Justiça acusa irmão pela morte de celebridade do Facebook no Paquistão

Do UOL, em São Paulo

  • AFP

    Qandeel Baloch, famosa pelos vídeos sensuais que publicava na internet, morreu estrangulada

    Qandeel Baloch, famosa pelos vídeos sensuais que publicava na internet, morreu estrangulada

Um paquistanês foi indiciado nesta terça-feira (6) pelo assassinato da irmã, a famosa estrela das redes sociais Qandeel Baloch, estrangulada por ter, segundo o acusado, manchado a honra da família com selfies ousados, um caso que provoca comoção no país.

Muhammad Wassem foi indiciado por um tribunal da cidade de Multan, região central do Paquistão, onde ele vive com família, por ter estrangulado a irmã em julho. Seu primo Haq Nawaz foi acusado de cumplicidade pela polícia. Outro suposto cúmplice, o taxista Abdul Basit, está em liberdade condicional. O julgamento deve começar na quinta-feira (8)

Wassem reivindicou o crime de "honra" depois de ser detido. Ele foi preso em 17 de julho, um dia depois de a jovem, de 25 anos, ter sido estrangulada na casa dos pais. À época Waseem disse à imprensa que não tinha remorso por seu ato, pelo comportamento que chamou de "intolerável" da irmã.

Para ativistas, morte de Qandeel Baloch é só mais um crime de honra

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Qandeel Baloch ganhou fama postando vídeos dançando e cantando com roupas provocantes no Facebook. Ela tinha mais de 700 mil seguidores.

A jovem também apresentou uma proposta de strip-tease em homenagem à seleção de críquete do Paquistão.

Qandeel Baloch/Facebook via Reuters
Selfie da celebridade Qandeel Baloch publicada em sua página no Facebook

Para os segmentos mais liberais da sociedade, Qandeel era uma inspiração por suas abordagens desinibidas, enquanto outros setores mais conservadores a criticavam por isso.

O assassinato provocou uma retomada do movimento a favor de penas mais duras para os crimes cometidos em nome da honra.

Em outubro deste ano, o governo paquistanês aprovou uma lei que proíbe o perdão dos familiares das vítimas em crimes de honra, uma brecha legal que deixava muitos homens impunes após matar uma mulher, em geral irmã ou esposa. A lei estabeleceu ainda uma pena obrigatória de 25 anos de prisão para aqueles que cometam estes crimes e a criação de vias rápidas nos tribunais.

A legislação anterior permitia ao assassino, geralmente um parente da vítima, escapar de qualquer pena se recebesse o perdão de outros membros da família.

De acordo com a ONG Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP), em 2015 foram cometidos quase 1.000 "crimes de honra" no país, mas esses números escondem uma realidade muito pior que fica de fora dos registros por falta de denúncias. (Com as agências internacionais)

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