Em conferência, potências mostram preocupação sobre Trump e paz no Oriente Médio

Do UOL, em São Paulo

  • AP e Menahem Kahana/AFP

Sem a presença Israel e Palestina, líderes de mais de 70 países se reuniram neste domingo (15) em Paris, na França, para debater a retomada do processo de paz entre os dois Estados, que está paralisado há mais de dois anos.

Na conferência, que acontece cinco dias antes da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, as grandes potências sinalizam que a única solução para que haja paz na região é a solução de dois Estados --criação de um Estado palestino que coexista em paz com Israel--, indo de encontro ao que Trump vem defendendo sobre o futuro das relações dos EUA com Israel.

Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu mudar a embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv onde está localizada há 68 anos, para Jerusalém, o que praticamente consagra a cidade como a capital de Israel, apesar das objeções internacionais.

A iniciativa romperia com a histórica política dos Estados Unidos e de grande parte da comunidade internacional, para quem o status de Jerusalém, também reivindicado pelos palestinos como capital de seu futuro Estado, deve ser resolvido através de negociações.

A França expressou preocupação com a promessa. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault, chamou a iniciativa de provocação e afirmou que a mudança teria sérias consequências na prática. "Nenhum presidente americano se deixou levar por esta decisão. Ela teria pesadas consequências. Quando se é presidente dos Estados Unidos, não se pode ter, sobre esta questão, uma posição tão unilateral, é preciso criar as condições para a paz", afirmou em entrevista à rede France 3.

Estas declarações refletem a preocupação provocada na comunidade internacional pela imprevisibilidade de Trump sobre o conflito.

Os palestinos reagiram à notícia, e o presidente Mahmud Abbas ameaçou voltar atrás no reconhecimento de Israel. Para ele, a transferência da embaixada "não só privaria os Estados Unidos de toda legitimidade na resolução do conflito, como reduziria a nada a solução de dois Estados", segundo declarou em entrevista ao jornal francês Le Figaro.

O governo israelense, um dos mais à direita da história, não esconde sua empolgação com a futura administração americana, porque Trump tem se mostrado muito mais favorável aos interesses de Israel do que o governo Obama.

Um mês antes de sua saída da Casa Branca, a administração Obama surpreendeu ao não vetar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia o fim dos assentamentos israelenses na Cisjordânia -- conquistado por Israel na guerra de 1967. A questão é considerada um dos principais empecilhos para a retomada das negociações de paz.

Dias depois, em um discurso na forma de testamento político, o secretário de Estado americano, John Kerry, denunciou novamente a colonização e reiterou os parâmetros de referência para a solução do conflito.

Conferência "fútil"

A conferência de Paris faz parte de uma iniciativa francesa lançada há um ano para mobilizar a comunidade internacional em torno de um dos conflitos mais antigos do mundo e encorajar israelenses e palestinos a retomar o diálogo.

Ela foi ridicularizada por Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chegou a classifica-la como "fútil".

O resultado da conferência foi a divulgação de um comunicado reafirmando resoluções internacionais existentes e princípios aceitos pela comunidade internacional em quase 70 anos, pedindo que ambos os lados reafirmem seu comprometimento com a solução de dois Estados e repudiem autoridades que a rejeitem. O documento pede ainda que protagonistas "se abstenham de passos unilaterais que prejulguem o resultado das negociações".

Estado observador

Desde 2012, a Palestina é considerada um Estado observador "não-membro" da ONU (Organização das Nações Unidas), um status permite aos palestinos opinarem, mas sem direito a voto. Israel votou contra a resolução.

A briga entre os dois Estados é antiga. Os palestinos tentam há décadas estabelecer um Estado soberano na Cisjordânia, que englobe a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, como era antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel ocupou esses territórios. Israel por sua vez se opõe a essa criação, afirmando que esses territórios são ocupados em sua grande maioria por israelenses. (Com informações da AFP e Reuters)

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