Barrada ao chegar aos EUA, adolescente brasileira está detida há 2 semanas no país

Marcelo Freire

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    A brasileira Anna Stéfane Radeck, detida em um abrigo de menores em Chicago depois de viajar aos EUA desacompanhada

    A brasileira Anna Stéfane Radeck, detida em um abrigo de menores em Chicago depois de viajar aos EUA desacompanhada

Uma adolescente brasileira de 16 anos está detida em um abrigo para menores em Chicago, nos Estados Unidos, desde o dia 11 de agosto, segundo o relato de sua mãe, Liliane Carvalho. A menina, chamada Anna Stéfane Radeck, desembarcou no país para visitar uma tia que mora em Orlando, na Flórida.

Ao fazer uma conexão de voo em Detroit, Anna Stéfane foi questionada pelas autoridades de imigração sobre estar viajando desacompanhada de um adulto. Segundo a mãe da menina, sua documentação estava em ordem.

Depois dos questionamentos no aeroporto, que duraram dez horas, a garota foi levada de carro a esse abrigo em Chicago, onde está há duas semanas. Aconselhada por uma assistente social que atua no caso, Liliane foi até Chicago no último dia 15 para tentar resolver a situação, mas ainda não conseguiu a liberação da filha.

Seu contato com Anna Stéfane se resumiu a uma conversa por telefone, quando Liliane ainda estava no Brasil, e um encontro pessoal, há uma semana, que durou uma hora, com a menina escoltada por autoridades da imigração.

"Eles disseram que poderíamos conversar todo dia por telefone, e uma vez por semana pessoalmente. É mentira. Só falei com ela por telefone quando estava no Brasil", diz a brasileira ao UOL. Nesta sexta-feira (26), ela deve se encontrar novamente com a filha e espera que a situação se agilize.

"Ela tomou dez vacinas"

Arquivo pessoal
Anna Stéfane e sua mãe, Liliane Carvalho, no parque temático Walt Disney World

Liliane diz que encontrou a filha na semana passada "abalada, muito abatida e febril".

"Ela tomou dez injeções de vacina. A minha filha está sofrendo muito. Ela não é uma criminosa. Só peço que devolvam a minha filha para mim. Ficamos dois, três dias, sem saber o paradeiro dela. São dias de muita angústia."

A mãe ressalta que o lugar é higiênico, mas a adolescente é obrigada a usar um uniforme no local.

Sem contato com a Imigração norte-americana - "eles não respondem nada", diz Liliane -, o contato se resume aos assistentes sociais que cuidam do caso.

"Me pedem todo tipo de documentação, formulário, até o comprovante de residência da casa que estou ficando aqui, que é de amigos. Eles querem saber até quantos quartos tem a casa", conta.

Além de buscar ajuda no Consulado brasileiro em Chicago, a família contratou uma advogada especializada em casos de imigração para tentar agilizar a libertação da garota. "O Consulado [brasileiro em Chicago] diz que não pode intervir nas leis do país", diz.

Liliane lamenta o fato de ter deixado a filha viajar desacompanhada, sem saber que isso poderia desencadear essa situação. "A família vem sempre inteira para cá, não me atentei a isso. Cometi esse erro. Mas poderia ser resolvido mais rápido, e gente voltaria logo para o Brasil. Agora só quero minha filha de volta."

"Só sei que, depois dessa, não faço nenhuma questão de usar mais esse visto americano. A gente sempre viajava, mas não quero mais gastar dinheiro nesse país. É desumano o que estão fazendo com a minha filha. Ela não é criminosa, não tem nenhum problema legal, não quer morar aqui nos Estados Unidos, nada", afirma.

Um caso semelhante ocorreu no último mês de abril, quando a jovem brasileira Anna Beatriz Theophilo Dutra, de 17 anos,  foi barrada pela Imigração, acusada de viajar com visto de turista para permanecer em solo americano como estudante. O desembarque também foi em Detroit. Ela foi liberada cerca de 15 dias depois, e retornou ao Brasil.

Questionado pelo UOL, o Ministério das Relações Exteriores disse ter acionado o Consulado-Geral do Brasil em Chicago "tão logo foi comunicado do caso, no dia 15 de agosto".

"O Consulado brasileiro entrou em contato com as autoridades locais e agendou visita à menor para o dia seguinte, 16 de agosto. Desde então, o Consulado brasileiro tem mantido contato permanente com os pais da menor e com as autoridades locais, com vistas a assegurar o devido processo do caso. O Consulado solicitou às autoridades urgência na análise do caso e no agendamento da audiência que decidirá sobre o retorno da menor Brasil", diz a nota do Itamaraty.

A assessoria de imprensa da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil declarou, em nota, não estar autorizada "a comentar ou fornecer quaisquer detalhes sobre casos individuais de visto ou de imigrantes, devido às questões de privacidade da lei americana". "Essas informações são confidenciais", acrescenta a nota.

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