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Terror na França: relembre os ataques desde a chacina na Charlie Hebdo

Bertrand Guay/AFP
Jornalistas da agência France Presse prestam homenagem às vítimas do atentado à "Charlie Hebdo'' Imagem: Bertrand Guay/AFP

Do UOL, em São Paulo

2015-01-09T18:58:51

09/01/2015 18h58

Em três dias consecutivos, a França viveu momentos de tensão diante de uma sequência de atentados terroristas praticados por radicais islâmicos. Dezessete pessoas morreram: 12 no atentado à revista "Charlie Hebdo", uma policial em Montrouge e quatro no sequestro a uma loja judaica. Além delas, três extremistas envolvidos nos ataques foram mortos pela polícia. O último ato terrorista mais mortal no país havia ocorrido há 54 anos, com 27 vítimas.

Acompanhe abaixo a sequência de fatos, do ataque a jornalistas ao sequestro simultâneo de reféns:

Chacina em revista que caricaturou Maomé

Na quarta-feira (7), por volta de 11h30 (8h30, no horário de Brasília), dois homens vestidos de preto, encapuzados e armados com fuzis automáticos abrem fogo na redação de "Charlie Hebdo", em plena reunião de pauta, aos gritos de "Allah akbar" (Alá é grande).

Onze pessoas são assassinadas na sede do jornal e um policial na saída, que era muçulmano. Entre elas, estão o diretor da revista e mais seis jornalistas. Os dois fogem de carro rumo à zona nordeste de Paris, onde trocam de veículo ao render um motorista.

O presidente François Hollande vai ao local do atentado, lança um apelo à "Unidade nacional" e decreta um dia de luto para o dia seguinte.

A polícia persegue os irmãos Chérif e Said Kouachi, de 32 e 34 anos, nascidos em Paris, de pais argelinos. O primeiro já foi condenado em 2008 por ter atuado em um grupo que enviava jihadistas ao Iraque. O segundo foi treinado pela Al Qaeda no Iêmen em 2011.

Reações comovidas tomam conta do mundo inteiro, com o lema "Je suis Charlie" (Sou Charlie) espalhado nas ruas e nas redes sociais, bem como homenagens de chargistas em todo o mundo por meio de desenhos. Durante a noite, mais de cem mil pessoas manifestam na França e várias outras se reúnem em outras cidades do mundo, inclusive no Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Morte de policial e caçada sem precedentes

Mais de 88 mil agentes de segurança na França são mobilizados para prevenir novos ataques e perseguir os suspeitos pelo atentado, em uma caçada sem precedentes na história do país.

Mesmo assim, na manhã de quinta-feira (8), uma guarda municipal é morta a tiros e outro funcionário é gravemente ferido em Montrouge, no sul de Paris. O autor do tiroteio consegue escapar, mas ainda não é sabido se ele estaria envolvido com os autores do atentado à revista.

Os irmãos Kouachi são reconhecidos durante a manhã pelo gerente de um posto de gasolina que assaltaram, perto de Villers-Cotterêt, a 80 km ao nordeste da capital. Policiais vasculham a área, sem sucesso.

A maioria das capas de jornais têm a cor dominante preta em sinal de luto, e anônimos colocam flores, lápis, velas e mensagens perto da sede de "Charlie Hebdo". Ao meio dia, o país todo respeita um minuto de silêncio, enquanto os sinos dobram na catedral Notre Dame de Paris. As luzes da torre Eiffel, outro cartão postal da cidade, são desligadas por alguns instantes às 20h locais.

Chérif e Said Kouachi são chamados 'heróis jihadistas' pela rádio da organização terrorista Estado Islâmico. Ele figuram há anos na lista negra do terrorismo do FBI americano.

Uma grande mobilização dos grupos de mídia na França tem início para garantir a continuidade da "Charlie Hebdo", que anuncia a tiragem de 1 milhão de exemplares para sua próxima edição. O Ministério da Cultura promete 1 milhão de euros em ajuda à revista e o jornal "Libération" oferece suas dependências à equipe remanescente da "Charlie".

Sequestro duplo em zona industrial e loja judaica

Na sexta-feira (9), a caçada continua e um forte tiroteio começa em um bloqueio policial, após os irmãos terem sido reconhecidos por um motorista que teve seu carro roubado.

Os fugitivos, que ainda possuem armamento pesado, estão entrincheirados em uma pequena gráfica situada em uma zona industrial da cidade de Dammartin-en-Goële, a 20 quilômetros do aeroporto internacional de Roissy, cujo plano de voo foi modificado. Um refém está no local, porém escondido dos irmãos Kouachi.

A pequena cidade de 8.000 habitantes é cercada pelas autoridades, enquanto helicópteros sobrevoam a área. Várias escolas são evacuadas, e outras mantém as crianças confinadas.

O presidente Hollande renova seu apelo à "Unidade Nacional" e chama "todos os cidadãos" a comparecer às ruas para a manifestação marcada para o domingo (11) em homenagem às vítimas.

O suspeito do tiroteio de Montrouge, que matou a policial, é identificado, e várias fontes policiais afirmam que uma "conexão" foi estabelecida entre este suspeito e os irmãos Kouachi.

Todas as mesquitas da França são convidadas a homenagear as vítimas do atentado.

Perto das 13h locais (10h de Brasília), pelo menos duas pessoas são mortas em um tiroteio na Porte de Vincennes, ao leste de Paris, e várias são feitas reféns em um mercado judaico.

Havia suspeitas de que o sequestrador fosse o atirador de Montrouge, identificado como Amedy Coulibaly, 32, que conhece pelo menos um dos irmãos Kouachi e já foi condenado em um caso de tentativa de fuga de prisão de outro jihadista.

A polícia divulga retratos de Coulibaly e de uma mulher, Hayat Boumeddiene, 26, também suspeita do ataque em Montrouge.

Operação de resgate simultânea

Depois de um cerco que se arrasta por horas, os sequestros chegam ao fim com dois ataques praticamente simultâneos aos jihadistas entrincheirados na gráfica e no mercado. As ações foram iniciadas pouco depois das 17h locais (14h no horário de Brasília).

Em Dammartin-en-Goële, os irmãos Kouachi foram mortos quando saíram atirando por estarem acuados, e o refém foi libertado são e salvo.

No entanto, no mercado judaico de Porte de Vincennes, em Paris, a ação deixa cinco mortos, inclusive o sequestrador, além de quatro feridos graves, de acordo com fontes de segurança.

Imagens muito fortes da televisão francesa mostraram o ataque do polícia na porta da loja, com forte tiroteio, e reféns saindo e sendo levados a salvo atrás de um veículo blindado.

O presidente François Hollande classifica as mortes nos atentados como "tragédia nacional" e afirma que o perigo ainda não acabou. 

Um canal de TV afirma ter falado com Chérif Kouachi, na manhã de sexta-feira, e com Amedy Coulibaly, à tarde. Kouachi teria dito pertencer à Al Qaeda no Iêmen; já Coulibaly diz integrar grupo radical Estado Islâmico.

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