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Internacional

Novo cessar-fogo, de 72 horas, começa a vigorar na faixa de Gaza

Do UOL, em São Paulo

10/08/2014 14h31Atualizada em 11/08/2014 07h24

Um novo cessar-fogo na faixa de Gaza foi aceito por Israel e os palestinos neste domingo (10), segundo fontes palestinas e israelenses. O acordo teve a mediação egípcia e começou a  vigorar por 72 horas a partir de meia-noite do horário local (18h na hora de Brasília).

Uma fonte palestina informou que houve um consenso entre as duas partes, mediado pelo Egito. Segundo a rede britânica BBC, um alto oficial israelense que Israel aceitou a proposta do Egito para o cessar-fogo. "Israel aceitou a proposta do Egito de um cessar-fogo de 72 horas". O jornal israelense Haaretz também informou o acordo foi aceito por Israel. 

Mapa Israel, Cisjordânia e Gaza - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza
Imagem: Arte/UOL

Izzat al-Reshiq, um negociador do Hamas no Cairo, disse à agência de notícias Reuters que "em vista da aceitação de Israel à trégua e a sua retirada incondicional, informaremos os irmãos egípcios sobre a nossa resposta positiva".

O braço armado Hamas --as Brigadas Ezzedin al-Qassam-- divulgou um comunicado neste domingo à noite, anunciando que lançou vários foguetes para Israel. Um deles foi contra Tel-Aviv, do tipo M75, alguns minutos antes do início da trégua. Segundo o Exército israelense, esse disparo de foguete para Tel-Aviv não alcançou zonas habitadas.

Autoridades israelenses consultadas pela agência de notícias Associated Press disseram que o acordo foi aceito neste domingo, mas que os israelenses estão cautelosos por causa dos retrocessos na última semana. As fontes israelenses falaram sob a condição de anonimato porque não foram autorizados para falar com a imprensa. 

O Egito está tentando manter conversas indiretas entre Israel e palestinos, depois que uma trégua de três dias expirou na sexta-feira e os confrontos foram retomados.

Segundo o porta-voz do ministério das Relações Exteriores egípcio, Bader Abdelatty, o Egito está "convidando" os dois lados para iniciar o cessar-fogo a meia-noite (18 horas de Brasília) para que os dois lados usem a oportunidade para retomar as conversações indiretas no Cairo e permitir que ajuda humanitária seja entregue às vítimas.

Mais cedo, Israel afirmou que está preparado para ações militares prolongadas em Gaza e que não negociará sob ataque de foguetes.""Israel não negociará sob fogo. (...) Em nenhum momento declaramos que (a ofensiva militar de Israel) havia terminado. A operação continuará até que seu objetivo --a restauração da paz por um período prolongado --for atingido", afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em declarações públicas na reunião semanal de gabinete. "Eu disse no começo e durante a operação --isso levará tempo, e energia será necessária".

Trégua prolongada

Apesar do novo acordo entre Israel e Hamas, a trégua prolongada dos ataques ainda depende de um consenso. O chefe do Hamas, Khaled Mechaal, em uma entrevista exclusiva à agência de notícias AFP, atrelou esse possível cessar-fogo duradouro à suspensão do bloqueio a Gaza.

"A trégua é um dos meios ou das táticas destinadas a fazer com que as negociações deem resultado, ou enviar ajuda humanitária", afirmou Mechaal, acrescentando que "o objetivo atual, indispensável para nós, é que os pedidos palestinos sejam satisfeitos e que a faixa de Gaza viva sem o bloqueio", acrescentou.

"Insistimos neste objetivo e, em caso de dúvida e da continuação da agressão, o Hamas e outras facções palestinas estão dispostos a resistir no terreno e no plano político (...) e a enfrentar todas as eventualidades", acrescentou.

Azzan Al-Amã, um membro sênior do Comitê Central do Fatah e do chefe da delegação palestina para negociações de trégua no Cairo, disse que "qualquer resultado na sequência das negociações com Israel será o único tratado pelos ramos do governo da Autoridade Palestina", a Palestina TV está relatando.   

Já Izzat al-Rishq, outro porta-voz do Hamas, disse à uma televisão palestina que o grupo está disposto a permitir que a "Autoridade Palestina" se encarregue de reconstruir Gaza e implemente o que os palestinos vão acordar "com os israelenses".

Argumento também usado pelo Egito nas intermediações do acordo. Segundo o chefe da inteligência egípcia, Mohamed Ahmed Fareed Al-Tuhami, um cessar-fogo permanente significa "a Autoridade Palestina controlar Gaza". Ele enfatizou ainda que será a "Autoridade Palestina e, não o Hamas" que vai intermediar o movimento fronteiriço entre Gaza e Cisjordânia. 

Novos ataques

Ataques aéreos de Israel mataram três palestinos em Gaza, incluindo dois menores, no terceiro dia de novos conflitos. A informação foi confirmada pelo porta-voz do Ministério da Saúde, Ashraf al Qedra, que acrescentou a existência de 20 feridos em diferentes pontos da Faixa de Gaza. 

Desde a última sexta-feira (8), com o fim de um trégua de três dias, 25 palestinos morreram e outros cinquenta ficaram feridos. Os ataques da força aérea israelense, como justificou o governo do Estado judeu, foram uma resposta ao disparo de pelo menos trinta foguetes e bombas de Gaza contra Israel, que não causaram vítimas.

Foram encontrados ainda, segundo Qedra, o corpo de mais dez pessoas entre os escombros de vários imóveis destruídos em ataques anteriores. 

Em mais de um mês da ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, que começou em 8 de julho, o "número de mortos chegou a 1.928 e de feridos a cerca de 10 mil, dois terços destes civis, incluídos mulheres e crianças", disse Qedra.

Ainda assim a pressão internacional para um cessar-fogo prolongado tem sido mais fraca do que em rodadas anteriores do conflito entre israelenses e palestinos dadas outras crises de segurança internacional.

Conheça os pontos da negociação entre Israel e palestinos

  • Reprodução/BBC

    Estado palestino

    Os palestinos querem um Estado plenamente soberano e independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental. Israel quer um Estado palestino desmilitarizado, presença militar no Vale da Cisjordânia da Jordânia e manutenção do controle de seu espaço aéreo e das fronteiras exteriores

  • Mohamad Torokman/Reuters

    Fronteiras e assentamentos judeus

    Os palestinos querem que Israel saia dos territórios que ocupou após a Guerra dos Seis Dias (1967) e desmantele por completo os assentamentos judeus que avançam a fronteira, considerados ilegais pela ONU. Qualquer área dada a Israel seria recompensada. Israel descarta voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas aceita deixar partes da Cisjordânia se puder anexar os maiores assentamentos.

  • Cindy Wilk/UOL

    Jerusalém

    Israel anexou a área árabe da Jordânia após 1967 e não aceita a dividir Jerusalém por considerar o local o centro político e religioso da população judia. Já os palestinos querem o leste de Jerusalém como capital do futuro Estado da Palestina. O leste de Jerusalém é considerado um dos lugares sagrados do Islã. A comunidade não reconhece a anexação feita por Israel.

  • Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos

    Refugiados

    Há cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, a maioria deles descendentes dos 760 mil palestinos que foram expulsos de suas terras na criação do Estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça seu "direito ao retorno", o que Israel rejeita por temer a destruição do Estado de Israel pela demografia. Já Israel quer que os palestinos reconheçam seu Estado.

  • Mahfouz Abu / EFE

    Segurança

    Israel teme que um Estado palestino caia nas mãos do grupo extremista Hamas e seja usado para atacar os judeus. Por isso, insiste em manter medidas de segurança no vale do rio Jordão e pedem que o Estado palestino seja amplamente desmilitarizado. Já os palestinos querem que seu Estado tenha o máximo de atributos de um Estado comum.

  • Abbas Momani/AFP

    Água

    Israel controla a maioria das fontes subterrâneas da Cisjordânia. Os palestinos querem uma distribuição mais igualitária do recurso.

(com as agências internacionais)

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