Protestos na Venezuela têm confrontos com a polícia; dois jovens morrem baleados

Do UOL, em São Paulo

Policiais e militares venezuelanos lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra opositores durante os protestos realizados nesta quarta-feira (19) em vários pontos de Caracas, para impedir que os manifestantes avancem até o centro da capital em uma gigante marcha contra o presidente Nicolás Maduro. Pelo menos duas pessoas morreram durante os protestos.

Carlos Moreno, um universitário de 17 anos, estava indo jogar futebol em Caracas e não planejava participar do protesto quando defensores do governo se aproximaram de uma aglomeração de opositores e abriram fogo, de acordo com testemunhas e um familiar. Moreno foi baleado na cabeça, disseram. A bala "estava alojada no cérebro. Ele entrou no hospital com sinais vitais, mas esse tipo de ferimento tem alta taxa de mortalidade", acrescentou presidente do Hospital Clínicas Caracas, Amadeo Leiva.

A segunda vítima é uma mulher de 23 anos, identificada como Paola Ramírez. A confirmação da morte foi dada pela prefeita de San Cristóbal, Patricia Gutiérrez. Paola foi morta com um tiro na cabeça durante uma manifestação na cidade. Ela também não estaria participando do ato, segundo familiares.

Os protestos contra Maduro, iniciados em 1º de abril, já fizeram cinco mortos, dezenas de feridos e mais de 200 presos.

A oposição venezuelana tentava marchar até a Defensoria Pública, no centro de Caracas, para exigir o respeito aos poderes do Parlamento, único poder que controla, e eleições gerais para superar a crise política e econômica. No entanto, as forças de segurança impediram que a marcha, iniciada em 20 pontos, chegasse ao coração da cidade, onde manifestantes chavistas também protestavam.

Agentes da militarizada guarda nacional tentavam dispersar com gás os manifestantes. "Covardes!", gritava um grupo de mulheres. 

Juan Barreto/ AFP
Policiais e manifestantes entram em confronto durante protesto em Caracas

Brandindo a bandeira da nação e gritando "Chega de ditadura" e "Saia, Maduro", manifestantes interditaram um trecho da principal rodovia de Caracas. Soldados usaram gás lacrimogêneo nos bairros da capital e na cidade fronteiriça de San Cristóbal.

"Temos que protestar porque este país está morrendo de fome", disse Alexis Mendoza, administrador de 53 anos que marchava no bairro El Paraiso de Caracas. "Há muitas pessoas da oposição e elas estão cheias de coragem".

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, solicitou nesta quarta-feira aos organismos de segurança do Estado que garantam o direito de manifestação pacífica, quando oposição e governismo marcham em Caracas.

"Os responsáveis dos organismos de segurança do Estado devem garantir o exercício do direito de manifestação pacífica, sob um apego estrito aos direitos humanos. Os mecanismos de negociação devem se esgotar antes do uso da força pública", afirma um comunicado divulgado por Ortega.

Ortega --chavista confessa-- surpreendeu há duas semanas quando classificou como uma "ruptura da ordem constitucional" a sentença com a qual o máximo tribunal assumiu as funções do Parlamento de maioria opositora, uma reação que impulsionou a anulação parcial da decisão.

No comunicado, a procuradora também pediu aos atores políticos uma reflexão para que os protestos que convocarem sejam pacíficos e não coloquem "em risco a integridade física dos manifestantes" nem a estabilidade institucional.

Carlos Garcia Rawlins/ Reuters
Manifestantes participam da chamada "mãe de todos os protestos" contra Maduro

Manifestantes por todo o país exigem que o governo apresente um cronograma para as eleições, que suspenda a repressão contra as manifestações e que respeite a autonomia da Assembleia Nacional, liderada pela oposição.

"Esse é um governo em sua fase terminal", disse o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, na noite de terça-feira. "Isso vai se intensificar... e forçar Maduro, e seu regime, a realizar eleições democráticas e livres".

Maduro, que diz que os protestos recentes foram mais do que esforços da oposição para estimular a violência e derrubar seu governo, convocou simpatizantes do governista Partido Socialista a realizar uma manifestação concorrente em Caracas. (Com as agências internacionais)

A manifestação se seguiu a uma quinzena de protestos violentos nos quais cinco pessoas foram mortas, motivados por uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) de março por meio da qual a corte assumiu os poderes do Congresso de maioria opositora e que a revogou rapidamente devido à pressão internacional.

Mas a medida alimentou uma revolta já antiga com a maneira como o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) administra a economia. O país exportador de petróleo sofre com uma escassez de alimentos e de bens de consumo de estilo soviético e com uma inflação de três dígitos.

A oposição está exigindo um cronograma para as eleições estaduais adiadas, o fim da repressão aos protestos e respeito pela autonomia da legislatura dominada pelos opositores.

Maduro afirma que os protestos recentes foram pouco mais do que esforços da oposição para fomentar a violência e derrubar seu governo.

Analistas dizem que a probabilidade de um golpe contra Maduro é menor porque Chávez realizou um grande expurgo nas Forças Armadas após sua breve deposição.

 

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