Republicano expôs suspeita de pagamento de Putin a Trump, diz jornal

Do UOL, em São Paulo

  • REUTERS/Carlos Barria

    4.mai.2017 - Trump ao lado do líder republicano na Câmara, Kevin McCarthy

    4.mai.2017 - Trump ao lado do líder republicano na Câmara, Kevin McCarthy

De acordo com o jornal "The Washington Post", o líder republicano na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Kevin McCarthy, afirmou em uma reunião com a cúpula do partido em junho de 2016 que achava que o presidente russo, Vladimir Putin, pagava o então candidato Donald Trump. O jornal diz ter ouvido a gravação da reunião.

Na época, Trump já havia vencido as primárias republicanas e era o virtual candidato à Presidência --a nomeação seria oficializada em julho, na convenção nacional do partido.

Ainda não havia notícias sobre um suposto trabalho conjunto da Rússia com a campanha de Trump para que o empresário vencesse a eleição, investigação que hoje está sendo realizada no FBI. Um dia antes do encontro, no entanto, a imprensa americana publicou que o comitê democrata havia sido hackeado pelos russos, dando início às especulações sobre a influência do governo Putin nas eleições americanas.

A reunião dos republicanos ocorreu em 15 de junho de 2016 e teve presença de McCarthy, Paul Ryan (presidente da Câmara), Steve Scalise (vice-líder republicano na Câmara) e Cathy McMorris Rodgers, entre outros deputados. Antes do encontro, Ryan e McCarthy haviam conversado, separadamente, com Vladi­mir Groysman, premiê da Ucrânia, que os alertou sobre o método russo de financiar pessoas na Ucrânia com a intenção de derrubar o governo daquele país.

No contexto da conversa sobre Ucrânia e Rússia, McCarthy afirmou que "os russos hackearam o comitê democrata e roubaram o que havia sido pesquisado sobre Trump". Ryan perguntou para quem essa pesquisa seria entregue, e McCarthy respondeu: "Eu acho que o Putin paga duas pessoas: Trump e Dana Rohrabacher [deputado republicano da Califórnia com visões pró-Rússia]". Alguns deputados deram risada, e McCarthy respondeu "juro por Deus".

Em seguida, Ryan afirmou que aquela afirmação era "off the record" e pediu que não houvesse vazamentos sobre a conversa. "O que é dito na família fica na família", teria dito Ryan segundo o relato do "Washington Post". Segundo o jornal, "é difícil afirmar o quanto essas afirmações de McCarthy devem ser entendidas de forma literal".

A conversa abordou preocupações dos deputados republicanos em relação à propaganda e influência da Rússia, fortemente condenada pelos parlamentares presentes. Meses antes, Trump já havia se declarado um admirador de Vladimir Putin --não há registro de que a postura do então candidato tenha sido discutida na reunião, com exceção do comentário feito por McCarthy.

Um pouco tempo depois da conversa, McCarthy se tornou apoiador de Trump e um de seus interlocutores no Congresso. Ryan também declarou apoio ao candidato, mas teve alguns conflitos com Trump até o final da campanha eleitoral.

"Foi uma piada ruim", diz assessor

Assessores de McCarthy e Ryan inicialmente disseram ao "Washington Post" que os comentários eram falsos e nunca teriam acontecido. Avisados pelo jornal que havia uma gravação dessa conversa, ambos disseram que ela não deveria ser levada a sério.

"Foi uma piada ruim", disse Matt Sparks, porta-voz de McCarthy. "Essa conversa de um ano atrás foi uma tentativa de piada. Ninguém acreditou que o líder na Câmara estava seriamente afirmando que Donald Trump ou qualquer um de nossos membros estava sendo pago pelos russos", afirmou Brendan Buck, porta-voz do presidente da Câmara.

Já o republicano Evan McMullin, que estava presente na reunião como diretor de políticas de uma ala do partido, confirmou as conversas. "É verdade que McCarthy afirmou que pensava que Trump estava na conta de pagamentos do Kremlin. Ryan se preocupou com o vazamento [da conversa]", disse, segundo o jornal. Meses depois da reunião, McMullin se candidatou como independente na eleição presidencial, em oposição às políticas de Trump.

Sou vítima de caça às bruxas, diz Trump

Pressionado após as denúncias de que teria revelado aos russos uma informação confidencial repassada por um aliado americano, e de que teria pedido ao ex-diretor do FBI James Comey que parasse uma investigação ligada à influência russa nas eleições, Donald Trump voltou a publicar no Twitter na manhã desta quinta-feira (18) e disse ser vítima de uma "caça às bruxas".

"Esta é a maior caça às bruxas individual de um político na história americana!", escreveu Trump no Twitter, um dia depois do ex-diretor do FBI Robert Mueller ter sido designado como investigador especial da suposta interferência russa nas eleições americanas.

"Com todos os atos ilegais que aconteceram na campanha de Clinton e na administração Obama, eles nunca tiveram um conselheiro especial designado", escreveu, em referência ao investigador especial, sem especificar quais seriam os "atos ilegais" de Barack Obama e Hillary Clinton.

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