Primeira-ministra britânica convoca eleições antecipadas para junho

Do UOL, em São Paulo

Em uma decisão inesperada, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, convocou eleições gerais antecipadas para 8 de junho, com o objetivo de enfrentar com mais força as negociações da saída da UE (União Europeia). O anúncio foi feito nesta terça-feira (18) após uma reunião do Conselho de Ministros.

"Precisamos de uma eleição geral e precisamos agora", disse em sua residência oficial em Downing Street, Londres, a primeira-ministra, que necessita da aprovação do Parlamento para convocar a eleição antecipada --ela precisa de dois terços dos votos na consulta, que deve acontecer nesta quarta (19).

Se quisesse, May poderia esperar até 2020 para convocar as próximas eleições. "O Brexit é de interesse nacional, mas os outros partidos se opõem", disse May, referindo-se à saída do Reino Unido da UE.

May, que até agora havia rejeitado os pedidos de seu partido para aproveitar a vantagem nas pesquisas e antecipar as eleições, disse que tomou a decisão com relutância, mas que ela era necessária para "garantir a liderança forte e segura que o país necessita" nos dois anos de negociações com Bruxelas.

Os conservadores contam com uma estreita maioria absoluta no Parlamento, de cinco deputados (330 dos 650), mas não estão unidos na questão europeia, e cada votação exige a apresentação de garantias a esta minoria rebelde. May justificou sua decisão pela necessidade de contar com um Parlamento que respalde sua estratégia no Brexit.

"O país está se unindo, mas Westminster não", disse, em referência ao Parlamento. Tal divisão "coloca em perigo nossas possibilidades de êxito no Brexit", segundo a premiê.

"Nossos oponentes acreditam que, como a maioria do governo é pequena, nossa determinação vai fraquejar e isto nos obrigará a mudar. Estão equivocados. Subestimam nossa decisão de fazer o trabalho e não estou preparada para colocar em perigo a segurança de milhões de trabalhadores em todo o país", completou, acusando a oposição de "colocar em risco o trabalho que temos que fazer para preparar o Brexit".

Oposição se divide

Embora o Parlamento tenha a possibilidade de bloquear a convocação de eleições antecipadas, o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbin, já declarou apoio, indicando que seu partido concederá os votos necessários para a realização de uma eleição.

"Eu aprovo a decisão da primeira-ministra de dar ao povo britânico a chance de votar por um governo que vai priorizar o interesse da maioria", disse Corbyn em comunicado enviado por email. "O Partido Trabalhista oferecerá ao país uma alternativa efetiva ao governo."

Mas a terceira força parlamentar, os separatistas escoceses do SNP (Partido Nacional Escocês), criticou a convocação. Segundo a chefe do governo regional escocês, Nicola Sturgeon, os conservadores "estão vendo a oportunidade de escorar o Reino Unido à direita, impor um Brexit duro e mais cortes sociais".

O que um país negocia com a UE após deixar o bloco?

Em busca da legitimidade

May iniciou formalmente o processo de saída da UE em 22 de março, nove meses depois do referendo. As negociações devem durar 24 meses para encerrar os 44 anos de relação entre o Reino Unido e a União Europeia.

As eleições foram convocadas para enfrentar o forte clima de divisão seminado pela oposição do Partido Trabalhista, dos Liberais Democratas e dos movimentos de independência na Escócia.

May era ministra do Interior e chegou a Downing Street após a renúncia de David Cameron --em junho de 2016 após não conseguir conter a vitória do "sim" no referendo que optou pelo Brexit-- e graças a sua vitória em uma votação interna do Partido Conservador, mas sua liderança não foi referendada pelas urnas. 

Sua popularidade supera com folga --até 20 pontos em algumas pesquisas-- a de Corbyn.

Caso o pleito seja confirmado, estas serão as segundas eleições gerais britânicas em dois anos, após a votação de maio de 2015, com o referendo sobre a saída da UE no meio. (Com agências internacionais)

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