pedem que o Estado palestino seja amplamente desmilitarizado. Já os palestinos querem que seu Estado tenha o máximo de atributos de um Estado comum.

  • Abbas Momani/AFP

    Água

    Israel controla a maioria das fontes subterrâneas da Cisjordânia. Os palestinos querem uma distribuição mais igualitária do recurso.

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