Grupo de 12 brasileiros está preso nas Bahamas desde o dia 19 sem contato com o Itamaraty

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

Um grupo de 12 brasileiros, oito homens e quatro mulheres, está preso desde o dia 19 de dezembro nas Bahamas, país onde um outro grupo de brasileiros está desaparecido desde o mês de novembro após a tentativa de chegar ilegalmente aos EUA pelo mar. Segundo o Itamaraty, autoridades da ilha comunicaram a embaixada brasileira em Nassau no dia 21 sobre a prisão, mas até o momento não foi autorizado o contato de representantes consulares com os detidos.

A Chancelaria brasileira confirma que entre os presos não há nenhum dos brasileiros considerados desaparecidos desde novembro. Segundo a imprensa do país, este grupo foi preso durante a noite em uma operação policial na semana passada, em um complexo de apartamentos, depois de uma denúncia de que eles se preparariam para imigrar ilegalmente para os EUA.

O Itamaraty aguarda autorização de autoridades das Bahamas para prestar apoio consular aos detidos. Nenhum familiar dos detidos buscou apoio diplomático no Brasil, e sem a autorização dos detidos, a chancelaria brasileira não pode os informar das prisões.

Em declarações dadas à Agência Brasil, Marisa Barinske, encarregada de Negócios da Embaixada do Brasil em Nassau, capital de Bahamas, o número de brasileiros presos na tentativa de ingressar ilegalmente no território norte-americano pelas Bahamas aumentou significativamente depois que Donald Trump foi eleito presidente dos EUA. Uma das promessas de Trump durante a corrida eleitoral foi a restrição da entrada de migrantes em território norte-americano.

Por ano, as prisões de brasileiros em Bahamas chegavam à média de 50, número que deve dobrar ao fim de 2016. "A média de detenções era de dez a 12 a cada dois meses. Depois da eleição de Trump, pelo menos cinco brasileiros são detidos por semana", afirmou a encarregada.

Brasileiros desaparecidos

Segundo Marisa, será enviado nesta quinta-feira (28) mais um pedido ao Ministério das Relações Exteriores das Bahamas reiterando o apelo por apoio na busca dos brasileiros desaparecidos desde novembro na suposta travessia para os EUA. Ela diz que já foram feitos vários pedidos desde o início das investigações, e até agora não houve nenhuma resposta oficial do governo da ilha.

"A gente está desesperadamente atrás de uma solução. Nós vamos pedir reforço da atuação da polícia de fronteira de Bahamas que atua junto com a polícia da costa norte-americana. Estamos em contato direto e permanente com as autoridades marítimas e ninguém tem ideia do que pode ter ocorrido", afirmou Marisa. A embaixada brasileira em Nassau está trabalhando em parceria com o Consulado do Brasil em Miami.

Particularmente, Marisa acredita que os brasileiros não chegaram a embarcar e estão presos em algum lugar. "O próprio adido da embaixada americana acredita que eles não naufragaram, senão eles já teriam sido descobertos por vestígios como roupas, boias, coletes salva-vidas. E nada disso foi encontrado até agora."

Para a diplomata, o desaparecimento dos brasileiros serve de alerta e, mais do que as políticas restritivas de Trump, poderá inibir o movimento de brasileiros que têm a intenção de ingressar ilegalmente nos Estados Unidos por essa rota.

"O caso por si próprio faz com que o brasileiro tema essa travessia pela rota das Bahamas. Eles seguem em barcos de pescador, em condições precárias, e o mar aqui é muito perigoso. Nós tivemos a passagem do furacão Matthew em outubro e até o final de novembro é época de furacão. Será o próprio brasileiro que ficará mais alerta", completou Marisa Barinske. (Com Agência Brasil)

Barco com brasileiros não foi encontrado nas Bahamas

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