Após atentado terrorista, clima em Tel Aviv é de intimidação

Ligia Gauri

Do UOL, em Tel Aviv

Depois do atentado de 8 de junho, que deixou quatro mortos e seis feridos em mercado de Tel Aviv, Israel, o clima na cidade ainda é de tristeza, e muitos se sentem intimidados inclusive a ponto de mudar a rotina.

Já na manhã seguinte ao ataque, o mercado Sorona, um complexo de vários restaurantes, cafés e lojas, já estava em pleno funcionamento, mesmo com a grande movimentação de policiais e de jornalistas.

A polícia identificou os dois atiradores como Muhammad e Khalid Muhamra. Eles viviam em Yatta, um povoado localizado a cerca de 50 quilômetros de Tel Aviv. Um deles estaria usando trajes típicos de um judeu ortodoxo. O grupo Hammas reivindicou a autoria do ataque. Os dois foram presos.

Como resposta, o governo israelense decidiu suspender a autorização da entrada de 200 palestinos ligados a supostos terroristas no país. O Exército de Israel determinou o bloqueio de Yatta e anunciou a suspensão de 83 mil autorizações de entrada pela Cisjordânia e pela Jerusalém Oriental, que foram emitidos para o Ramadã, período considerado sagrado para os muçulmanos, que começou no dia 6. As informações são do jornal "Haaretz".

O UOL estava na cidade quando aconteceu o atentado. A convite do Ministério das Relações Exteriores de Israel, acompanhava a Star Tau, uma semana dedicada à tecnologia e inovação da universidade local.

Tudo parecia tranquilo, seguro, na noite do último dia 8. Jantamos no The Dining Hall quando observamos uma movimentação de ambulância em direção contrária, mas nada que chamasse muito a atenção. Quando chegamos ao hotel soubemos que havia acontecido um tiroteio a alguns metros de onde estávamos.

Na visita a Jerusalém, o clima de tensão era mais visível. Umas das guias disse que não é um bom momento para visitar o lado oriental da cidade velha, onde fica a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado para o islã, depois de Meca e Medina.

Apesar dessas experiências, a receptividade do povo israelense superou todas as expectativas. Durante os passeios no calçadão da praia da Tel Aviv fui abordada algumas vezes por pessoas apenas querendo me conhecer. E quando eu falava que era do Brasil, ficavam entusiasmadas. Talvez esses momentos pelos quais eles passam no dia a dia tenham reforçado o sentimento de solidariedade. 

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