Manifestantes com roupas da KKK interrompem audiência de procurador-geral de Trump

Do UOL, em São Paulo

  • Kevin Lamarque/Reuters

Manifestantes usando capas e capuzes brancos, em elusão ao grupo racista Ku Klux Klan, interromperam nesta terça-feira (10) a audiência de confirmação do Senado para a nomeação do senador republicano Jeff Sessions como procurador-geral dos Estados Unidos, que chefia o Departamento de Justiça do país.

Primeiro membro do gabinete de Donald Trump a passar por uma audiência de confirmação no Senado, Sessions tem um histórico controverso no campo dos direitos civis, tendo enfrentado acusações de racismo na época em que atuou como procurador federal no Estado do Alabama, entre 1981 e 1993.

Manifestantes de grupos como o Code Pink, que defende os direitos humanos, agitaram cartazes que diziam: "Acabe com o racismo, pare Sessions" e "Acabe com o ódio, pare Sessions".

Quando o indicado por Trump estava sendo recebido pelo presidente do Comitê Judiciário do Senado, o republicano Chuck Grassley, dois homens vestidos como membros do Ku Klux Klan começaram a protestar na sala de audiências com gritos sobre o passado de Sessions, e fingiram estar gratos pela nomeação de um conservador como procurador-geral. "Você não pode me prender, eu sou um homem branco!", gritou um dos homens quando foi levado pela Polícia do Capitólio dos Estados Unidos.

"Sessions é racista, ele é ilegítimo, assim como todo o regime Trump", gritou um homem negro quando foi escoltado para fora da sala.

Sessions, de 70 anos, cresceu no sul ainda segregado por leis que separavam brancos e negros, e sofreu acusações de racismo ao longo de sua carreira. Indicado em 1986 para o cargo de juiz federal pelo então presidente Ronald Reagan, teve sua nomeação cancelada pelo Senado, em meio a acusações de que ele fez comentários racialmente insensíveis quando promotor.

Durante a audiência desta terça, Sessions procurou amenizar as preocupações sobre seu passado. "O Departamento de Justiça nunca deve falhar em sua obrigação de proteger os direitos civis de todos os americanos, particularmente aqueles que são mais vulneráveis", disse, afirmando seu compromisso de "garantir o acesso ao voto para todos os eleitores americanos elegíveis".

Sessions também chamou de falsas algumas das acusações que sofreu e repudiu a Ku Klux Klan. "Abomino o Ku Klux Klan, o que ele representa e sua ideologia de ódio", disse. O grupo foi parte de um das frases polêmicas do senador no passado: na década de 1980, ele disse considerar a Ku Klux Klan "ok, até descobrir que eles fumavam erva" - comentário pelo qual se desculpou posteriormente, afirmando que se tratava de uma brincadeira.

Fora da investigação contra Hillary

Senador republicano pelo Alabama desde 1997, Sessions é considerado um conservador linha-dura, que fez comentários duros contra Hillary Clinton durante a campanha eleitoral. Na época, Trump disse que, se ganhasse a eleição, faria seu procurador-geral designar um promotor especial para investigar Hillary, acusando-a de comprometer a segurança do país por usar um servidor privado de e-mails para tratar de assuntos oficiais.

Na audiência desta terça, Sessions afirmou que se consideraria impedido de conduzir uma eventual investigação contra a democrata porque isso colocaria sua "objetividade em questão", já que foi um dos principais críticos da candidata. "Nosso país não pune seus inimigos políticos. Nosso país garante que ninguém está acima da lei. Não se deve permitir que uma disputa política se transforme em uma disputa penal", completou.

Ao Senado, Sessions disse que não apoiaria o banimento da entrada de muçulmanos aos Estados Unidos e nem a prática do afogamento em interrogatórios - duas das propostas polêmicas de Trump durante a campanha.

Ele também se comprometeu a dizer "não" a Trump caso o presidente eleito cometa excessos no poder e disse que que qualquer cidadão que desempenhar o cargo de procurador-geral deve estar "comprometido a seguir a lei" e ser fiel à Constituição do país. (Com agências internacionais)

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