Mãe de adolescente detida nos EUA não tem data para buscá-la; família nega contato via internet

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook/Anna Dutra

Ainda não há data para o retorno de Anna Beatriz Theophilo Dutra, 17, ao Brasil. A estudante de Palmas (TO) foi detida em Detroit (EUA) no dia 18 de abril, acusada de viajar com visto de turista para permanecer em solo americano como estudante. Desde então, está em um abrigo para menores em Chicago.

A informação foi confirmada por Leide Theophilo, mãe da adolescente. Em contato com o UOL, a jornalista disse que aguarda um aval das autoridades dos EUA para viajar ao país com a documentação necessária para liberar a filha.

"Segundo informações, preciso receber uma ligação falando quais documentos preciso levar, que devem ser traduzidos por alguém juramentado", disse Leide, segundo a qual ainda não há previsão para viajar a Detroit.

No início do ano, Anna Beatriz foi a Miami com o pai e a Nova York com a mãe. Desta vez, foi ao país a convite de uma amiga para passear e treinar o inglês. As viagens, segundo a família, eram presentes para a estudante conhecer vários países antes de começar a faculdade.

Segundo Leide, a amiga que a hospedaria também foi aos EUA a passeio, e ficou "emocionalmente arrasada" com a notícia –a ponto de cogitar seu retorno ao Brasil.

"Sabe aquela amiga que estudou com ela a vida toda? Então. É amiga de congregar na mesma igreja, e foi para lá também para treinar o inglês. A amiga dela está nervosa, chorando, está se sentindo culpada. Foi ela que convidou-a para passear. O tio dessa amiga dela mora lá, ia levá-las para Nova York. Ela me disse: 'tia, estou até antecipando a volta para o Brasil'. Eu não quero envolver essa amiga dela, que está emocionalmente arrasada", disse a mãe.

A mãe da estudante negou a informação divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores de que Anna Beatriz já teria acesso à internet para se comunicar com a família. Desde a detenção, segundo Leide, foram apenas dois telefonemas, nos quais a filha afirmou ser bem tratada pelos funcionários do abrigo em Detroit. Mãe e filha não se falam desde o dia 22 de abril.

O pai da adolescente, Eduardo Cesar Dutra, também nega que fale com a filha via internet. "Continuamos sem nenhum contato com ela. O único contato a quem tem direito é um telefonema de 10 minutos por semana --no modo 'viva voz'. Não temos nenhum outro contato com ela para saber se está bem ou se está com algum problema", contou ao UOL.

"Todos os objetos pessoais dela --roupas, objetos de higiene e limpeza, remédios, celular, dinheiro, cartão de crédito, passaporte, foram confiscados, ela não tem acesso a nada. Caso ela tivesse acesso à internet, conseguiríamos contato nem que fosse via e-mail ou Facebook", afirmou.

"O Consulado (do Brasil em Chicago, que cuida do caso) diz que ela está sendo bem tratada. Ela falou: 'aqui tem horário para tudo'. Ela recebe tipo uma sacolinha com roupa íntima, moletom, as roupas que ela pode usar. Tiraram os anéis dela. Ela tem três furinhos na orelha, um piercing pequeno, e a orelha dela estava inflamada porque tiraram a força, mas ela está sendo bem tratada. Não tenho do que me queixar. Quem me ligou do abrigo foi muito simpática, muito carinhosa", assegurou a mãe da estudante. "O Consulado está nos dando total apoio, afirmando que já tem um agente responsável pelo caso. Ele conversou com a Anna Beatriz lá e nos mandou um anexo que diz que teria que voltar em um voo direto", completou.

O único procedimento que surpreendeu Leide foi a bateria de exames pela qual a filha foi submetida em Detroit. "Eu quero acesso aos exames que fizeram com ela. Porque quiseram saber se ela tinha Aids, porque fizeram exame de sangue, de fezes, de urina", acrescentou.

Outro lado

Questionado, o Itamaraty afirmou que é o Consulado do Brasil em Chicago que está acompanhando o caso e está em contato com os pais de Anna Beatriz. "A menor teve sua entrada denegada pela imigração norte-americana (ICE) por 'intenção de estudar no país sem o visto adequado'", disse o comunicado enviado à reportagem.

Sobre a questão da internet, o Itamaraty não respondeu, disse apenas que Anna tem tido contato com a mãe.

O UOL falou também com o Consulado Brasileiro em Chicago, mas não obteve resposta. Já a Embaixada dos EUA em Brasília disse que o caso fica a cargo das autoridades brasileiras.

Mãe da jovem postou um resumo da situação em sua página no Facebook:

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