Resultados indicam vitória de governista no Equador; opositor vê fraude

Do UOL, em São Paulo

  • Rodrigo Buendía/AFP

    O candidato governista Lenín Moreno acena para simpatizantes ao comemorar os resultados eleitorais, em Quito

    O candidato governista Lenín Moreno acena para simpatizantes ao comemorar os resultados eleitorais, em Quito

Em uma votação acirrada em segundo turno e com 98,96% das urnas apuradas, o candidato governista Lenín Moreno comemora a vitória nas eleições presidenciais no Equador, realizadas neste domingo (2). Ele segue à frente com 51,16% dos votos contabilizados, segundo dados oficiais divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O candidato da oposição, o centro-direitista Guillermo Lasso, aparece com 48,84% dos votos. 

"Ganhamos as eleições. Vou ser o presidente de todos os equatorianos", afirmou Moreno, sob aplausos, em Quito.

O socialista afirmou que quer ser reconhecido por ter erradicado a corrupção "do passado e do presente" e que em seu governo haverá "mais tolerância e menos confrontação".

O presidente Rafael Correa comemorou no Twitter: "Grande notícia para a Pátria Grande: a Revolução voltou a triunfar no Equador. A direita derrotada, pese a seus milhões e sua imprensa".

Lasso não reconheceu a derrota e disse que pedirá recontagem. No Twitter, acusou o processo eleitoral de ter sido fraudado e postou documentos que, segundo ele, demonstram inconsistências. "Estão trocando os votos deles pelos nossos", afirmou.

Ele conclamou a população a se manifestar contra o resultado. "Ajamos pacificamente, mas com firmeza. É preciso ir às ruas e dizer 'não roubem meu voto', porque queremos uma mudança no Equador."

Mais cedo, antes de começarem a ser divulgados os resultados oficiais e com as pesquisas de boca de urna apontando números opostos, Lasso chegou a comemorar. Reunido com partidários em um hotel na cidade de Guayaquil, disse que a democracia e os cidadãos equatorianos haviam vencido.

Congratulações

Ligado a Correa, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi o primeiro líder internacional a parabenizar Lenín Moreno pelo que chamou de "triunfo da revolução cidadã".

Outro a comemorar de imediato foi Julian Assange, de Londres, onde está asilado na embaixada do Equador desde 2012. Lasso havia ameaçado expulsá-lo.

"Convido cordialmente o senhor Lasso que se retire do Equador nos próximos 30 dias (com ou sem seus milhões offshore)", disse Assange no Twitter, em referência às acusações de pessoas ligadas ao governo de que o opositor tem contas em paraísos fiscais.

Conciliador

Moreno, que chegou perto da vitória no primeiro turno com 39,3% dos votos, era a aposta do movimento governista Alianza País (AP) para prolongar o "Socialismo do Século 21" que o presidente Rafael Correa impôs no Equador, embora com tons diferentes em relação às políticas de Venezuela ou Bolívia.

A fala pausada e o sorriso fácil deste ex-vice-presidente (2007-2013) contrastam com a imagem do temperamental Correa, que classifica seu ex-companheiro de chapa de "afável e conciliador". Segundo analistas, se chegar ao poder haverá um diálogo com setores contrários ao correísmo na última década.

Moreno sofre uma paraplegia como consequência de um tiro que o atingiu durante um assalto em 1998.

Em sua campanha, o governista se mostrou com "um estilo do diálogo, o estilo da mão estendida", e prometeu manter o modelo econômico de Correa, baseado em elevados gastos sociais e endividamento, apesar da queda dos preços do petróleo, principal causa da deterioração econômica vivida pelo país.

Formado em Administração Pública, com estudos em medicina e psicologia, é o defensor das causas sociais, nas quais tem experiência depois de ter liderado a Missão Manuela Espejo, que diagnosticou pela primeira vez a situação dos deficientes físicos no Equador.

Casado e com três filhas, Moreno nasceu na localidade amazônica de Nuevo Rocafuerte (leste) há 64 anos.

Seu trabalho como vice-presidente se caracterizou por captar um alto nível de aceitação, o que lhe valeu a indicação ao prêmio Nobel da Paz 2012 e a nomeação como secretário-geral adjunto da ONU para a deficiência física. (Com agências internacionais)

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