Assange diz que vai passar dados da CIA para empresas de tecnologia

Do UOL, em São Paulo

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse nesta quinta-feira (9) em entrevista pela internet que conhece detalhes técnicos dos programas de hackeamento da CIA (Agência Central de Inteligência, na sigla em inglês) e que não os tornará públicos por enquanto, mas os compartilhará com companhias como Apple e Google para que possam desenvolver medidas contra esses "vírus".

Assange, que na terça-feira revelou um suposto programa que permite aos serviços secretos americanos invadir computadores, smartphones e smart TVs, qualificou de "devastador ato de incompetência" por parte da CIA que esses programas tenham sido distribuídos.

"É um fato histórico de incompetência devastadora ter criado tal arsenal (de material secreto) e tê-lo armazenado todo em um único lugar", afirmou Assange.

O fundador do Wikileaks, refugiado desde 2012 na embaixada do Equador em Londres, relatou como o software "foi passando de mão em mão por diferentes membros da inteligência americana, sem autorização e sem controle".

Assange afirmou que a CIA sabia há pelo menos dois meses que tinha perdido esse material, mas "não advertiu aos cidadãos" que poderiam ser espionados com ele.

"É o maior arsenal de vírus do mundo. Pode atacar a maioria dos sistemas utilizados por jornalistas, membros dos governos e cidadãos comuns. Não o protegeram, perderam-no, e depois trataram de ocultá-lo", lamentou o ativista.

Os programas da CIA estavam originalmente armazenados em um sistema "isolado" (sem conexão a internet) em um centro de ciberinteligência na Virgina (EUA), embora também fossem utilizados desde o consulado americano em Frankfurt (Alemanha).

"Arsenal nas mãos de hackers"

Assange também afirmou que a CIA "perdeu o controle de todo o seu arsenal de armas cibernéticas", que podem estar no mercado negro à disposição de "hackers" do mundo todo.

O WikiLeaks publicou na terça-feira cerca de 9.000 documentos sobre a CIA, na maior divulgação sobre informação sigilosa de inteligência.

Segundo o site, a CIA desenvolveu programas para transformar smart TVs em dispositivos de escuta, contornar aplicativos populares de criptografia e, possivelmente, controlar automóveis.

O WikiLeaks afirma que a CIA produziu mais de 1.000 sistemas de malware, programas maliciosos que podem se infiltrar e assumir o controle de aparelhos eletrônicos.

Estas ferramentas de 'hacking' tiveram como alvo iPhones, sistemas Android, softwares populares da Microsoft e smart TVs da Samsung.

Os documentos divulgados na terça-feira mostram que a CIA explora as fraquezas que encontra nos sistemas de hardware e software - sem informar os fabricantes sobre as vulnerabilidades em questão.

Ao infectar e efetivamente assumir o comando do software de smartphones, a CIA pode contornar as tecnologias de criptografia de aplicativos populares como WhatsApp, Signal, Telegram, Weibo e Confide, coletando comunicações antes delas serem criptografadas.

De acordo com o site, os documentos mostram que a CIA rivaliza com a Agência de Segurança Nacional (NSA), o principal órgão de espionagem eletrônica do governo americano, na guerra cibernética.

O WikiLeaks diz que o vazamento dos documentos sugere que a CIA não controlou suficientemente suas próprias armas cibernéticas, potencialmente permitindo que caíssem nas mãos de outros hackers.

O jornal "The Washington Post" afirma que o FBI está preparando uma grande operação para determinar quem vazou os documentos divulgados pela organização fundada por Julian Assange.

Resposta da CIA

A CIA respondeu nesta quinta-feira o fundador do portal Wikileaks, Julian Assange, e declarou que o ativista não é nenhum exemplo "de verdade e integridade".

"Apesar dos esforços de Assange e os de sua classe, a CIA continua colhendo agressivamente informação de inteligência no exterior para proteger os Estados Unidos de terroristas, nações hostis e outros adversários", afirmou em um breve comunicado a porta-voz da CIA, Heather Fritz Horniak.

Ontem, a CIA acusou o WikiLeaks de colocar em risco funcionários americanos ao ajudar adversários dos Estados Unidos e solapar a luta de Washington contra a ameaça terrorista com a publicação de métodos de espionagem da CIA.

A porta-voz da CIA Heather Horniak não confirmou a autenticidade dos documentos publicados pelo WikiLeaks.

"Tais publicações não apenas colocam em risco o pessoal americano e as operações, mas também dão a nossos adversários ferramentas e informação para prejudicar os Estados Unidos", disse a porta-voz.

"A sociedade americana deve preocupar-se profundamente por qualquer revelação do WikiLeaks planejada para prejudicar a capacidade dos serviços de inteligência para proteger os Estados Unidos de qualquer terrorista ou adversário", acrescentou.

Horniak defendeu as operações da CIA, que segundo a organização fundada por Julian Assange interfere nos dispositivos eletrônicos por malwares.

"O trabalho da CIA é ser inovadora, avançada e estar na primeira linha de defesa para proteger este país de inimigos estrangeiros", assegurou Horniak.

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