Kremlin chama de "amadora" a acusação de ataques cibernéticos contra os EUA

Do UOL, em São Paulo

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O Kremlin denunciou o "amadorismo" das acusações de ataques cibernéticos lançadas pelos Estados Unidos, cujos serviços de inteligência acusam Moscou de ataques informáticos destinados a influenciar na campanha eleitoral americana.

"São acusações absolutamente infundadas, de um nível amador", disse nesta segunda-feira (9) o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

"Essas acusações começam a nos cansar", acrescentou, falando de "uma verdadeira caça às bruxas", um termo já utilizado pelo presidente eleito americano Donald Trump, que alegou uma "caça às bruxas política" destinada a enfraquecê-lo.

O relatório das agências americanas de inteligência divulgados na sexta-feira (6) revela que a Rússia tentou desprestigiar a candidata democrata Hillary Clinton e ajudar Donald Trump a vencer as eleições presidenciais 8 de novembro.

"Seguimos negando categoricamente qualquer envolvimento de Moscou" em ataques informáticos contra os Estados Unidos, disse Peskov, que afirmou que este relatório não trazia "nenhuma substância" às alegações de Washington.

"Não sabemos ainda quais os dados utilizados por aqueles que lançam essas acusações infundadas", disse ele.

Para o FBI, a CIA e a NSA, as três grandes agências de espionagem dos Estados Unidos, o presidente Vladimir Putin e o governo russo "desenvolveram uma clara preferência pelo presidente eleito Donald Trump", que, durante a campanha, fez comentários favoráveis ao líder russo

O objetivo da Rússia com essa campanha era "minar a confiança no processo democrático americano, denegrir a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e danificar sua capacidade de ser eleita e sua potencial presidência", segundo o documento apresentado.

O relatório tornado público, baseado em uma versão mais detalhada apresentada tanto ao presidente Barack Obama como ao presidente eleito Donald Trump, não contém informações novas que apontem para a responsabilidade de Moscou na pirataria contra o Partido Democrata.

Mas apresenta publicamente, pela primeira vez, um argumento claro de que o Kremlin escolheu um lado na contenda eleitoral americana, inclusive mesmo que não pretenda demonstrar que Putin conseguiu influenciar no resultado do que foi uma disputa acirrada.

O presidente eleito Donald Trump aceitou a conclusão da investigação das agências norte-americanas de inteligência de que a Rússia apoiou ataques virtuais com a finalidade de tumultuar as eleições presidenciais e agora deverá anunciar ações em resposta, afirmou seu futuro chefe de gabinete neste domingo (8).

Reince Priebus, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano, afirmou que Trump agora admite que Moscou estava por trás dos ataques a organizações do Partido Democrata. "Ele aceita o fato de que neste caso particular entidades da Rússia tiveram participação", disse Priebus em entrevista ao "Fox News Sunday".

Os comentários de Priebus marcam uma mudança significativa na postura do futuro presidente. Em diversas oportunidades, Trump negou que os russos tentaram ajudá-lo nas eleições, argumentando que as acusações eram uma tentativa de seus adversários políticos de diminuir sua vitória.

Foi a primeira vez que um membro da alta cúpula da equipe do presidente eleito assumiu que Trump aceitou o envolvimento de Moscou na divulgação de e-mails do Partido Democrata durante as eleições de 2016.

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