Migrantes africanos estão sendo vendidos como escravos na Líbia, diz agência da ONU

Do UOL, em São Paulo

  • Luc Gnago/Reuters

Os migrantes da África Ocidental estão sendo comprados e vendidos abertamente em mercados de escravos modernos da Líbia, segundo relataram sobreviventes a uma agência da ONU. O testemunho das vítimas sugere que o comércio de pessoas tornou-se tão comum que as negociações são feitas em público.

Segundo disse Mohammed Abdiker, chefe de operações e emergências da OIM (Organização Internacional de Migração), órgão da ONU, os últimos relatos de "mercados de escravos" negociando migrantes podem ser somados a uma longa lista de ultrajes na Líbia. "A situação é terrível. Quanto mais a OIM se envolve na Líbia, mais descobrimos que o país é um vale de lágrimas para muitos migrantes", disse Abdiker ao jornal britânico "The Guardian".

O norte da África é um ponto importante de saída de refugiados da África que tentam alcançar a Europa pelo Mar Mediterrâneo. Um sobrevivente do Senegal, de 34 anos, disse que foi levado de ônibus para Sabha, cidade no sul da Líbia, após atravessar o deserto do Níger em um ônibus organizado por contrabandistas. O grupo pagou para ser levado até a costa, de onde tentariam chegar até a Europa de barco, mas o motorista disse não ter sido pago pelos traficantes e colocou os passageiros à venda.

"Os homens eram levados para uma praça ou um estacionamento, onde o mercado de escravos era realizado. Os moradores, descritos por ele como árabes, compravam os migrantes subsaarianos", disse Livia Manante, oficial da OIM no Níger, onde tenta ajudar as pessoas que querem voltar para casa. Segundo ela, há relatos de mais migrantes sobre os mercados de escravos.

"Outros migrantes confirmaram a história, descrevendo outros tipos semelhantes de mercados de escravos, assim como prisões privadas por toda a Líbia", disse Livia. Ela afirma ainda que a OIM Itália têm recebido relatos semelhantes de migrantes resgatados no sul do país.

Após sua venda, o migrante senegalês foi levado para uma prisão improvisada, onde os homens são obrigados a trabalhar sem remuneração e em troca de alimento, normalmente uma espécie de ração. Os captores regularmente pede resgate aos familiares ou os revendem. Os homens cujos pagamentos de resgate demoram a chegar são mortos, segundo ele. Muitos morrem de fome ou doentes por falta de comida e de condições sanitárias. "Se o número de migrantes cair, por causa da morte de alguém, os sequestradores simplesmente vão ao mercado e compram outro", disse Livia. O senegalês só escapou quando sua família pagou por sua soltura.

Muitos outros migrantes fogem da Líbia com histórias semelhantes, afirmou Giuseppe Loprete, chefe de missão na OIM no Níger. "Está muito claro que eles estão sendo tratados como escravos", disse.

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