"Trump e Bolsonaro são muito parecidos", diz organizador de ato pró-republicano em SP

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Dennis Heiderich diz que a democrata Hillary Clinton é a "Dilma americana"

    Dennis Heiderich diz que a democrata Hillary Clinton é a "Dilma americana"

Para os organizadores do ato em apoio ao candidato republicano Donald Trump, a vitória do magnata na eleição presidencial dos EUA seria benéfica para o Brasil. Além disso, Trump teria semelhanças ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). A avaliação é do estudante de direito Dennis Heiderich, 25, do Movimento Juntos pelo Brasil, de orientação conservadora.

O grupo planeja o ato para o próximo dia 29 na avenida Paulista, em São Paulo. No evento, o grupo pede que os participantes usem azul, branco e vermelho, e leve bandeiras e camisetas dos EUA.

"Trump e Bolsonaro são muito parecidos, principalmente na visão conservadora. O Bolsonaro é até mais conservador, porque defende abertamente a pena de morte, tema que Trump não aborda durante a campanha. Ambos são conservadores no aspecto moral, e liberais no aspecto econômico", disse Heiderich em entrevista ao UOL.

"A população quer alguém que fale junto com ela, que fale realmente o que ela entende. Trump é isso para os EUA e o Bolsonaro é isso para o Brasil."

Heiderich, que chama a candidata democrata Hillary Clinton de "Dilma americana", afirma acreditar que o presidente brasileiro, Michel Temer, teria uma maior afinidade com um governo americano liderado por Trump. 

"Trump defende a reestruturação do sistema capitalista, e isso beneficia muito o Brasil. Agora que a gente conseguiu finalmente derrubar esse governo, o Temer, que não é o presidente ideal, mas está fazendo alguma coisa para recuperar a economia, teria uma aproximação maior com Trump", diz o organizador do ato.

Para Heiderich, Trump é uma resposta contra as propostas ideológicas da esquerda. "A gente entende que Trump é um resgate dos valores americanos que foram deixados de lado nos anos [de Barack] Obama. Obama buscou uma política ideológica, as relações com Cuba e com países socialistas. Trump vem para fortalecer o capitalismo, para trazer o respeito à polícia, como a gente vê, nos EUA, onde ocorrem ataques de grupos negros contra policiais", afirma. 

Junho 2016: Bolsonaro vira réu por incitação ao estupro e injúria

  •  

Assédios sexuais de Trump

O organizador do ato afirma que a fala de Trump em um vídeo, com comentários sexistas e machistas, foi "infeliz". "Mas isso foi feito bem antes, antes mesmo de ele ser candidato ou de pensar em se candidatar. Ele era só um bilionário", diz Heiderich.

No segundo debate presidencial, Trump disse que nunca havia beijado ou tocado mulheres sem consentimento.

"É claro que foi uma atitude errada, que ele não deveria ter feito. Mas o que a mídia esquece e não compara são os ataques do marido de Hillary, [o ex-presidente democrata] Bill Clinton, o fato de ele já ter assediado e violentado, o que é até pior", afirma, em referência ao caso envolvendo Juanita Broaddrick, que acusou Clinton, em 1999, de um estupro ocorrido em 1978 quando ela era voluntária em seu comitê de campanha. A defesa de Clinton negou as acusações.

"Muito acusam [Donald Trump] de ser xenófobo, homofóbico, racista, só que movimentos gays dão total apoio a Trump. Ele teria uma visão, por exemplo, igual a do Bolsonaro, que é contra os movimentos LGBT, mas ele não prega a morte de gays ou nada neste sentido. Trump é contra os movimentos que usam os gays, contra os movimentos que usam os negros e as minorias. Mas ele não é contra os homossexuais."

Com o ato do dia 29, Heiderich acredita que poderá burlar o "massacre midiático feito contra o candidato republicano" que ocorreria tanto nos EUA quanto no Brasil.

De comum, só a faixa etária; veja diferenças entre Hillary e Trump

  •  

As "pedaladas de Hillary"

A comparação entre Hillary Clinton e Dilma Rousseff (PT) deve-se, segundo o integrante do Movimento Juntos pelo Brasil, pelo fato de que ambas usariam minorias em seus argumentos. "Você vê que Hillary está sempre atacando Trump e os republicanos acusando-o de ser xenófobo, homofóbico, aquele blá blá blá que a gente ouve aqui da esquerda", diz Heiderich. Ele compara ainda o uso da cor vermelha de ambas.

Para Heiderich, Hillary e Dilma também teriam em comum o "discurso falacioso de socialismo, que só aumenta os gastos".

Outra semelhança, segundo ele, seriam as "irresponsabilidades" cometidas pelas duas mulheres."Aqui Dilma cometeu as pedaladas fiscais [referindo-se às manobras com o uso de recursos públicos para maquiar as contas do governo]. Hillary cometeu, como secretária de Estado, também um tipo de pedalada ao desaparecer com 33 mil e-mails que comprovariam que ela foi responsável em operações desastrosas que acarretaram em mortes de americanos no Oriente Médio", afirma o organizador, referindo-se aos e-mails deletados de um servidor privado.

Delegados são quem elege presidente dos EUA; entenda o processo

  •  

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos