O novo míssil da Coreia do Norte já pode ser uma bomba nuclear?

Do UOL, em São Paulo

A Coreia do Norte testou no domingo (14) um novo tipo de míssil, o Hwasong-12, "capaz de transportar uma carga nuclear grande e poderosa", segundo a mídia estatal do país.

O regime norte-coreano afirmou que o míssil seguiu a trajetória prevista, alcançando uma altura de 2.111 quilômetros e caindo a 787 quilômetros de distância do ponto de lançamento, no Mar do Japão. Ele é um foguete de alcance intermediário --classificado como Pyongyang como "de médio a longo alcance"--, que teria sido apresentado na marcha militar do país há um mês.

O líder do regime, Kim Jong-un, tem declarado que possui ogivas nucleares, que potencializam ao impacto destrutivo de um míssil, são capazes de atingir bases dos Estados Unidos no Pacífico e até mesmo o território continental norte-americano, que fica a cerca de 10 mil quilômetros de Pyongyang, além de seus aliados Japão e Coreia do Sul. Ele teria monitorado pessoalmente o lançamento do novo míssil.

Segundo a mídia estatal do país, Kim Jong-un declarou que a Coreia do Norte "é uma potência nuclear digna de usar esse nome, mesmo que isso não seja reconhecido". Segundo ele, os EUA sofrerão "o maior desastre de sua história" se provocarem o regime.

A propaganda norte-coreana, no entanto, tem o costume de inflar o potencial bélico do país, segundo analistas de segurança, o que torna difícil a compreensão exata dessa capacidade.

KCNA via AFP
Foto divulgada pela agência oficial KCNA mostra o ditador Kim Jong-un (esq.) inspecionando um míssil em um local não determinado

Mísseis com carga nuclear

Os especialistas têm dúvidas sobre a capacidade da Coreia do Norte fabricar ogivas nucleares pequenas o suficiente para que possam ser transportadas em um míssil de alcance intermediário, como o lançado no domingo (ou noite de sábado no horário de Brasília), e que estejam protegidas ao impacto da reentrada na atmosfera.

O regime afirmou que a ogiva transportada no míssil resistiu à reentrada na atmosfera e que "o sistema de detonação operou de sistema precisa". O Ministério da Defesa da Coreia do Sul informou, no entanto, que ainda é improvável que os norte-coreanos disponham dessa tecnologia.

Citado pela CNN, Martin Navias, do Centro de Estudos de Defesa da universidade King's College London, na Inglaterra, diz que essa tecnologia "é desafiadora e não há indicação ainda de que a Coreia do Norte a possua". "Um veículo espacial precisa de protetores de calor que o impeçam de pegar fogo. A velocidade em que um míssil atinge a atmosfera cria uma quantidade enorme de pressão de ar e calor."

Base americana estaria no alcance dos mísseis

De acordo com o especialista David Wright, diretor do programa de segurança global de uma organização de cientistas, ouvido pela agência Associated Press, o novo foguete poderia percorrer uma distância de 4.500 quilômetros --consideravelmente maior do que os mísseis conhecidos do arsenal norte-coreano-- e poderia atingir a base americana na ilha de Guam, no Pacífico. Isso aconteceria se ele fosse lançado em uma trajetória padrão.

Citado pelo site especializado 38 North, o engenheiro aeroespacial John Schilling disse que a arma parece pertencer à categoria intermediária de míssil balístico, "capaz de atacar com precisão a base americana de Guam".

"Ele permitiria à Coreia do Norte conduzir ao menos alguns testes para desenvolver um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) sem precisar testar os próprios ICBM, particularmente se utilizar o mesmo motor de foguete", completou, em referência a um foguete que poderia chegar ao território continental dos Estados Unidos.

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