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Suspeito de ataques na Dinamarca tinha 22 anos; polícia não divulga nome

Imagem divulgada pela Polícia de Copenhague feita em 2013 traz o homem suspeito de cometer dois ataques que deixaram dois mortos e 5 feridos em Copenhague - Polícia da Dinamarca/HO/AFP
Imagem divulgada pela Polícia de Copenhague feita em 2013 traz o homem suspeito de cometer dois ataques que deixaram dois mortos e 5 feridos em Copenhague Imagem: Polícia da Dinamarca/HO/AFP

Do UOL, em São Paulo*

15/02/2015 16h33Atualizada em 15/02/2015 18h11

O homem suspeito de ter atacado uma sinagoga em Copenhague e um centro cultural onde se realizava um debate sobre liberdade de expressão, no último sábado (14), nasceu na Dinamarca, tinha 22 anos e era conhecido da polícia por seus antecedentes criminais, disse a polícia em comunicado neste domingo (15).

A polícia informou ter identificado o homem, que foi morto em um tiroteio na manhã deste domingo, mas não divulgou o nome. Afirmou simplesmente que os primeiros elementos, incluindo seus antecedentes, dão a entender que tinha simpatia pela ideologia de organizações como o Estado Islâmico.

A imprensa local, entretanto, começa a divulgar que ele se chamava Omar Abdel Hamid al Hussein. De acordo com a emissora pública "DR", o jovem tinha saído da prisão há duas semanas após cumprir uma parte da pena por causa de um ataque com faca em um trem no segundo semestre de 2013. A polícia não confirmou essas informações até agora.

Os motivos dos ataques --que deixaram duas pessoas mortas e outras cinco feridas-- ainda não estão claros, nem houve qualquer reivindicação por parte de grupos extremistas

"Não conhecemos o motivo dos atos do suposto autor, mas sabemos que há forças que desejam o mal a países como a Dinamarca. Querem subjugar nossa liberdade de expressão", disse a primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt.

No sábado (16), uma pessoa foi morta e três policiais foram feridos quando um homem abriu fogo em um centro cultural. No local era realizado um debate sobre blasfêmia e liberdade de expressão.

No segundo ataque, um judeu foi assassinado e dois policiais foram feridos próximo à principal sinagoga da cidade.

A polícia afirmou que imagens gravadas por câmeras de segurança embasam a suspeita de que o mesmo atirador foi o responsável pelos dois ataques. As autoridades do país dizem acreditar que não há mais suspeitos envolvidos.

Após os ataques, agentes das forças de segurança do país começaram a vigiar uma propriedade para a qual acreditava-se que o suspeito voltaria. Ao chegar e ver os policiais, o homem teria começado a disparar --sendo morto na troca de tiros.

O correspondente da BBC em Copenhague, Malcolm Brabant, disse que a cidade está em alerta após os ataques.

Debate

Entre os participantes do debate onde ocorreu o primeiro ataque estava Lars Vilks, um polêmico cartunista sueco que já foi ameaçado de morte depois de fazer charges do profeta Maomé. Ele não foi ferido durante o ataque.

O embaixador francês, François Zimeray, também participava da reunião. Logo depois do incidente, foi postada uma mensagem no Twitter do embaixador informando que ele está vivo.

Testemunhas

Em uma gravação de áudio feita dentro do local do ataque e obtida pela BBC é possível ouvir muitos tiros interrompendo as discussões.

Niels Ivar Larsen testemunhou o ataque e disse à agência de notícias Associated Press: "ouvi alguém disparando com uma arma automática e alguém gritando".

"A polícia reagiu atirando e eu me escondi atrás do bar", acrescentou. Segundo Brabant, a área em volta do local do debate foi isolada pela polícia.

Charlie Hebdo

O seminário foi descrito no site pessoal do cartunista Lars Vilks como um debate sobre se deveria existir limite para a expressão artística ou para a liberdade de expressão.

A descrição do evento perguntava se artistas poderiam "ousar" e cometer blasfêmia depois de ataques como o ocorrido contra a revista satírica francesa Charlie Hebdo, que ocorreu no mês passado em Paris.

Dois atiradores invadiram o escritório da Charlie Hebdo e mataram 12 pessoas, incluindo dois policiais. Os irmãos Cherif e Said Kouachi, mortos pela polícia dois dias mais tarde, foram motivados pelas polêmicas charges do profeta Maomé feitas pela revista - quatro cartunistas também morreram.

Lars Vilks já sofreu ameaças e os organizadores do evento deste sábado informaram no site que haveria "segurança rigorosa", como de costume em todos os eventos em que ele se pronunciava em público.

Uma organizadora do seminário, Helle Merete Brix, disse à BBC que o local estava sendo vigiado por policiais armados e agentes de segurança do serviço secreto da Dinamarca, além dos seguranças do próprio cartunista. Helle afirmou que considera o incidente como um ataque contra Vilks.

Em 2007 Vilks fez uma charge do profeta Maomé fantasiado de cachorro. Em 2010 dois irmãos tentaram incendiar a casa do cartunista, no sul da Suécia, e foram presos.

Em maio daquele mesmo ano ele foi atacado por manifestantes muçulmanos durante uma palestra sobre liberdade de expressão na Universidade de Uppsala, na Suécia.

E, em março de 2013, Vilks foi colocado na lista dos "mais procurados" pela Al Qaeda da Península Árabe.

Charges mostrando o profeta Maomé foram publicadas por um jornal da Dinamarca em 2005, o que desencadeou protestos violentos em países muçulmanos.

* Com Reuters, BBC e EFE

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